quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CCV *

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente dez anos, em 23 de Dezembro de 2005



1. Em 16 de Dezembro de 1955, foi feita a primeira sessão do Cine Clube de Viseu (CCV), com a projecção do filme “Passaporte para o Paraíso”.


Meio século depois, em 16.12.2005, no Teatro Viriato, foi a vez do filme de F. W. Murnau, “Aurora”.

“O mais belo filme do mundo”, disse, de “Aurora”, François Truffaut. A projecção foi acompanhada por um concerto da Orquestra Láudano, com uma partitura excelente, feita para este evento, pelo compositor Luís Pedro Madeira.

O ministro Augusto Santos Silva, que esteve presente, lembrou um verso da Ilíada, que fala do amarelo açafrão da aurora. Eu lembrei-me de Jim Morrison em “Uma Oração Americana” a cantar: 
“Eu digo-vos que nenhuma recompensa eterna nos perdoará agora por desperdiçarmos a aurora.”

Aurora, hora mágica, hora em que o amor emerge da água, renascido.

Foi linda a festa dos 50 anos do Cine Clube de Viseu!

2. Nesta campanha eleitoral, Mário Soares tem corrido os riscos todos. Ele carrega aos ombros um PS aburguesado, já em perca no contacto e na compreensão do país, como se viu nas autárquicas de Outubro.

Mário Soares é um velho leão combativo e sábio. Só Soares tem feito a pedagogia dos poderes presidenciais e da democracia, explicando que um presidente não é um primeiro-ministro. Só Mário Soares pode travar Cavaco Silva.

Este tem cavalgado o populismo fácil do “nojo da política e dos partidos”. Cavaco varreu o PSD e o CDS para debaixo do tapete. Sem estados de alma, Cavaco vai querer sobrepor a sua “legitimidade presidencial” a qualquer outra.

Este eanismo serôdio, inscrito no código genético da candidatura de Cavaco, pode vir a ser uma má notícia para a direita portuguesa, especialmente para o PSD de Marques Mendes. É preciso lembrar o que Cavaco fez a Fernando Nogueira, em 1995?

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