segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Professor Sampaio da Nóvoa não merecia ser ultrajado por gentalha — um texto de JB*

* Comentário de JB ao post "Para uma segunda volta decente nas presidenciais — Vieira versus Branco"


Portugal está a precisar de um sobressalto cívico !

1. A autodestruição da esquerda é uma vitória inesperada para as forças políticas neoliberais mais retrógradas. Estas forças têm procurado destruir o sistema de previdência social, impor o seu domínio através de funcionários não eleitos, alargar e aprofundar desigualdades, minar os direitos dos trabalhadores, privatizar e desnacionalizar os setores mais lucrativos da economia. Quando vejo Moscovici ou Djesslbloem obrigarem a Grécia a incluir a liberalização de despedimentos ou mais privatizações no seu programa, não me esqueço de que ambos são socialistas. E que os socialistas alemães fazem parte do governo de Merkel….

A Presidência da República precisa de recuperar a influência positiva e o prestígio perdidos na desastrosa magistratura de Cavaco Silva.

Uma eleição presidencial ganha-se se houver empatia entre o eleitorado e o candidato. Para ganhar as eleições presidenciais, a esquerda não precisa de um candidato com forte imagem de esquerda: precisa de um candidato que, defendendo os seus valores essenciais, abra espaços nos eleitores do centro.

2. Mas a esquerda quase aparenta uma genuína vontade de perder as presidenciais, na verdade Sérgio Sousa Pinto no seu afã redondo de auto presunção de importância não tem é o direito de apoucar Nóvoa com considerações soezes e desconchavadas. Por muito que se esforce, nunca conseguirá proferir um discurso tão desassombrado, revigorante e inspirador como o de Mujica na ONU. Já antes Santos Silva, Lellos & compª. se tinham referido a H. Neto de forma inadmissível.

Se à esquerda existir um candidato presidencial que seja uma referência, que levante os cidadãos deprimidos, que seja alguém de quem nos possamos orgulhar, esse candidato ajudará o PS a fazer-se ouvir e a ganhar espaço de manobra. 


Fotografia daqui
A candidatura do Reitor Honorário da Universidade de Lisboa será absolutamente transversal sem deixar equívocos quanto à margem ideológica do rio das ideias a que pertence: humanista acima de tudo. Não estão em causa as qualidades de Sampaio da Nóvoa mas sim a capacidade de envolver e motivar à participação cívica nas eleições, para empolgar e fazer renascer a esperança dos cidadãos, para conseguir retirar a cada um de nós o melhor que temos para dar, enquanto membros de uma sociedade que está exausta e deslaçada.


Ainda não chegou a hora de revelar qual irá ser o meu Candidato Presidencial. Mas já chegou a hora de declarar que é vergonhosa a atitude dos que julgam poder escoucinhar quem fez a sua imagem honrada com muito trabalho, muita dignidade e muita doação ao seu País. O Professor Sampaio da Nóvoa não merecia ser ultrajado por gentalha. Sampaio da Nóvoa está claramente de fora do manobrismo partidário que hoje passa por política em Portugal e em grande parte do mundo; mas precisamente por isso é que está na política, isto é, no que interessa - vitalmente - à "polis".

3. Os sinais de degenerescência e apagamento do PS são evidentes. À sua incapacidade em assumir um consistente programa político, que o diferencie da direita, soma-se também a ausência de um candidato presidencial de peso, que seja o catalisador do descontentamento popular.

A divergência só tem lógica quando for inteligível e inteligente. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinearem as propostas para o novo ciclo político.

No meio desta lama a voz sensata (como é habitual) de João Cravinho: "A grande batalha do PS agora é realmente preparar-se, combater, difundir, procurar mobilizar para as legislativas.”

Os grandes êxitos da política do centro-direita na Europa e no Mundo, com toda a “Paz e Bem-Estar” proporcionada, são a medida da exactidão das teorias científicas em que tal política se ancora.

E queremos continuar no TINA (There Is No Alternative)?
De certeza que não há alternativa?


JB

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