quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cassete*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 20 de Janeiro de 2006


1. As eleições presidenciais têm sido muito interessantes. Há três perguntas cujas respostas têm que ficar para a noite eleitoral: (i) vai haver segunda volta?; (ii) quem vai ficar em segundo lugar, Soares ou Alegre?; (iii) quem vai ficar em quarto, Jerónimo ou Louçã?**

Não sei responder a nenhuma delas. Muitas pessoas decidem o seu sentido de voto muito tarde e - dizem os especialistas - há mesmo eleitores que só decidem quando já estão na cabine de voto.

A diferença de projecções é de tal amplitude que, não sei se algum Instituto de Sondagens vai ficar bem no retrato, mas sei que alguns vão ficar muito mal. Aconselho a consulta do blogue de Pedro Magalhães, http://margensdeerro.blogspot.com. Neste blogue faz-se serviço público, ao explicar as sondagens com rigor técnico e numa linguagem acessível.

2. Cavaco Silva fez uma campanha em que repetiu as mesmas ideias, com quase as mesmas palavras, terra a seguir a terra, discurso a seguir a discurso. Costuma-se dizer e aqui tem plena aplicação: Cavaco usou sempre a mesma “cassete”.

É uma sua característica pessoal: Cavaco não gosta de improvisar e não quer nunca ser surpreendido pelos acontecimentos.

Ora, se a vida a vir fosse toda adivinhável, perdia a graça. Nunca se pode prever tudo e tem que se estar preparado para problemas inesperados.

É aqui que Cavaco Silva falha. Basta haver um incidente fora do programado – como, por exemplo, uma pequena provocação de Santana Lopes - e Cavaco fica logo em stress, bloqueado, incapaz de achar uma saída. Perante o inesperado ou o difícil, Cavaco fica aflito e transmite aflição ao país.

3. Penso que Mário Soares é muito mais seguro em situações difíceis. Mas que penso isso já os leitores do Olho de Gato estão cheios de saber.


Daqui

** Conferir os resultados de todas as presidenciais de 1976 a 2011 aqui

1 comentário:

  1. Num texto de Presidentes e candidatos, recordemos "O melhor Presidente que nós não tivemos", escreveu ontem Sérgio Sousa Pinto.

    Almeida Santos,gostava de dizer, com sinceridade e graça: "Para os amigos, tudo. Para os inimigos, nada. Para os restantes, cumpra-se a lei."
    Ler:http://www.dn.pt/portugal/interior/o-melhor-presidente-da-republica-que-nos-nao-tivemos-4989095.html

    Respeito o seu passado de anti-fascista.
    Já em democracia nem sempre apreciei a sua postura de concordar e apoiar qualquer novo secretário geral que fosse eleito no PS.
    Reconheço a importância de ler (e reler) alguns dos seus textos densos, estruturados, dos tais "que nos fazem pensar".

    Fica a homenagem:
    (…)
    I watch a funeral in the rain.
    I watch a funeral in the rain.
    All the world, knows the girl.
    All the world, knows she's gone.
    She's gone...... She's gone....
    I'm walking, I keep on walking around the clock.
    They're watching, they keep talking let them talk.
    I loved her but now I've lost her, loves in vain.
    I watch a funeral in the rain.
    I watch a funeral in the rain.
    I watch a funeral in...... the rain.
    She's gone........She's gone.......She's gone........She's gone.

    Chris Isaak – “Funeral In The Rain”

    https://youtu.be/HiuuptHvl7o

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