quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Notícia acróstica

Fotografia de Jacek Poremba


Os quartos são feitos para regressar a eles
Depois de o tempo passar.
Pandemónio, vozes silenciosas apenas um instante
De choque. O sal queima,
O medo jaz como seda sob a luz do sol.
As sombras vivem para cegar a criança.
De agora em diante a casa nunca estará vazia;
Mesmo o hóspede exangue contará
Os amanheceres de chuva antes da sua partida.
Algures significa andar uma milha ou mais para Este.

Apesar do que se diz noutros lugares,
Um desesperado crepúsculo traz uma outra paz.
Veias mais longas,
Um anfitrião coxo,
Servem para cativar.
A alquimia acabou com o cobalto.
Hoje em dia os herejes são estrangulados.
Evidência: a compulsividade é o destino
E qualquer vento contra cheira a Deus.
Rio abaixo está o caminho; concordas? Aguenta.
Paul Bowles
Trad.: José Agostinho Baptista

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