sábado, 18 de fevereiro de 2017

O regresso

Fotografia de Nina Ai-Artyan


Como quem, vindo de países distantes fora de
si, chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.

Entra então pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.

Manuel António Pina






2 comentários:

  1. Manuel António Pina levou consigo a arte de bem pontuar o texto. Um escritor que nunca postergou essas regras sob o pressuposto expiatório da liberdade pontuativa no contexto literário, apenas para justificar uma ou outra vírgula menos bem colocada. Boa escola, Alex.

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    1. Sem dúvida, Alcídio, e escreveu tanto e tão bem Manuel António Pina.

      Um homem admirável.

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