sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Viseu, cidade das histórias *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. Há exactamente três anos, este jornal fez uma semana de pausa para reformulação, o que deixou um Olho de Gato só em edição electrónica. Para que haja também edição em papel, com algumas adaptações e tesourações, retomo agora esse texto que na altura foi escrito na forma de uma carta a António Almeida Henriques que tinha acabado de tomar posse.

2. Caro presidente da câmara municipal de Viseu:


António Almeida Henriques,
discurso de tomada de posse,
22 de Outubro de 2013
No seu discurso de tomada de posse disse que “Viseu reúne condições para ser um 'Destino de Eventos', uma 'Cidade de Estórias' e um pólo de actividades criativas e fixação de talentos.”
Sem dúvida: a cultura pode ser “um investimento e não um custo” e temos uma “espontânea geração de criadores, programadores e artistas aqui radicados”.

Contudo, saber/fazer/promover cultura como fazem os nossos agentes culturais não é o mesmo que ter uma política cultural, isto é: ter uma acção no espaço público e com recursos públicos capaz de promover o bem comum. Isso compete aos políticos eleitos.

Não podendo nem devendo um município assumir o papel de operador de gosto, ele deve, ainda assim, ter uma visão integradora, abrangente, desinibida e cosmopolita do que quer na cultura.

Numa iniciativa da campanha do PS das últimas autárquicas defendi que toda a actividade cultural do município devia ser pensada e integrada no lema “Viseu, cidade das histórias”.

Quando, no seu discurso, referiu “Cidade de Estórias” parecia apontar nessa direcção. Penso que esta ideia — “Viseu, cidade das histórias” — tem pernas para andar e pode ser uma nossa marca distintiva, tornando-nos conhecidos no país e no mundo, se as coisas forem feitas com profissionalismo, competência e talento.

Por duas razões: 
(i) porque é original, não conheço nenhum município com essa visão global para a sua oferta cultural; 
(ii) porque toda a gente, de todas as idades e condições sociais, gosta de histórias, e todas as actividades culturais contam histórias.

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