quarta-feira, 6 de março de 2013

Dor*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente 4 anos, em 6 de Março de 2009


Peter Singer é professor de Bioética na Universidade de Princeton. O seu pensamento é muito controverso e combina profundidade com clareza.

Lê-se no seu livro Escritos Sobre Uma Vida Ética [D. Quixote, 2008]: “A dor é má e quantidades similares de dor são igualmente más, seja quem for aquele que sofre.” 
     
A dor de que fala Peter Singer não é só a dor humana. Ele fala da dor de todos os seres sencientes pois os animais também sentem dor. Muitas vezes, é necessário causar dor a outros seres ou a nós próprios. Mas, se possível, a dor deve ser evitada.

Por vezes, a dor causada por uma doença torna a vida insuportável e desprovida de qualidade e de perspectivas. Nesses casos há um dilema ético e pensa-se na eutanásia.

Precisamos conhecer as melhores práticas mundiais. Na Holanda, conforme se explica no livro citado, a eutanásia só é possível:
     
i) se for efectuada por um médico a pedido explícito do paciente (pedido que não deixe nenhuma dúvida sobre a sua vontade de morrer);
     
ii) se a decisão do paciente for informada, livre e persistente;
     
iii) se o paciente estiver numa condição irreversível que lhe cause sofrimento que ele considere insuportável:
     
iv) se não existir alternativa razoável para lhe aliviar o sofrimento;
     
v) se o médico tiver consultado outro profissional independente que concorda com o seu juízo.

 A eutanásia não pode nem deve ser aplicada já. Primeiro há que debater de uma forma alargada e serena este tema que encerra em si todas as angústias do mundo.

Para já o país precisa de uma rede nacional de cuidados paliativos, com equipas multidisciplinares, capazes de diminuir o mais possível a dor dos doentes e das suas famílias porque diminuir o sofrimento é obrigação de uma sociedade decente.

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