A meio do Inverno*

 * Hoje no Jornal do Centro aqui

1. Este inverno tem sido um corrupio de tempestades: Alice, Claudia, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta, Nils. A Kristin foi a mais severa de todas, a mais desgraçada.

À hora que escrevo este Olho de Gato, está a aguaceirar a Oriana que, como o próprio nome diz, é de ouro. No tempo dos romances de cavalaria, Oriana, “a mais bela de todas as belas”, deu a volta à cabeça de Amadis de Gaula. Deseja-se que, desta vez, a Oriana chova e faça sol e arco-irise e poupe Coimbra. À hora em que escrevo, todas as televisões estão em breaking news, com drones e repórteres engalochados, tudo a debitar metros cúbicos por segundo, tudo live, tudo a botar contas ao encaixe da Barragem da Aguieira, tudo a botar os olhos ao “e se houvesse Girabolhos?” Vai ser a conversa política das próximas semanas.

No meiinho do Inverno, a 2 de Fevereiro, a marmota de Punxsutawney fugiu para a toca e lá, na terra dela, ainda vão ter mais seis semanas de Inverno. Por cá, a Senhora das Candeias esteve a chorar. E já se sabe:

— Se a Senhora das Candeias ri e chora, está o inverno meio dentro e meio fora.

— Se a Senhora das Candeias chora, está o inverno fora.

— Se a Senhora das Candeias rir, está o inverno para vir.

A chorosa Senhora das Candeias foi peremptória: o Inverno há-de estar fora, a acabar. Os meteorologistas dizem o mesmo: depois de ter ido de férias para o sul, o anticiclone dos Açores repega ao serviço para a semana. Vem aí uma trégua para secar e reparar e retelhar e recomeçar. Tal como Sísifo, os portugueses vão acartar, mais uma  vez, o calhau encosta acima. É, e sempre foi, assim a luta pela vida. O que tem que ser tem muita força. É preciso pôr as seguradores a assumirem as suas responsabilidades e ajudar quem precisa, mesmo sabendo-se que o excedente orçamental previsto para 2026 se foi na enxurrada.

2. João Azevedo tomou posse em 31 de Outubro. Por sinal, num dia também muito chuvoso. Acaba de completar 100 dias de trabalho à frente da câmara de Viseu. Os munícipes gostaram da mudança política e estão na expectativa.

O novo presidente da câmara procurou, nas gavetas do Rossio, projectos com cabeça, tronco e membros para candidatar a apoios comunitários, mas não achou nada que se visse. Apesar disso, não ficou paralisado a lamuriar-se da “pesada herança” recebida. Fez bem. Há que correr atrás do prejuízo, arregaçar as mangas e criar futuro para a cidade e o concelho.


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