domingo, 18 de dezembro de 2016

Fábula

Fotografia de Mikhael Subotzky

Gostaria que pudéssemos chamá-lo
um habitat
irrefreável
mas como? Se todo
habitat é
senão
as evidências de sangue
sobre o desenho seco
das pegadas
O tempo desaparecendo
em grandes sorvos as alamedas
perseguindo as escaras
          –— Nunca
          o espaço mas sim
          o momento pontiagudo
          onde toda topografia é húmida
          e encerra
          uma revoada de malícias
Te escrevo para contar:
linguagens
são os humores
de quando existe água
          (intempéries não são
          envenenamentos?)
Não há mais
escrituras
frestas para envelopes ou
alheamentos
          –— nenhum
          recinto
          onde se derramem
          as luzes do golfo as pedras
          do belvedere
Sob a superfície do sono
o arame farpado reclama
os rastros das paisagens a memória
de açúcares
tão extravagantes quanto os refúgios
Juliana Krapp


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