sexta-feira, 16 de junho de 2017

Promessa

Fotografia de Gorka Lejarcegi

ofereço-te esta tarde de desvento.
as flores agarradas aos ramos das árvores
e os ramos seguros à seiva do tempo.

o pátio lá fora num silêncio de sesta,
o gato que se estende sobre o calor das pedras
e a imobilidade mágica do sol que resta.

a luz que se aninha nos meus pés descalços,
o lençol; cada um dos eivos do seu vasto deserto
e os espelhos onde se desfazem medos falsos.

nuances de sombra azul que me habitam
um ou outro grito arrancado à carne
penas que compõem as asas ou as imitam.

Ofereço-te o que não pode perdurar:
o olhar líquido que inventa a tarde,
a insídia de um veneno que não arde,
a abstrata, vã, promessa de te amar.







2 comentários:

  1. Quanta honra. Grata.
    (Toda a gente sabe que os piratas são criaturas vaidosas)

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  2. Isso não sei, sei é que Cuca, a Pirata escreve bem.

    Este modesto estabelecimento tem, neste post e por causa disso, um momento alto.
    :-)

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