terça-feira, 14 de junho de 2016

Pastelaria

Gif daqui



Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Mário Cesariny


2 comentários:

  1. (…)
    Haverá paraíso
    sem perder o juízo e sem morrer?
    Haverá pára-raio
    Para o nosso desmaio
    No momento preciso?(..)
    “Paradeiro” - Marisa Monte

    Vem esta introdução a propósito do assunto CGD, do nojo CGD, em que nos estão a enfiar.
    Que sacanagem anda a “geringonça” a tramar?
    Depois de “excelentes” administrações que lideraram “excelentes” negócios, e com mais uns “brilhantes” gestores nomeados, agora só resta despedir os trabalhadores (sempre a culpa dos trabalhadores…,óbvio!).
    E o BE e o PC clamam (baixinho…) não pode ser e, siga para BINGO!

    Mas, como tenho mau feitio e o dia também não ajuda, recomendo a leitura do texto “O Mito do Contexto” em https://guinote.wordpress.com/.

    “O que é preocupante para mim é que o “contexto mental” dos dois PM (um destro, outro canhoto, politicamente, claro) é muito semelhante. Quando se lhes ocorre singularizar um grupo profissional para emigrar do país parece só lhes ocorrer o dos professores. É com a melhor das intenções? Sim, sim… e o Inferno e tal.”

    O contexto?

    Phosga-se, Pá, Desinfestem!

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  2. Este poema é genial, bom ser lembrado e relembrado, sempre.
    Tudo perfeito neste post, as usual.

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