sexta-feira, 5 de maio de 2017

IMI e IRS*

* Publicado hoje no Jornal do Centro


Fotografia Olho de Gato
1. Enquanto escrevo estas linhas, a “lã” dos choupos vai voltejando sobre a cidade de Viseu, parecem flocos de neve ao sabor do vento e dos decibéis demenciais do desfile académico. Pena ainda não haver aroma das tílias para atenuar o cheiro da cerveja.

Enquanto os urbanitas euforizam debaixo do azul do céu, as vinhas do Dão imploram por chuva. À falta desta, a câmara de Viseu vai regar cinco quintas com tinta do Festival de Street Art. Apesar de não haver “streets” nas vinhas, espera-se que este festival seja melhor do que o do ano passado.

2. Este Abril não teve águas mil, mas teve IMIs mil. O fisco é implacável. Os cofres municipais batem recordes sucessivos de receita neste imposto imobiliário criado, em 2003, pela dra. Manuela e o dr. Ruas.

Nada nele mexe a favor dos proprietários. Até o “coeficiente de vetustez”, indicador objectivo da idade da construção, só mexe se houver requerimento do contribuinte. A Deco fez as contas: em três anos, nas oitocentas mil simulações feitas na sua página, os contribuintes pagaram IMI a mais no valor de €92 332 498,93.

3. Está também em curso a liquidação de IRS. Não esquecer: cada câmara pode devolver até 5% de IRS aos seus munícipes. Infelizmente, no distrito de Viseu, só três concelhos — Armamar, Mortágua e Resende — é que o fazem. É uma boa oportunidade para fazer as contas: se não for de nenhum daqueles três concelhos, veja quanto é a sua “coleta líquida” e calcule em quanto lhe fica o seu presidente da câmara.

O presidente da câmara de Viseu não prescinde de dar uma talhada valente no nosso IRS. Diz ele que “60% da população do concelho não seria beneficiária directa de uma redução do IRS” pelo que prefere fazer “uma distribuição democrática desse valor”.

Lá isso é verdade — António Almeida Henriques distribui “democraticamente” esse valor em eventos borliantes para minorias e... 
... em bazófias publicitárias.

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