sexta-feira, 23 de março de 2018

Silvicultura preventiva*

* Publicado hoje no Jornal do Centro

A barragem de Fagilde está cheia, a botar fora, o que dá algum sossego aos banhos dos viseenses. Há quedas de água em todas as encostas, o precioso líquido borbulha a bombordo e a estibordo das estradas nacionais e municipais. O Inverno tardou mas veio. Agora há que preparar o Verão.


Fotografia Olho de Gato

Foram desmatados muitos terrenos antes de 15 de Março. Respeitaram o prazo absurdo de uma má lei centralista, estúpida, que não sabe nem quer saber nada do mundo rural e que não tem em conta nem as diferenças regionais nem as condições meteorológicas. Além disso, obriga a limpar 50 metros em redor de casas, um exagero que impõe custos enormes a proprietários que não foram tidos nem achados sobre as construções junto dos seus terrenos.

Entretanto, os sarilhos atirados para as costas dos donos dos terrenos foram atirados também para cima das autarquias. Estas que poupem em festas e gastem em desmate, foi com esta mordidela que o ministro da agricultura sacudiu o capote governamental.

Infelizmente, muitas pessoas mal informadas e com medo das multas estão a cortar tudo a eito, o necessário e o desnecessário. O que faltou em informação competente sobrou em ameaças com a GNR. O ministro Cabrita transplantou para a administração interna a mesma incompetência com que dirigiu o dossier da regionalização em 1998, ou tutelou a pulsão censórica da CIG em 2016 e 2017.

Depois de tanta asneira, registe-se algo sensato: foi dado um novo prazo limite para as “operações de silvicultura preventiva” — 31 de Maio.

Espere-se que quem já fez o que lhe era exigido não vá ser obrigado, lá mais para a frente, a ter de pegar de novo nas roçadeiras por entretanto os fetos, as silvas e as giestas terem crescido outra vez.

Quem fez o que era exigido deve poder ir descansado às festas de Verão, tenham elas patrocínio municipal ou não. Ou poder ir tão descansado de férias como foi o governo no ano passado.

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