domingo, 17 de janeiro de 2016

"Não é preciso inventar a roda…" — um texto de JB*

* Comentário de JB ao post de ontem "O corpo místico de Sampaio da Nóvoa":




(...)
I need a crowd of people, but I can't face them day to day
I need a crowd of people, but I can't face them day to day
Though my problems are meaningless, that don't make them go away
I need a crowd of people, but I can't face them day to day
(…)
Neil Young - On The Beach

Não é preciso inventar a roda… Ou estarmos diariamente a levantar as eternas questões: De onde viemos? Para onde vamos ? O que podemos fazer ? Que é o Homem?

Francisco de Goya, 1797
Os "programas" utópicos não se destinam essencialmente a tornar possível uma mudança efectiva da História. Servem sobretudo para criar a "ilusão" de que não existem obstáculos invencíveis à megalomania do desejo. Não é por acaso que nunca se sabe nem o lugar nem a hora da realização desses mundos irrigados pela paz e pela abundância.

O próprio "admirável mundo novo" (A. Huxley) tornou-se obsoleto. A irrestrita "vontade de poder" (Nietzsche) é o único dono da vida e da morte. Desistiu-se da interrogação kantiana: "O que é o homem?" O ser humano já não se considera a si próprio como um "fim". Tornou-se um puro "meio" pronto a sacrificar-se na tirania dos objectos que constrói.

«Sonho que sou um cavaleiro andante
Por desertos, por sóis, por noite escura.
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!»
Antero de Quental

Desculpem a rudeza: já dei para estes misticismos transcendentais, etc e tal…

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