quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Área de serviço*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 22 de Dezembro de 2006     

Pôs-se a ver a iluminação de Natal de Viseu, mais pobre e sem a “árvore” do Adro da Sé que, no ano passado, servia de farol à cidade.

Fotografia Olho de Gato
Andava ele, mãos nos bolsos e orelhas geladas, na Rua Formosa, fria, virada para os ventos de Espanha, quando lhe veio à ideia um conto de Natal que tinha lido, há uns quatro ou cinco anos. Era um conto de Francisco José Viegas cuja acção se passava em Viseu.
     
Como toda a gente, ele guardava recortes de jornal. Papéis para depois. Para ler depois. Ou deitar fora. Quando chegou a casa, procurou o texto de Francisco José Viegas. Achou-o. Chamava-se “A Noite de Natal”. Pouco mais de uma página e meia.
     
A história passa-se na Área de Serviço da IP5, a 10 quilómetros de Viseu. É uma história de amor, de gente de carne e osso, gente de pouco dinheiro e poucas palavras. Um pouco mais que este pouco é o “combustível” daquela história de FJV que não se vai contar aqui, evidentemente…

     
No dia seguinte, ele pegou no carro e foi lá. O sol oblíquo de Dezembro iluminava a Área de Serviço. Passara o tempo dos muitos camiões a abastecer. Agora a Área de Serviço estava calma.** Adivinhava-se o rumor dos motores, mais a sul, na nova A25.
     
Quando regressou ao IP5, ligou os médios. Ainda era obrigatório ligar as luzes. Restos desnecessários da “tolerância zero” na que foi, e já não é, “estrada da morte”.
     
Fez a viagem a cismar. Agora cismava mais do que magicava. Estava a acabar um ano que, para ele, tinha sido sem magia. Ano mau. Entrou na cidade pela estrada do Sátão. Ao lado das torres da Sé, acima delas, a grua que se via não era uma árvore de Natal.
     
Pôs a tocar uma música chamada “Calling All Angels”. Alto. Muito alto.
     
«Para o ano vai ser melhor!», determinou ele…



** Esta área de serviço entretanto foi desactivada , demolida e  o acesso ao sítio foi vedado.

1 comentário:

  1. Calling All Angels

    Santa Maria, Santa Teresa, Santa Anna, Santa Susannah
    Santa Cecilia, Santa Copelia, Santa Domenica, Mary Angelica
    Frater Achad, Frater Pietro, Julianus, Petronilla
    Santa, Santos, Miroslaw, Vladimir
    and all the rest

    Oh, a man is placed upon the steps, a baby cries
    and high above you can hear
    the church bells start to ring
    and as the heaviness, oh the heaviness, the body settles in
    somewhere you can hear a mother sing

    then it's one foot then the other
    as you step out onto the road of hope
    step out on the road
    how much weight? how much?
    then it's how long? and how far?
    and how many times oh, before it's too late?

    calling all angels calling all angels
    walk me through this one
    don't leave me alone
    calling all angels calling all angels
    we're tryin' and we're hopin'
    but we're not sure how...

    ah, and every day you gaze upon the sunset
    with such love and intensity
    why it's ah, it's almost as
    if you could only crack the code
    then you'd finally understand what this all means

    ah, but if you could...do you think you would
    trade in all, all the pain and suffering?
    ah, but then you'd miss
    the beauty of the light upon this earth
    and the sweetness of the leaving

    calling all angels calling all angels
    walk me through this one
    don't leave me alone
    calling all angels calling all angels
    we're tryin' and we're hopin'
    but we're not sure...

    calling all angels calling all angels
    walk me through this one
    don't leave me alone
    calling all angels calling all angels
    we're tryin' we're hopin'
    we're hurtin' we're lovin'
    we're cryin' we're callin'
    cause we're not sure how this goes

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