Mostrar mensagens com a etiqueta PS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PS. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Atílio dos Santos Nunes
No virar do século, conheci Atílio Santos Nunes, então ele a presidente da câmara de Carregal do Sal, pelo PSD, e eu a vereador em Viseu, pelo PS, e mais uns fazeres na área do ensino recorrente que me faziam ir àquele concelho com alguma regularidade e encontrar-me com aquele competente e bem-humorado autarca.
Competente, sim: Atílio dos Santos Nunes conseguiu que o seco Cavaco Silva lhe fizesse uma auto-estrada entre Canas de Senhorim e Carregal, uma auto-estrada sem princípio, nem fim, nem portagem, só conveniências para quem lá passava. Foi o início do IC12 que, depois, muito depois, seria prolongado até ao IP3, em Santa Comba Dão, falta ainda o troço de Canas a Mangualde. Aquela rodovia devia adoptar oficialmente a sua designação oficiosa: "auto-estrada do Atílio".
Bem-humorado, sim, e com uma extrema habilidade para derreter o coração dos decisores políticos e levar a água ao seu moinho. Para início de qualquer conversa, Atílio apresentava-se dizendo: «sou um pedreiro com a quarta classe feita à noite.» Tomaram muitos professores doutores chegar-lhe aos calcanhares.
Em 2001, na agonia do guterrismo, no PS nacional ferviam as traições e as facadas nas costas. No PS-Viseu, idem, idem, aspas, aspas. Nesse ano eu fui candidato socialista à câmara de Viseu e, entre Maio e Dezembro, levei a minha dose.
Uma delas foi no dia 14 de Agosto, dia na inauguração da Feira de S. Mateus, em que o corta-fita tocou a um ministro socialista que, no discurso inaugural, fez uma oratória a hiperbolizar as façanhas do dr. Ruas do princípio ao fim. O ministro rosa arrebicocorou-se todo em panegíricos ao edil social-democrata. Foi um convite do princípio ao fim ao voto laranja.
Eu, o esfaqueado, mantive-me impassível. Já sabia o que a casa gastava. Embora não tenha batido palmas no fim, era o que mais faltava.
Seguiram-se os "shake-hands" cerimoniais, a descida luzidia dos vips na notável e bela escadaria da câmara municipal, onde, no tecto, avultam os retratos fabulosos de vinte e quatro viseenses ilustres.
Ainda antes das duas escadas se fundirem numa, o presidente Atílio virou-se para mim e disse e toda a gente à volta ouviu:
«Com socialistas assim, estás fodido, Alex!»
Eu estava fodido. Sabia disso desde o momento em que aceitei aquela empreitada. Sorri-lhe.
Quando nos despedimos, naquele dia, dei-lhe um abraço forte de gratidão.
Atílio dos Santos Nunes morreu hoje. Com 79 anos. Era um homem bom.
Fica aqui este testemunho.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Autárquicas 2017 (#4)*
* Hoje no Jornal do Centro
1. As autárquicas, coitadas, chatinhas como nunca, estão agora nas afinações finais das listas.
A nível nacional não vai acontecer nada de especial. A eventual queda de Pedro Passos Coelho não faz ninguém interromper o bronze. Depois vê-se. De qualquer forma, mesmo que o ex-primeiro-ministro caia, Luís Montenegro será uma pedra pontiaguda no caminho que Rui Rio julgava fácil, e tratará de continuar o passismo sem Passos.
2. Em Setembro do ano passado escrevi aqui o seguinte: “o social-democrata Pedro Alves vai ter pesadelos terríveis com Lamego e o socialista António Borges, insónias com o periclitante presidente que pôs à frente da 'sua' Resende.” Passaram dez longos meses, muita água correu debaixo das pontes do rio Douro, pontes corrupiadas para cá e para lá pelos insones líderes distritais do PSD e do PS.
Um responsável laranja, em declarações a este jornal, já assumiu a derrota em Lamego e pôs-se fora do filme judicial que se adivinha: “seremos oposição e vamos denunciar muitas das coisas que Francisco Lopes fez.”
Derrotado em Lamego, Pedro Alves, agora, já só pode equilibrar as coisas se conseguir tirar Resende a António Borges. Não lhe vai ser fácil, Resende tem sido fiel ao PS e a direita vai a votos dividida. Mas, como Borges arranjou um sucessor que não acerta uma, os laranjas estão a apostar forte.
O último “inconseguimento” do actual presidente da câmara de Resende foi em Caldas de Aregos. António Borges, no seu tempo, prescindiu de milhões das eólicas para apostar forte naquelas termas, o seu sucessor, a seguir, não saiu do sítio, ficou parado à espera de um investidor privado chamado Godot.
3. Já nem em Lamego há reuniões para fazer listas como a que descreveu um “dirigente partidário com responsabilidades nacionais e distritais” a este jornal — uma reunião com pistolas em cima da mesa.
A política, agora, tem défice de adrenalina.
1. As autárquicas, coitadas, chatinhas como nunca, estão agora nas afinações finais das listas.
A nível nacional não vai acontecer nada de especial. A eventual queda de Pedro Passos Coelho não faz ninguém interromper o bronze. Depois vê-se. De qualquer forma, mesmo que o ex-primeiro-ministro caia, Luís Montenegro será uma pedra pontiaguda no caminho que Rui Rio julgava fácil, e tratará de continuar o passismo sem Passos.
2. Em Setembro do ano passado escrevi aqui o seguinte: “o social-democrata Pedro Alves vai ter pesadelos terríveis com Lamego e o socialista António Borges, insónias com o periclitante presidente que pôs à frente da 'sua' Resende.” Passaram dez longos meses, muita água correu debaixo das pontes do rio Douro, pontes corrupiadas para cá e para lá pelos insones líderes distritais do PSD e do PS.
Um responsável laranja, em declarações a este jornal, já assumiu a derrota em Lamego e pôs-se fora do filme judicial que se adivinha: “seremos oposição e vamos denunciar muitas das coisas que Francisco Lopes fez.”
Derrotado em Lamego, Pedro Alves, agora, já só pode equilibrar as coisas se conseguir tirar Resende a António Borges. Não lhe vai ser fácil, Resende tem sido fiel ao PS e a direita vai a votos dividida. Mas, como Borges arranjou um sucessor que não acerta uma, os laranjas estão a apostar forte.
O último “inconseguimento” do actual presidente da câmara de Resende foi em Caldas de Aregos. António Borges, no seu tempo, prescindiu de milhões das eólicas para apostar forte naquelas termas, o seu sucessor, a seguir, não saiu do sítio, ficou parado à espera de um investidor privado chamado Godot.
3. Já nem em Lamego há reuniões para fazer listas como a que descreveu um “dirigente partidário com responsabilidades nacionais e distritais” a este jornal — uma reunião com pistolas em cima da mesa.
![]() |
| Daqui |
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Nível*
* Publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 3 de Agosto de 2007
1. Transcrevo aqui, no Olho de Gato, o último parágrafo da crónica da semana passada de José Junqueiro. Repare-se no nível:
“É o caso do cronista Joaquim Alexandre que entrou no Congresso Distrital do PS mudo e saiu calado, que se esconde atrás das costas da última cadeira nas assembleias do PS e nada diz, que paralisa em frente da ministra da Educação, na sessão pública de Junho num hotel da cidade, e não solta uma palavra, que não foi escolhido para deputado, como desejava, e vive amargurado, que não foi nomeado Governador Civil, como tanto pediu, e ficou ressabiado! Assim se percebe o frenesim do moço sempre que arranha na coluna do tareco!”
Estamos, como se vê, em plena silly season.
2. Lembro dois episódios de pequena política:
(i) Em Janeiro de 2005, o então Ministro Morais Sarmento fez uma visita a São Tomé e Príncipe que incluiu mergulho submarino; Junqueiro mergulhou de cabeça na história;
(ii) já neste Verão, Marques Mendes levou com uma história de remunerações em Oeiras; coisa malcheirosa; Junqueiro apareceu logo a meter o bedelho.
Ora, nenhum político com nível chafurda neste lodo.
É uma pena o sempiterno líder do PS-Viseu prestar-se a fazer esta “figura do costume”. Assim chamei a este padrão de conduta no último Olho de Gato: “figura do costume”. A reacção de Junqueiro foi aquele fogo de artilharia patético acima transcrito.
Liderei a oposição a Fernando Ruas na Câmara Municipal de Viseu, de 2002 a 2005, e não me escondi nunca atrás de cadeiras. Naqueles tempos, bem mais difíceis para os socialistas que os de agora, se alguém teve medo, não fui eu. E por aqui me fico.
É sempre bom relembrar o que disse Millôr Fernandes:“É impressionante a altura que uma pessoa atinge só não descendo de nível.”
1. Transcrevo aqui, no Olho de Gato, o último parágrafo da crónica da semana passada de José Junqueiro. Repare-se no nível:
“É o caso do cronista Joaquim Alexandre que entrou no Congresso Distrital do PS mudo e saiu calado, que se esconde atrás das costas da última cadeira nas assembleias do PS e nada diz, que paralisa em frente da ministra da Educação, na sessão pública de Junho num hotel da cidade, e não solta uma palavra, que não foi escolhido para deputado, como desejava, e vive amargurado, que não foi nomeado Governador Civil, como tanto pediu, e ficou ressabiado! Assim se percebe o frenesim do moço sempre que arranha na coluna do tareco!”
Estamos, como se vê, em plena silly season.
2. Lembro dois episódios de pequena política:
(i) Em Janeiro de 2005, o então Ministro Morais Sarmento fez uma visita a São Tomé e Príncipe que incluiu mergulho submarino; Junqueiro mergulhou de cabeça na história;
(ii) já neste Verão, Marques Mendes levou com uma história de remunerações em Oeiras; coisa malcheirosa; Junqueiro apareceu logo a meter o bedelho.
![]() |
| Daqui |
É uma pena o sempiterno líder do PS-Viseu prestar-se a fazer esta “figura do costume”. Assim chamei a este padrão de conduta no último Olho de Gato: “figura do costume”. A reacção de Junqueiro foi aquele fogo de artilharia patético acima transcrito.
Liderei a oposição a Fernando Ruas na Câmara Municipal de Viseu, de 2002 a 2005, e não me escondi nunca atrás de cadeiras. Naqueles tempos, bem mais difíceis para os socialistas que os de agora, se alguém teve medo, não fui eu. E por aqui me fico.
É sempre bom relembrar o que disse Millôr Fernandes:“É impressionante a altura que uma pessoa atinge só não descendo de nível.”
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Fazimentos*
* Hoje no Jornal do Centro
1. Os produtos financeiros são cada vez mais complexos e até os profissionais têm dificuldades em perceber alguns. As coisas complicam-se quando um cidadão comum é confrontado com um molho de páginas impresso em letra pequenina, cheio de jargão técnico, escrito numa língua de trapo inacessível.
Um estudo feito em 2015 por um grupo especializado em serviços financeiros e supervisionado por um professor da Universidade de Cambridge apurou que nove milhões de súbditos de sua majestade sofrem de fobia financeira. Isto é, um em cada cinco britânicos tem “sensações de ansiedade, culpa, tédio, ou descontrolo para cuidar do seu próprio dinheiro”.
Não achei nenhum estudo sobre a fobia financeira dos portugueses, mas o que aconteceu aos lesados do BES e do BANIF só deve ter aumentado o problema.
Os trabalhadores precários e os desempregados, como explica Guy Standing no seu livro “O precariado, a nova classe perigosa”, estão ainda mais desprotegidos. O seu acesso a aconselhamento financeiro é limitado, estão mais expostos a financiamentos abutres e os bancos carregam nas comissões das contas mais modestas. Esta dificuldade em “tomar decisões racionais” com o dinheiro é, também ela, um factor de desigualdade. E, para estas pessoas, uma boa ou uma má decisão pode significar “a diferença entre o conforto modesto e a miséria”.
Esta semana o PS anunciou legislação para impor transparência e travar vendas agressivas de produtos financeiros e depósitos complexos. Ontem já era tarde.
2. No concelho de Viseu, a candidatura “Fazer por Viseu” (PS) propõe-se ficar com 2,5% do nosso IRS. Já a candidatura “Viseu faz bem” (PSD), no poder, tem ficado com 4%.
Havia um anúncio de um laxante que passava nas televisões a toda a hora, até durante as refeições, que acabava em crescendo com um “E faz você muito bem!” É um slogan apropriado para os cartazes destes “fazedores” com tão pouco respeito pelo nosso dinheiro.
1. Os produtos financeiros são cada vez mais complexos e até os profissionais têm dificuldades em perceber alguns. As coisas complicam-se quando um cidadão comum é confrontado com um molho de páginas impresso em letra pequenina, cheio de jargão técnico, escrito numa língua de trapo inacessível.
Um estudo feito em 2015 por um grupo especializado em serviços financeiros e supervisionado por um professor da Universidade de Cambridge apurou que nove milhões de súbditos de sua majestade sofrem de fobia financeira. Isto é, um em cada cinco britânicos tem “sensações de ansiedade, culpa, tédio, ou descontrolo para cuidar do seu próprio dinheiro”.
Não achei nenhum estudo sobre a fobia financeira dos portugueses, mas o que aconteceu aos lesados do BES e do BANIF só deve ter aumentado o problema.
Os trabalhadores precários e os desempregados, como explica Guy Standing no seu livro “O precariado, a nova classe perigosa”, estão ainda mais desprotegidos. O seu acesso a aconselhamento financeiro é limitado, estão mais expostos a financiamentos abutres e os bancos carregam nas comissões das contas mais modestas. Esta dificuldade em “tomar decisões racionais” com o dinheiro é, também ela, um factor de desigualdade. E, para estas pessoas, uma boa ou uma má decisão pode significar “a diferença entre o conforto modesto e a miséria”.
Esta semana o PS anunciou legislação para impor transparência e travar vendas agressivas de produtos financeiros e depósitos complexos. Ontem já era tarde.
2. No concelho de Viseu, a candidatura “Fazer por Viseu” (PS) propõe-se ficar com 2,5% do nosso IRS. Já a candidatura “Viseu faz bem” (PSD), no poder, tem ficado com 4%.
Havia um anúncio de um laxante que passava nas televisões a toda a hora, até durante as refeições, que acabava em crescendo com um “E faz você muito bem!” É um slogan apropriado para os cartazes destes “fazedores” com tão pouco respeito pelo nosso dinheiro.
![]() |
| Fotografia Olho de Gato |
sexta-feira, 16 de junho de 2017
A doença dos aparelhos*
* Publicado hoje no Jornal do Centro
1. Os motores das autárquicas estão a aquecer. O quadro de candidatos às câmaras municipais que o Jornal do Centro tem vindo a actualizar, ao longo dos últimos meses, está quase completo.
O PSD concorre a todos os concelhos do distrito de Viseu, o PS apagou-se em S. João da Pesqueira e no Sátão. Para já: Pedro Alves, 24 — António Borges, 22.
O caso do Sátão é difícil de explicar fora das lógicas pequeninas do aparelho socialista. É sabido que a ecologia dentro dos partidos tende a premiar as ovelhas que mais dizem ámen ao chefe de turno, repelindo, perseguindo, ou fazendo desistir quem pensa pela sua cabeça. Esta ecologia é hostil ao mérito e faz com que a vontade colectiva dos partidos não seja construída das bases para a cúpula, mas ao contrário: as decisões importantes tomam-se em cima e aplicam-se em baixo.
É por isso que o facto de Acácio Pinto não concorrer no Sátão com as cores do PS é da responsabilidade integral do presidente da distrital, António Borges. Quando um líder já não consegue pôr juízo nas suas tropas, em bom juízo já não é um líder.
2. No concelho de Viseu, já há três candidatas à presidência da câmara (PS, CDS e CDU) e dois candidatos (PSD e BE). Três mulheres e dois homens. Se João Nascimento conseguir consumar a sua candidatura independente, então haverá paridade: três mulheres e três homens.
Isto é bom. Contudo, convém lembrar: aquilo a que se chama “política no feminino” é um gambozino. Não existe. Há boas e más ideias políticas. Tanto nos homens como nas mulheres. Há boas e más práticas políticas. Tanto nos homens como nas mulheres. Ponto.
Como vimos, ser homem ou ser mulher não nos diz nada acerca da qualidade de um político. Porém, há uma grelha de análise que é como o algodão, não engana. Basta aplicarmos a cada candidato, homem ou mulher, a seguinte pergunta: “esta pessoa tem ideias e acções, conhecidas e com valor, fora do aparelho partidário mais encardido?”
1. Os motores das autárquicas estão a aquecer. O quadro de candidatos às câmaras municipais que o Jornal do Centro tem vindo a actualizar, ao longo dos últimos meses, está quase completo.
O PSD concorre a todos os concelhos do distrito de Viseu, o PS apagou-se em S. João da Pesqueira e no Sátão. Para já: Pedro Alves, 24 — António Borges, 22.
O caso do Sátão é difícil de explicar fora das lógicas pequeninas do aparelho socialista. É sabido que a ecologia dentro dos partidos tende a premiar as ovelhas que mais dizem ámen ao chefe de turno, repelindo, perseguindo, ou fazendo desistir quem pensa pela sua cabeça. Esta ecologia é hostil ao mérito e faz com que a vontade colectiva dos partidos não seja construída das bases para a cúpula, mas ao contrário: as decisões importantes tomam-se em cima e aplicam-se em baixo.
É por isso que o facto de Acácio Pinto não concorrer no Sátão com as cores do PS é da responsabilidade integral do presidente da distrital, António Borges. Quando um líder já não consegue pôr juízo nas suas tropas, em bom juízo já não é um líder.
![]() |
| Fotografia Olho de Gato |
Isto é bom. Contudo, convém lembrar: aquilo a que se chama “política no feminino” é um gambozino. Não existe. Há boas e más ideias políticas. Tanto nos homens como nas mulheres. Há boas e más práticas políticas. Tanto nos homens como nas mulheres. Ponto.
Como vimos, ser homem ou ser mulher não nos diz nada acerca da qualidade de um político. Porém, há uma grelha de análise que é como o algodão, não engana. Basta aplicarmos a cada candidato, homem ou mulher, a seguinte pergunta: “esta pessoa tem ideias e acções, conhecidas e com valor, fora do aparelho partidário mais encardido?”
sexta-feira, 3 de março de 2017
Moscas*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Como descrevi aqui em 21 de Outubro, nos quatro negros anos que se seguiram à bancarrota socrática, as receitas de IMI das câmaras do distrito de Viseu subiram de 26,2 milhões de euros para 38,5 milhões. Nos anos austeritários de 2012 a 2015, as câmaras desausterizaram-se 47% (!) em IMI.
Ora, apesar deste contínuo e crescente jackpot no imposto imobiliário, só há três presidentes de câmara no distrito que vão devolver, aos seus castigados munícipes, 5% de IRS, o máximo possível na lei.
Em vinte e quatro presidentes de câmara, só três são solidários com a classe média. João Paulo Fonseca (Armamar), José Júlio Norte (Mortágua) e Garcez Trindade (Resende) merecem por isso, mais uma vez, um aplauso aqui no Olho de Gato. Merece ainda referência positiva o presidente da câmara de Penedono que devolve 4%.
Os restantes ou ficam com tudo ou devolvem ridicularias. Em Viseu, António Almeida Henriques só devolve 1% ao mesmo tempo que se gaba de já ter engordado o saldo municipal em dez milhões de euros.
2. Os episódios das telenovelas, depois de editados nas produtoras, vão visualmente limpos para as televisões. Mas, quando são emitidos, eles são enxertados com o logótipo do canal num canto do ecrã, e com os inevitáveis rodapés a correrem, a correrem da direita para a esquerda, no fundo. Estes “intrusos” visuais são conhecidos, na gíria técnica, como “moscas”.
A telenovela da candidatura do PS à câmara de Viseu rodou mais um episódio na semana passada — a comissão política concelhia oficializou a candidatura de Lúcia Araújo Silva.
Fiquemo-nos, por agora, pela descrição das “moscas” desta telenovela: o logótipo, no canto superior esquerdo, é uma fotografia de Miguel Ginestal; o rodapé a correr, a correr, é uma frase dele durante a rodagem daquele episódio da comissão política a explicar a quem ainda não tinha dado conta que «a candidata pensa pela sua cabeça».
1. Como descrevi aqui em 21 de Outubro, nos quatro negros anos que se seguiram à bancarrota socrática, as receitas de IMI das câmaras do distrito de Viseu subiram de 26,2 milhões de euros para 38,5 milhões. Nos anos austeritários de 2012 a 2015, as câmaras desausterizaram-se 47% (!) em IMI.
Ora, apesar deste contínuo e crescente jackpot no imposto imobiliário, só há três presidentes de câmara no distrito que vão devolver, aos seus castigados munícipes, 5% de IRS, o máximo possível na lei.
Em vinte e quatro presidentes de câmara, só três são solidários com a classe média. João Paulo Fonseca (Armamar), José Júlio Norte (Mortágua) e Garcez Trindade (Resende) merecem por isso, mais uma vez, um aplauso aqui no Olho de Gato. Merece ainda referência positiva o presidente da câmara de Penedono que devolve 4%.
Os restantes ou ficam com tudo ou devolvem ridicularias. Em Viseu, António Almeida Henriques só devolve 1% ao mesmo tempo que se gaba de já ter engordado o saldo municipal em dez milhões de euros.
2. Os episódios das telenovelas, depois de editados nas produtoras, vão visualmente limpos para as televisões. Mas, quando são emitidos, eles são enxertados com o logótipo do canal num canto do ecrã, e com os inevitáveis rodapés a correrem, a correrem da direita para a esquerda, no fundo. Estes “intrusos” visuais são conhecidos, na gíria técnica, como “moscas”.
A telenovela da candidatura do PS à câmara de Viseu rodou mais um episódio na semana passada — a comissão política concelhia oficializou a candidatura de Lúcia Araújo Silva.
Fiquemo-nos, por agora, pela descrição das “moscas” desta telenovela: o logótipo, no canto superior esquerdo, é uma fotografia de Miguel Ginestal; o rodapé a correr, a correr, é uma frase dele durante a rodagem daquele episódio da comissão política a explicar a quem ainda não tinha dado conta que «a candidata pensa pela sua cabeça».
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Autárquicas (#2)*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Este é o segundo texto que dedico integralmente às autárquicas deste ano. O primeiro foi em 6 de Maio de 2016.
Recordo algumas ideias dessa crónica: (i) no PS, estava a começar um bombardeio dos seguristas de Viseu à concelhia costista de Adelaide Modesto; (ii) o dr. Ruas estava e está bem no parlamento europeu e não vai regressar; (iii) no PSD, António Almeida Henriques vai gerir o processo autárquico à vontade; e, (iv) quanto ao CDS, disse então: “depois do absentismo e afonia do vereador Hélder Amaral, os centristas vão ter muitas dificuldades, mesmo que candidatem algum ex-membro das equipas do dr. Ruas.”
2. No PS, a segurista Lúcia Silva já é candidata a candidata. Deu, nessa qualidade, uma entrevista ao Jornal do Centro, onde informou que já “sentiu” o apoio do secretariado da concelhia e que, tudo que seja dito em contrário, é “hipocrisia humana”.
Ao mesmo tempo, declarações anónimas de militantes destacados a este jornal vão destilando: “pouco ambiciosa”; “ausência de bandeiras”; “direcções políticas fracas”; “ninguém se quer incomodar”.
Os “vips” do PS-Viseu estão esta nulidade cívica. Muito veneno cochichado aos jornais, nenhuma coragem para assumirem no partido e publicamente o óbvio: como se viu na entrevista, Lúcia Silva é um vazio de ideias sobre a cidade e o concelho, um vazio que até já pede socorro ao bloco e ao PCP.
3. António Almeida Henriques está à vontade.
Tem, contudo, uma decisão estratégica para tomar: se é para dar tanto poder ao seu adjunto Jorge Sobrado, se é para o pôr a tomar decisões à solta (ver o caso da Viseu Marca), é mais transparente para com os viseenses pô-lo na lista como candidato a vice-presidente.
4. Quanto ao CDS, sim, o “ex-membro das equipas do dr. Ruas” em que estava a pensar há oito meses e meio era mesmo Américo Nunes. Ele acaba de ser “convidado” pelo presidente da concelhia centrista.
Adivinha-se um ano muito divertido.
1. Este é o segundo texto que dedico integralmente às autárquicas deste ano. O primeiro foi em 6 de Maio de 2016.
Recordo algumas ideias dessa crónica: (i) no PS, estava a começar um bombardeio dos seguristas de Viseu à concelhia costista de Adelaide Modesto; (ii) o dr. Ruas estava e está bem no parlamento europeu e não vai regressar; (iii) no PSD, António Almeida Henriques vai gerir o processo autárquico à vontade; e, (iv) quanto ao CDS, disse então: “depois do absentismo e afonia do vereador Hélder Amaral, os centristas vão ter muitas dificuldades, mesmo que candidatem algum ex-membro das equipas do dr. Ruas.”
![]() |
| Fotografia Olho de Gato |
2. No PS, a segurista Lúcia Silva já é candidata a candidata. Deu, nessa qualidade, uma entrevista ao Jornal do Centro, onde informou que já “sentiu” o apoio do secretariado da concelhia e que, tudo que seja dito em contrário, é “hipocrisia humana”.
Ao mesmo tempo, declarações anónimas de militantes destacados a este jornal vão destilando: “pouco ambiciosa”; “ausência de bandeiras”; “direcções políticas fracas”; “ninguém se quer incomodar”.
Os “vips” do PS-Viseu estão esta nulidade cívica. Muito veneno cochichado aos jornais, nenhuma coragem para assumirem no partido e publicamente o óbvio: como se viu na entrevista, Lúcia Silva é um vazio de ideias sobre a cidade e o concelho, um vazio que até já pede socorro ao bloco e ao PCP.
3. António Almeida Henriques está à vontade.
Tem, contudo, uma decisão estratégica para tomar: se é para dar tanto poder ao seu adjunto Jorge Sobrado, se é para o pôr a tomar decisões à solta (ver o caso da Viseu Marca), é mais transparente para com os viseenses pô-lo na lista como candidato a vice-presidente.
4. Quanto ao CDS, sim, o “ex-membro das equipas do dr. Ruas” em que estava a pensar há oito meses e meio era mesmo Américo Nunes. Ele acaba de ser “convidado” pelo presidente da concelhia centrista.
Adivinha-se um ano muito divertido.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Tiririca — um texto de JB
Leio no Diário de Viseu - on line 6/12/16:
“Os autarcas de 22 dos 24 concelhos do distrito de Viseu assinaram ontem, nas instalações do Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, um protocolo com o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, o ministro da Educação, Brandão Rodrigues, e o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, que visa impulsionar a implementação do “Referencial de Educação para a Segurança, Defesa e Paz”.
PS Viseu, sempre a "trabalhar bem"!
Oferece lançamento da campanha em espaço “politicamente correcto”, em função do poder autárquico.
Boa notícia para o Boletim da Câmara e com excelentes fotos:
Ministro da Educação continua campanha de "manteiga ou margarina".... sirvam-se do que desejarem. Eu pago!
João Paulo Rebelo marcou presença na qualidade de ex-vereador, membro governo ou bom rapaz?
Aliás, no PS-Viseu, são todos bons rapazes e boas raparigas. É uma chatice é haver gente que pensa, é o que é…
O/A candidato(a) à CMVvai ser um estrondo! É como o Tiririca, pior não fica!
Sugestão para a música da campanha autárquica do PS-Viseu:
“Os autarcas de 22 dos 24 concelhos do distrito de Viseu assinaram ontem, nas instalações do Regimento de Infantaria n.º 14, em Viseu, um protocolo com o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, o ministro da Educação, Brandão Rodrigues, e o secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, que visa impulsionar a implementação do “Referencial de Educação para a Segurança, Defesa e Paz”.
PS Viseu, sempre a "trabalhar bem"!
Oferece lançamento da campanha em espaço “politicamente correcto”, em função do poder autárquico.
![]() |
| Fotografia daqui |
Ministro da Educação continua campanha de "manteiga ou margarina".... sirvam-se do que desejarem. Eu pago!
João Paulo Rebelo marcou presença na qualidade de ex-vereador, membro governo ou bom rapaz?
Aliás, no PS-Viseu, são todos bons rapazes e boas raparigas. É uma chatice é haver gente que pensa, é o que é…
O/A candidato(a) à CMVvai ser um estrondo! É como o Tiririca, pior não fica!
Sugestão para a música da campanha autárquica do PS-Viseu:
JB
sábado, 23 de julho de 2016
Exorcismos e lampionices
![]() |
| Newslwetter da TSF de hoje |
António Costa para "virador da página da austeridade" tem pouco jeito, como se tem visto. Talvez se safe como "exorcista".
Já a TSF anda há meses com "o golo que colocou o Benfica na liderança". Todos os dias. Nem o golo do Eder em Paris, que nos fez campeões da Europa, deslampiona esta newsletter.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Fraquezas*
* Texto publicado há exactamente dez anos, em 7 de Julho de 2006
1. Viseu está fraco politicamente. Percebe-se isso com facilidade. José Junqueiro, o número um do PS no distrito, está em dificuldades. Depois da hecatombe das últimas autárquicas, em que o PS perdeu metade das câmaras que tinha no distrito, Junqueiro só pensa numa coisa: aguentar-se. Passar entre os pingos da chuva.
É sabido que, junto de José Sócrates, o sempiterno líder distrital do PS-Viseu tem uma influência próxima de zero. A universidade foi-se. O comboio descarrilou. O protagonismo político de Viseu já era. A situação lembra o título do filme de Victor Fleming: “E Tudo o Vento Levou”.
O quadro só não é completamente negro graças à qualidade da acção de António Borges, Presidente da Câmara de Resende. A visita de José Sócrates a Resende, no início de Junho, foi o reconhecimento do trabalho político daquele autarca. Merece também destaque o viseense Correia de Campos que está a ter uma experiência governativa, como Ministro da Saúde, muito mais positiva que a de 2001.
Não admira que seja para António Borges e Correia de Campos que o PSD-Viseu tenha virado ultimamente as suas baterias.
2. Os líderes do PSD e do CDS, Marques Mendes e Ribeiro e Castro, parece que engoliram um gravador de cassetes dos antigos e estão sempre a conspirar contra as nossas SCUTS. Durante o último ano não falaram doutra coisa. Parece que não podem ver uma camisa lavada a um pobre. As coisas não estão fáceis. Os nossos políticos locais não têm força para aguentarem as A24 e A25 sem portagens. Só nos resta confiar em José Sócrates.
3. O episódio das “pedradas” fragilizou Fernando Ruas e isso não é bom para a cidade e a região.
Junqueiro e Ruas são, cada vez mais, o retrato da fraqueza a que chegou a política em Viseu. São políticos com mais passado que futuro.
1. Viseu está fraco politicamente. Percebe-se isso com facilidade. José Junqueiro, o número um do PS no distrito, está em dificuldades. Depois da hecatombe das últimas autárquicas, em que o PS perdeu metade das câmaras que tinha no distrito, Junqueiro só pensa numa coisa: aguentar-se. Passar entre os pingos da chuva.
É sabido que, junto de José Sócrates, o sempiterno líder distrital do PS-Viseu tem uma influência próxima de zero. A universidade foi-se. O comboio descarrilou. O protagonismo político de Viseu já era. A situação lembra o título do filme de Victor Fleming: “E Tudo o Vento Levou”.
O quadro só não é completamente negro graças à qualidade da acção de António Borges, Presidente da Câmara de Resende. A visita de José Sócrates a Resende, no início de Junho, foi o reconhecimento do trabalho político daquele autarca. Merece também destaque o viseense Correia de Campos que está a ter uma experiência governativa, como Ministro da Saúde, muito mais positiva que a de 2001.
Não admira que seja para António Borges e Correia de Campos que o PSD-Viseu tenha virado ultimamente as suas baterias.
2. Os líderes do PSD e do CDS, Marques Mendes e Ribeiro e Castro, parece que engoliram um gravador de cassetes dos antigos e estão sempre a conspirar contra as nossas SCUTS. Durante o último ano não falaram doutra coisa. Parece que não podem ver uma camisa lavada a um pobre. As coisas não estão fáceis. Os nossos políticos locais não têm força para aguentarem as A24 e A25 sem portagens. Só nos resta confiar em José Sócrates.
3. O episódio das “pedradas” fragilizou Fernando Ruas e isso não é bom para a cidade e a região.
![]() |
| Fotografia Olho de Gato |
Junqueiro e Ruas são, cada vez mais, o retrato da fraqueza a que chegou a política em Viseu. São políticos com mais passado que futuro.
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Turismo*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Como é sabido, os media dão sempre menos atenção ao bom do que ao mau: uma estrada de bom piso e sem acidentes não é notícia, se tiver um buraco ou acontecer lá chapa amolgada já o é.
Dizer isto é uma lapalissada. Mas isto tem consequências que muitas vezes esquecemos: o mundo está sempre muito melhor do que é descrito na comunicação social.
Recordemos duas notícias recentes deste jornal:
(i) o comboio turístico que circulava em Lamego sem qualquer encargo para a autarquia foi chumbado em sessão camarária;
(ii) a assembleia municipal de Mortágua recusou uma medalha de mérito aos 50 anos de dedicação aos bombeiros do comandante Joaquim Gaspar.
Estas duas deliberações autárquicas, tanto a de Lamego como a de Mortágua, são aberrantes. São duas decisões estúpidas que têm que ser notícia. Mas, felizmente, elas são excepção, não regra.
2. Em Abril do ano passado, o presidente do Turismo do Centro de Portugal afirmou a este jornal que preferia a requalificação da linha da Beira Alta a uma nova linha entre Aveiro e Viseu. Pedro Machado não quer ver os “desembarcadiços” da futura marina do porto de Aveiro no comboio para Viseu.
Ora, como é sabido, António Almeida Henriques, no início do seu mandato, “atravessou-se” na defesa daquela linha. É uma bandeira sua. Para o ano, nas eleições, vão perguntar-lhe: “cadê o comboio?” Não admira, portanto, que o presidente da câmara de Viseu esteja a reagir ao desinteresse do Turismo do Centro e até já pense em mudar e passar a pagar quotas ao norte.
Este esboço de “transferência” põe um ónus a Melchior Moreira, o #1 do Turismo do Norte. Ele que trate do regresso do Rali de Portugal ao troço de Bertelhe.
3. Embora tarde, o PS-Viseu acabou por publicar, com transparência, os resultados completos das últimas eleições internas. Os resultados nacionais, não tão completos e publicados ainda mais tarde, também já estão no site do partido.
Registe-se.
1. Como é sabido, os media dão sempre menos atenção ao bom do que ao mau: uma estrada de bom piso e sem acidentes não é notícia, se tiver um buraco ou acontecer lá chapa amolgada já o é.
Dizer isto é uma lapalissada. Mas isto tem consequências que muitas vezes esquecemos: o mundo está sempre muito melhor do que é descrito na comunicação social.
Recordemos duas notícias recentes deste jornal:
(i) o comboio turístico que circulava em Lamego sem qualquer encargo para a autarquia foi chumbado em sessão camarária;
(ii) a assembleia municipal de Mortágua recusou uma medalha de mérito aos 50 anos de dedicação aos bombeiros do comandante Joaquim Gaspar.
Estas duas deliberações autárquicas, tanto a de Lamego como a de Mortágua, são aberrantes. São duas decisões estúpidas que têm que ser notícia. Mas, felizmente, elas são excepção, não regra.
2. Em Abril do ano passado, o presidente do Turismo do Centro de Portugal afirmou a este jornal que preferia a requalificação da linha da Beira Alta a uma nova linha entre Aveiro e Viseu. Pedro Machado não quer ver os “desembarcadiços” da futura marina do porto de Aveiro no comboio para Viseu.
Ora, como é sabido, António Almeida Henriques, no início do seu mandato, “atravessou-se” na defesa daquela linha. É uma bandeira sua. Para o ano, nas eleições, vão perguntar-lhe: “cadê o comboio?” Não admira, portanto, que o presidente da câmara de Viseu esteja a reagir ao desinteresse do Turismo do Centro e até já pense em mudar e passar a pagar quotas ao norte.
![]() |
| Mário Silva — Ponte de Bertelhe, 1982 Fotografia daqui |
3. Embora tarde, o PS-Viseu acabou por publicar, com transparência, os resultados completos das últimas eleições internas. Os resultados nacionais, não tão completos e publicados ainda mais tarde, também já estão no site do partido.
Registe-se.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Dias felizes*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
----------------
** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.
1. Entre 4 de Fevereiro (dia da entrega do orçamento de estado) e 16 de Março (dia em que foi aprovado) passaram-se 41 dias felizes no parlamento. Como António Costa mostrou abertura a alterações naquele diploma, os deputados do PS, BE, PCP, PEV, PAN, até do pàfiano CDS, entraram na festa.
Foi uma festa vegan que reduziu o IVA ao tofu e à soja, o que levará à diminuição do perímetro abdominal dos portugueses e dará trabalho extra às costureiras na mingação das nossas calças, para que não caiam.
![]() |
| Fotografia daqui |
Nestes 41 dias de recreio, os deputados divertiram-se muito. A senhora dona Catarina Martins esganiçou-se a iluminar o país com “electricidade social” e Jerónimo de Sousa não lhe ficou atrás e borleou os livros do primeiro ano, os dos ricos e os dos pobres.
A verdade é que houve ideias boas: o apoio a desempregados de longa duração; e houve ideias mal pensadas: a decisão de borlas nos manuais escolares, com ou sem aplicação de condição de recursos, devia continuar a ser deixada aos municípios.
E houve ideias anedóticas: como a do desconto no IMI de vinte euros por filho. Como muito bem disse João Miranda, no blogue Blasfémias, se é para ajudar as famílias com uma verba fixa por filho, para quê ligar o complicómetro burocrático do IMI e não aumentar directamente o abono de família?
De qualquer forma, importa descansar o leitor: estas semanas de felicidade no parlamento não ficaram muito caras — deram um aumento de 158 milhões de euros na despesa e de 118,7 milhões na receita. Foram só 39,3 milhões de agravamento orçamental. Uma “ninharia” que serviu para dar algum aperto aos parafusos da geringonça.
2. Não se conhecem resultados escrutináveis das eleições internas do PS do último fim-de-semana.
Anunciam-se percentagens “norte-coreanas” à volta de 90% e mais nada. Não há números a nível concelhio, nem distrital, nem nacional. Esta opacidade é uma vergonha, sra. Adelaide Modesto**, sr. António Borges**, sr. António Costa.
----------------
** Já depois de fechada a edição do Jornal do Centro na quarta-feira, o PS-Viseu publicou os resultados eleitorais completos que podem e devem ser analisados aqui.
Vale mais tarde do que nunca.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Autárquicas de 2017*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
Falta um ano e meio para as eleições autárquicas. No concelho de Viseu, há já alguns ardores nos aparelhos do PS e do PSD; no CDS, que também tem um vereador eleito, nada de nada.
Entre os socialistas, para já, vê-se gente próxima da distrital segurista de Borges e Ginestal a bombardear a concelhia costista de Adelaide Modesto. É o primeiro milho dos pardais.
No PSD, as coisas estão bem mais avançadas: António Almeida Henriques já anunciou a sua recandidatura à câmara de Viseu e a eleição da nova concelhia laranja, em 28 de Maio, conta com dois candidatos — Joaquim Seixas e Pedro Osório.
Esta candidatura de Joaquim Seixas, vice-presidente da câmara, é desnecessária e é um erro.
É desnecessária já que o dr. Ruas está bem no parlamento europeu e não vai regressar. O próximo processo autárquico vai ser gerido à vontade por António Almeida Henriques que não precisava de pôr o seu fiel vice a controlar o partido, misturando um lugar eleito com um lugar partidário.
E é um erro porque o princípio que obrigou em 2013, e muito bem, o vereador Guilherme Almeida a abandonar a presidência da concelhia devia inibir agora a candidatura do vice-presidente da câmara à... exacta mesma concelhia.
Este primeiro mandato de António Almeida Henriques está a ser muito igual ao primeiro mandato de Fernando Ruas. Nos idos de 1990, Ruas passou os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Engrácia Carrilho. Agora, Henriques tem passado os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Fernando Ruas.
Este, que não começou com maioria absoluta, aproveitou para a alcançar no segundo mandato à custa do CDS. António Almeida Henriques vai também aproveitar o desapontamento do eleitorado do CDS.
É que, depois do absentismo e afonia do vereador Hélder Amaral, os centristas vão ter muitas dificuldades, mesmo que candidatem algum ex-membro das equipas do dr. Ruas.
Falta um ano e meio para as eleições autárquicas. No concelho de Viseu, há já alguns ardores nos aparelhos do PS e do PSD; no CDS, que também tem um vereador eleito, nada de nada.
Entre os socialistas, para já, vê-se gente próxima da distrital segurista de Borges e Ginestal a bombardear a concelhia costista de Adelaide Modesto. É o primeiro milho dos pardais.
No PSD, as coisas estão bem mais avançadas: António Almeida Henriques já anunciou a sua recandidatura à câmara de Viseu e a eleição da nova concelhia laranja, em 28 de Maio, conta com dois candidatos — Joaquim Seixas e Pedro Osório.
Esta candidatura de Joaquim Seixas, vice-presidente da câmara, é desnecessária e é um erro.
É desnecessária já que o dr. Ruas está bem no parlamento europeu e não vai regressar. O próximo processo autárquico vai ser gerido à vontade por António Almeida Henriques que não precisava de pôr o seu fiel vice a controlar o partido, misturando um lugar eleito com um lugar partidário.
E é um erro porque o princípio que obrigou em 2013, e muito bem, o vereador Guilherme Almeida a abandonar a presidência da concelhia devia inibir agora a candidatura do vice-presidente da câmara à... exacta mesma concelhia.
Este primeiro mandato de António Almeida Henriques está a ser muito igual ao primeiro mandato de Fernando Ruas. Nos idos de 1990, Ruas passou os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Engrácia Carrilho. Agora, Henriques tem passado os seus primeiros anos a demarcar-se da política do seu antecessor, Fernando Ruas.
Este, que não começou com maioria absoluta, aproveitou para a alcançar no segundo mandato à custa do CDS. António Almeida Henriques vai também aproveitar o desapontamento do eleitorado do CDS.
É que, depois do absentismo e afonia do vereador Hélder Amaral, os centristas vão ter muitas dificuldades, mesmo que candidatem algum ex-membro das equipas do dr. Ruas.
sábado, 30 de abril de 2016
Batalhas antigas
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Impaciência*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. O presidente da câmara de Castro Daire, o socialista Fernando Carneiro, acaba de afirmar que o #1 da Segurança Social no distrito, o social-democrata Telmo Antunes, “devia abandonar o cargo” por estar a pôr “em causa a imagem do organismo”. Razão da fúria: uma multa aplicada pela segurança social a uma IPSS de Mamouros por servir refeições a mais pessoas do que as autorizadas.
Por sua vez, a presidente da concelhia de Viseu do PS, Adelaide Modesto, em comunicado, perguntou directamente ao #1 do Centro Hospitalar Tondela-Viseu, Ermida Rebelo (PSD), “se se continua a sentir confortável no cargo que está a desempenhar”. Razão da fúria: um prazo queimado para a candidatura do hospital a “centro de referência” no tratamento de vários tipos de cancro abdominal.
O primeiro caso está resolvido: multa paga e a IPSS já pode servir todos os utentes. O segundo não está resolvido: houve 82 “centros de referência" aprovados e o de Viseu não o foi porque falhou o prazo (o feriado municipal de Viseu foi contado como nacional). Que S. Mateus interceda por nós no “processo de reapreciação” em curso.
2. Não surpreende nada que este par de casos tenha feito borbulhar a impaciência socialista. Telmo Antunes e Ermida Rebelo estão nos dois “lugares de nomeação” mais apetecíveis no distrito. Enquanto não os “despedem”, eles vão tentando passar entre os pingos da chuva sem se molharem muito.
Como a “geringonça” é só um acordo de incidência parlamentar que não dá lugares nem ao bloco nem ao PCP, estamos a assistir mais uma vez ao costumeiro “alterne” entre o PS e o PSD.
A doutrina sobre boys é fácil de enunciar: os lugares de nomeação política deviam estar listados em lei e deviam cessar automaticamente com a queda do governo nomeante.
Enquanto não houver essa lei, fica mal aos “nomeados” não porem sempre os seus lugares à disposição do ministro chegante.
1. O presidente da câmara de Castro Daire, o socialista Fernando Carneiro, acaba de afirmar que o #1 da Segurança Social no distrito, o social-democrata Telmo Antunes, “devia abandonar o cargo” por estar a pôr “em causa a imagem do organismo”. Razão da fúria: uma multa aplicada pela segurança social a uma IPSS de Mamouros por servir refeições a mais pessoas do que as autorizadas.
![]() |
| Adelaide Modesto |
O primeiro caso está resolvido: multa paga e a IPSS já pode servir todos os utentes. O segundo não está resolvido: houve 82 “centros de referência" aprovados e o de Viseu não o foi porque falhou o prazo (o feriado municipal de Viseu foi contado como nacional). Que S. Mateus interceda por nós no “processo de reapreciação” em curso.
2. Não surpreende nada que este par de casos tenha feito borbulhar a impaciência socialista. Telmo Antunes e Ermida Rebelo estão nos dois “lugares de nomeação” mais apetecíveis no distrito. Enquanto não os “despedem”, eles vão tentando passar entre os pingos da chuva sem se molharem muito.
Como a “geringonça” é só um acordo de incidência parlamentar que não dá lugares nem ao bloco nem ao PCP, estamos a assistir mais uma vez ao costumeiro “alterne” entre o PS e o PSD.
A doutrina sobre boys é fácil de enunciar: os lugares de nomeação política deviam estar listados em lei e deviam cessar automaticamente com a queda do governo nomeante.
Enquanto não houver essa lei, fica mal aos “nomeados” não porem sempre os seus lugares à disposição do ministro chegante.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
PS - Viseu*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 14 de Abril de 2006
1. Defendo o princípio republicano da renovação dos políticos. É decente defender-se que não deve haver lugares políticos vitalícios ou transmissíveis de pais para filhos ou para os protegidos ou para os que dizem sempre ámen e acartam a pasta do chefe.
É bom que haja renovação e essa só se consegue com leis que impeçam a perpetuação no poder dos mesmos. A lei de limitação de mandatos em vigor, que só se aplica a Presidentes de Câmara, é insuficiente. A limitação de mandatos devia começar pelo Parlamento, sítio político do país onde há mais dinossauros por metro quadrado.
2. José Junqueiro é Presidente da Federação de Viseu do PS há 14 anos e acaba de se candidatar a mais um mandato de dois anos. Penso que estar dezasseis anos ininterruptamente num lugar político é mau. Por isso, acho que José Junqueiro não se devia ter recandidatado.
Tenho estima por José Junqueiro e admiro a sua inteligência e capacidade de trabalho. Só que, como é natural e humano, ao fim deste tempo todo, José Junqueiro já não tem uma ideia nova para o distrito de Viseu. Percebe-se muito bem isso se lermos com atenção a sua Moção ao Congresso Distrital.
Era bom que o Congresso de Maio do PS-Viseu fosse algo mais que cumprir calendário, mas tal não é provável, infelizmente.
3. Daqui a dois anos, em 2008, embora possível estatutariamente, uma eventual “nova” candidatura de José Junqueiro à Federação Distrital do PS será um erro ainda maior que este.
Dois anos passam depressa é o que me resta dizer, para já, aos viseenses em geral e aos socialistas do distrito em particular.
1. Defendo o princípio republicano da renovação dos políticos. É decente defender-se que não deve haver lugares políticos vitalícios ou transmissíveis de pais para filhos ou para os protegidos ou para os que dizem sempre ámen e acartam a pasta do chefe.
É bom que haja renovação e essa só se consegue com leis que impeçam a perpetuação no poder dos mesmos. A lei de limitação de mandatos em vigor, que só se aplica a Presidentes de Câmara, é insuficiente. A limitação de mandatos devia começar pelo Parlamento, sítio político do país onde há mais dinossauros por metro quadrado.
2. José Junqueiro é Presidente da Federação de Viseu do PS há 14 anos e acaba de se candidatar a mais um mandato de dois anos. Penso que estar dezasseis anos ininterruptamente num lugar político é mau. Por isso, acho que José Junqueiro não se devia ter recandidatado.
Tenho estima por José Junqueiro e admiro a sua inteligência e capacidade de trabalho. Só que, como é natural e humano, ao fim deste tempo todo, José Junqueiro já não tem uma ideia nova para o distrito de Viseu. Percebe-se muito bem isso se lermos com atenção a sua Moção ao Congresso Distrital.
Era bom que o Congresso de Maio do PS-Viseu fosse algo mais que cumprir calendário, mas tal não é provável, infelizmente.
3. Daqui a dois anos, em 2008, embora possível estatutariamente, uma eventual “nova” candidatura de José Junqueiro à Federação Distrital do PS será um erro ainda maior que este.
Dois anos passam depressa é o que me resta dizer, para já, aos viseenses em geral e aos socialistas do distrito em particular.
sexta-feira, 11 de março de 2016
Procusto*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Procusto tinha em sua casa uma cama de ferro para receber viajantes. Essa cama era uma bitola: o hóspede tinha de ser do exacto tamanho da cama. Se ele fosse maior, Procusto serrava-lhe as pernas, se ele fosse mais pequeno, Procusto esticava-o.
Este mito grego representa a intolerância perante a diferença. É uma parábola sobre a igualitarização compulsiva de tudo. Não faz mal nenhum lembrá-lo agora quando começam a chegar a Portugal refugiados, a quem é decente ajudar e a quem não é decente “serrar” ou “esticar” para encaixar à força na nossa “cama” de valores.
Esta interdição é, evidentemente, metafórica e bi-direccional — nem nós a eles, nem eles a nós. Principal melindre: a condição da mulher. Não podemos ceder nos avanços conseguidos na igualdade entre homens e mulheres.
Foi com muito sofrimento, coragem e determinação que se conseguiu vencer, nestas matérias, a oposição do Vaticano e dos estados do Islão que sempre se aliaram nos fóruns internacionais. “Santa aliança”, assim lhe chamou, com desagrado e conhecimento de causa, o ex-presidente da assembleia geral da ONU, Diogo Freitas do Amaral.**
Chegados a este ponto, resta dizer: defendo uma lei da república que proíba o uso da burca no espaço público.
1. Procusto tinha em sua casa uma cama de ferro para receber viajantes. Essa cama era uma bitola: o hóspede tinha de ser do exacto tamanho da cama. Se ele fosse maior, Procusto serrava-lhe as pernas, se ele fosse mais pequeno, Procusto esticava-o.
Este mito grego representa a intolerância perante a diferença. É uma parábola sobre a igualitarização compulsiva de tudo. Não faz mal nenhum lembrá-lo agora quando começam a chegar a Portugal refugiados, a quem é decente ajudar e a quem não é decente “serrar” ou “esticar” para encaixar à força na nossa “cama” de valores.
Esta interdição é, evidentemente, metafórica e bi-direccional — nem nós a eles, nem eles a nós. Principal melindre: a condição da mulher. Não podemos ceder nos avanços conseguidos na igualdade entre homens e mulheres.
Foi com muito sofrimento, coragem e determinação que se conseguiu vencer, nestas matérias, a oposição do Vaticano e dos estados do Islão que sempre se aliaram nos fóruns internacionais. “Santa aliança”, assim lhe chamou, com desagrado e conhecimento de causa, o ex-presidente da assembleia geral da ONU, Diogo Freitas do Amaral.**
Chegados a este ponto, resta dizer: defendo uma lei da república que proíba o uso da burca no espaço público.
| Fotografia daqui |
E não, não acho que esta seja uma “lei de Procusto”.
Ela não “serra” nem “estica” ninguém.
![]() |
| Fotografia daqui |
Só não tolera o intolerável.
E vestuário para esconder o rosto é intolerável.
2. A reeleição de António Borges como líder distrital do PS teve resultados “norte-coreanos”: 94,71% no mapa distrital, 92% no site nacional do PS.
Como a informação do partido não bate certo e é opaca, resta-nos fazer perguntas. Quantos eram os militantes com capacidade eleitoral no país, nos distritos e nos concelhos? Qual foi a abstenção nacional, distrital e concelhia?
Como a informação do partido não bate certo e é opaca, resta-nos fazer perguntas. Quantos eram os militantes com capacidade eleitoral no país, nos distritos e nos concelhos? Qual foi a abstenção nacional, distrital e concelhia?
Aquele chapéu em Lamego a transbordar de votos em António Borges, com uns espantosos zero brancos e zero nulos, quer dizer que os socialistas lamecenses o querem como candidato à sua câmara em 2017?
** Edição do Jornal Público, 16.07.1999
** Edição do Jornal Público, 16.07.1999
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Presidenciais — 2011 e 2016*
* Texto publicado hoje no Jornal do Centro
1. Em 24 de Janeiro de 2011, no dia a seguir à segunda vitória de Cavaco, José Sócrates, muito bem-disposto, chamou Mário Soares a S. Bento:
«Ó Mário, acabámos com aquele &ß#Ω$§!»
«Eh pá, não gosto disso. Palavra que não gosto disso, não é bonito, não diga isso.»
«Eh pá, mas ele estava na merda, eu nunca o vi assim.»
«Pode ter estado, mas não se esqueça que o Alegre pode ter defeitos mas também tem os seus méritos.»
Mário Soares contou isto numa entrevista a Joaquim Vieira, autor da biografia “Mário Soares, Uma Vida”. Passaram cinco anos. Não precisamos da transcrição de nenhum diálogo entre António Costa e Carlos César ou Ana Catarina Mendes para intuirmos que o primeiro-ministro ficou muito contente com o colapso eleitoral de Maria de Belém.
Portanto: em duas presidenciais seguidas, tivemos dois secretários-gerais socialistas satisfeitos com o afundanço eleitoral de dois seus destacados militantes. Esta esquizofrenia do PS tem-lhe dado derrotas eleitorais nada “poucochinhas”, ora um pouco acima ora um pouco abaixo dos 30%. Nenhuma “geringonça” consegue esconder esta fragilidade política. E ética.
2. Marcelo Rebelo de Sousa ganhou à primeira volta. Sem surpresa. Estas eleições foram civilizadas, ao contrário das de há cinco anos.
Desta vez, até o voto anti-sistema foi para um candidato amável: Vitorino Silva. Tino de Rans ficou em sexto a nível nacional e foi quarto no distrito de Viseu. Em Cinfães e S. João da Pesqueira, o grande Tino arrebatou 8,5% e a medalha de bronze.
A votação de Sampaio da Nóvoa, tal como a de Fernando Nobre de há cinco anos, não vai servir para nada. Os resultados de Marisa Matias (muito bons) e Edgar Silva (péssimos), os outros candidatos da “geringonça”, também não acrescentam nada.
O emprego de António Costa nunca dependeu das presidenciais. Para já, ele depende, acima de tudo, da credibilidade que a “Europa” e os mercados vão dar à folha-de-cálculo de Mário Centeno.
1. Em 24 de Janeiro de 2011, no dia a seguir à segunda vitória de Cavaco, José Sócrates, muito bem-disposto, chamou Mário Soares a S. Bento:
«Ó Mário, acabámos com aquele &ß#Ω$§!»
«Eh pá, não gosto disso. Palavra que não gosto disso, não é bonito, não diga isso.»
«Eh pá, mas ele estava na merda, eu nunca o vi assim.»
«Pode ter estado, mas não se esqueça que o Alegre pode ter defeitos mas também tem os seus méritos.»
Mário Soares contou isto numa entrevista a Joaquim Vieira, autor da biografia “Mário Soares, Uma Vida”. Passaram cinco anos. Não precisamos da transcrição de nenhum diálogo entre António Costa e Carlos César ou Ana Catarina Mendes para intuirmos que o primeiro-ministro ficou muito contente com o colapso eleitoral de Maria de Belém.
Portanto: em duas presidenciais seguidas, tivemos dois secretários-gerais socialistas satisfeitos com o afundanço eleitoral de dois seus destacados militantes. Esta esquizofrenia do PS tem-lhe dado derrotas eleitorais nada “poucochinhas”, ora um pouco acima ora um pouco abaixo dos 30%. Nenhuma “geringonça” consegue esconder esta fragilidade política. E ética.
![]() |
| Fotografia daqui |
Desta vez, até o voto anti-sistema foi para um candidato amável: Vitorino Silva. Tino de Rans ficou em sexto a nível nacional e foi quarto no distrito de Viseu. Em Cinfães e S. João da Pesqueira, o grande Tino arrebatou 8,5% e a medalha de bronze.
A votação de Sampaio da Nóvoa, tal como a de Fernando Nobre de há cinco anos, não vai servir para nada. Os resultados de Marisa Matias (muito bons) e Edgar Silva (péssimos), os outros candidatos da “geringonça”, também não acrescentam nada.
O emprego de António Costa nunca dependeu das presidenciais. Para já, ele depende, acima de tudo, da credibilidade que a “Europa” e os mercados vão dar à folha-de-cálculo de Mário Centeno.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Telhados*
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 6 de Janeiro de 2006
1. Numa entrevista ao JN, publicada em 26 de Dezembro, Cavaco Silva, a propósito da deslocalização, disse que “(…) Podia existir um responsável do Governo que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma (…) deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa.” O jornalista perguntou-lhe então se ia propor a ideia ao governo. “Já o estou a propor aqui.” – respondeu Cavaco.
Embora bem intencionada, a ideia é má. Mais burocracia só iria atrapalhar o investimento estrangeiro. Mas uma ideia má, ou uma gaffe, toca a toda a gente. O que veio a seguir é que foi revelador.
2. No dia seguinte, à saída duma reunião com a ACAPO, Cavaco desdisse-se: “Eu não sugeri a criação de um secretário de Estado nem defendi a criação de nenhuma Secretaria de Estado.”
O Presidente da República é a válvula de escape da nossa democracia e é particularmente necessário em alturas de crise. Por isso, o Presidente da República deve ser um homem frontal e de coragem. Cavaco não o é. Ao primeiro tropeção, começa logo a meter os pés pelas mãos.
3. A candidatura do ministro Correia de Campos à Assembleia Municipal de Viseu foi um erro.
O PS local perdeu autonomia estratégica e tem que defender o governo, quer este se porte bem ou se porte mal com Viseu. O PSD ficou com a sua tarefa facilitada. O Dr. Ruas só precisa de sublinhar as clivagens, reais ou imaginárias, entre Lisboa e Viseu.
Para além do que fica dito, depois do que aconteceu na última Assembleia Municipal, pergunto: era mesmo necessário, às cabeças falantes do Grupo Parlamentar do PS, acartarem tanto vidro para os telhados?
4. Um bom 2006 para todos.
1. Numa entrevista ao JN, publicada em 26 de Dezembro, Cavaco Silva, a propósito da deslocalização, disse que “(…) Podia existir um responsável do Governo que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma (…) deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa.” O jornalista perguntou-lhe então se ia propor a ideia ao governo. “Já o estou a propor aqui.” – respondeu Cavaco.
Embora bem intencionada, a ideia é má. Mais burocracia só iria atrapalhar o investimento estrangeiro. Mas uma ideia má, ou uma gaffe, toca a toda a gente. O que veio a seguir é que foi revelador.
2. No dia seguinte, à saída duma reunião com a ACAPO, Cavaco desdisse-se: “Eu não sugeri a criação de um secretário de Estado nem defendi a criação de nenhuma Secretaria de Estado.”
O Presidente da República é a válvula de escape da nossa democracia e é particularmente necessário em alturas de crise. Por isso, o Presidente da República deve ser um homem frontal e de coragem. Cavaco não o é. Ao primeiro tropeção, começa logo a meter os pés pelas mãos.
3. A candidatura do ministro Correia de Campos à Assembleia Municipal de Viseu foi um erro.
O PS local perdeu autonomia estratégica e tem que defender o governo, quer este se porte bem ou se porte mal com Viseu. O PSD ficou com a sua tarefa facilitada. O Dr. Ruas só precisa de sublinhar as clivagens, reais ou imaginárias, entre Lisboa e Viseu.
Para além do que fica dito, depois do que aconteceu na última Assembleia Municipal, pergunto: era mesmo necessário, às cabeças falantes do Grupo Parlamentar do PS, acartarem tanto vidro para os telhados?
4. Um bom 2006 para todos.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
CCV *
* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 23 de Dezembro de 2005
1. Em 16 de Dezembro de 1955, foi feita a primeira sessão do Cine Clube de Viseu (CCV), com a projecção do filme “Passaporte para o Paraíso”.
Meio século depois, em 16.12.2005, no Teatro Viriato, foi a vez do filme de F. W. Murnau, “Aurora”.
“O mais belo filme do mundo”, disse, de “Aurora”, François Truffaut. A projecção foi acompanhada por um concerto da Orquestra Láudano, com uma partitura excelente, feita para este evento, pelo compositor Luís Pedro Madeira.
O ministro Augusto Santos Silva, que esteve presente, lembrou um verso da Ilíada, que fala do amarelo açafrão da aurora. Eu lembrei-me de Jim Morrison em “Uma Oração Americana” a cantar:
“Eu digo-vos que nenhuma recompensa eterna nos perdoará agora por desperdiçarmos a aurora.”
Aurora, hora mágica, hora em que o amor emerge da água, renascido.
Foi linda a festa dos 50 anos do Cine Clube de Viseu!
2. Nesta campanha eleitoral, Mário Soares tem corrido os riscos todos. Ele carrega aos ombros um PS aburguesado, já em perca no contacto e na compreensão do país, como se viu nas autárquicas de Outubro.
Mário Soares é um velho leão combativo e sábio. Só Soares tem feito a pedagogia dos poderes presidenciais e da democracia, explicando que um presidente não é um primeiro-ministro. Só Mário Soares pode travar Cavaco Silva.
Este tem cavalgado o populismo fácil do “nojo da política e dos partidos”. Cavaco varreu o PSD e o CDS para debaixo do tapete. Sem estados de alma, Cavaco vai querer sobrepor a sua “legitimidade presidencial” a qualquer outra.
Este eanismo serôdio, inscrito no código genético da candidatura de Cavaco, pode vir a ser uma má notícia para a direita portuguesa, especialmente para o PSD de Marques Mendes. É preciso lembrar o que Cavaco fez a Fernando Nogueira, em 1995?
1. Em 16 de Dezembro de 1955, foi feita a primeira sessão do Cine Clube de Viseu (CCV), com a projecção do filme “Passaporte para o Paraíso”.
Meio século depois, em 16.12.2005, no Teatro Viriato, foi a vez do filme de F. W. Murnau, “Aurora”.
“O mais belo filme do mundo”, disse, de “Aurora”, François Truffaut. A projecção foi acompanhada por um concerto da Orquestra Láudano, com uma partitura excelente, feita para este evento, pelo compositor Luís Pedro Madeira.
O ministro Augusto Santos Silva, que esteve presente, lembrou um verso da Ilíada, que fala do amarelo açafrão da aurora. Eu lembrei-me de Jim Morrison em “Uma Oração Americana” a cantar:
“Eu digo-vos que nenhuma recompensa eterna nos perdoará agora por desperdiçarmos a aurora.”
Aurora, hora mágica, hora em que o amor emerge da água, renascido.
Foi linda a festa dos 50 anos do Cine Clube de Viseu!
2. Nesta campanha eleitoral, Mário Soares tem corrido os riscos todos. Ele carrega aos ombros um PS aburguesado, já em perca no contacto e na compreensão do país, como se viu nas autárquicas de Outubro.
Mário Soares é um velho leão combativo e sábio. Só Soares tem feito a pedagogia dos poderes presidenciais e da democracia, explicando que um presidente não é um primeiro-ministro. Só Mário Soares pode travar Cavaco Silva.
Este tem cavalgado o populismo fácil do “nojo da política e dos partidos”. Cavaco varreu o PSD e o CDS para debaixo do tapete. Sem estados de alma, Cavaco vai querer sobrepor a sua “legitimidade presidencial” a qualquer outra.
Este eanismo serôdio, inscrito no código genético da candidatura de Cavaco, pode vir a ser uma má notícia para a direita portuguesa, especialmente para o PSD de Marques Mendes. É preciso lembrar o que Cavaco fez a Fernando Nogueira, em 1995?
Subscrever:
Mensagens (Atom)




















