sábado, 28 de novembro de 2015

Tempos de suspense — por JB*

* Comentário de JB ao texto de ontem "Zandinguices"


“Por acaso foi uma ideia minha” o título do “jornal” Correio da “Manha” de 26/11/15:
Costa chama cega e cigano para o Governo.

Mas se eu fosse o director do jornal o título deveria ser algo assim:
Título: TUDO INCLUÍDO.
Subtítulo: MONHÉ CHAMA AO GOVERNO UMA ESCARUMBA, UMA ZAROLHA E UM LEL.

Mas no dia seguinte (hoje) continuam os brandos costumes com Miguel Cadete, director-adjunto do Expresso, ao escrever sobre o novo Governo:
É multicultural! O líder, António Costa, tem ascendência goesa; a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, nasceu em Angola e é a primeira negra a ocupar um lugar num Governo de Portugal. Carlos Miguel, secretário de Estado das Autarquias, é filho de pai cigano: também ele o primeiro a chegar ao Governo de Portugal. Isto sucede mais de 41 anos depois do 25 de Abril. Se este Governo for realmente uma orquestra, pode ser de world-music. Mas não é, certamente a banda do eixo Cascais-Restelo.
Esqueceu-se da secretária de Estado cega... Ah, mas depois não encaixava na piada da orquestra da Mouraria e do eixo Cascais-Restelo.

Todos sabemos que este foi o passo mais fácil.
Todos sabemos que vai haver muito diálogo, conversa, debate, discussão, nos gabinetes da AR entre os quatro do entendimento.
Todos sabemos que, caso esta experiência não tenha sucesso (e as pressões internas e externas são diárias e serão diárias), nos esperam 40 anos de uma direita ressabiada e anti-tudo, rigorosamente tudo, o que cheire a Abril.
Todos sabemos que até dentro dos quatro não há unanimidade nesta solução; até no grupo parlamentar do PS está um “iluminado” chamado Ascenso Simões que já veio defender o fim da eleição universal do PR, que passaria a ser escolhido por um colégio eleitoral, qual Américo Tomáz…


Há divergências à esquerda? Claro, é por isso que são partidos díspares. Mas também existe convergência. E existem momentos históricos, como este, em que isso é o mais relevante. Mas pelo menos encerrou-se um ciclo de políticas equivocadas. Não tenho dúvidas que no novo ciclo haverá complicações, crises ou momentos de incompetência, mas depois de hoje o cenário político em Portugal não voltará a ser o mesmo. E isso é uma boa notícia. Cavaco acaba o reinado sem notoriedade e com a povo a desejar vê-lo pelas costas. É muito triste para uma pessoa que jurou cumprir a CONSTITUIÇÃO acabar assim!
Daqui
Todos sabemos que o último acto político relevante que ficou destinado a Cavaco, foi dar posse a um governo PS com apoio da esquerda parlamentar, curioso!
Curioso como tudo começou na diferença entre indicar e "indigitar"…!!!

Curioso como nessa personagem sempre faltou o ADN do contraditório; da síntese e antítese; do eu penso…; da herança grega que se aprendia nos liceus do pensamento filosófico pátrio.

E termino com uma citação do Prof. José Barata: Na minha terra, quando já não há mais para qualificar a falta de carácter, o narcisismo pimba, a convicção de que é chefe sem o ser, parolo, inculto, labrego, parvenue, pouco dotado, manholas, jogador vingativo e sei lá que mais... na minha terra essa pessoa é RELES.

Au revoir, HomusCavacum!

PS.: Os próximos tempos são de suspense? Claro, que sim.
Mas se este governo conseguir fazer uma mudança de paradigma, porque morreu o discurso das alternativas fechadas, e os defensores da TINA (There is no alternative) não voltarão a ter o ensejo de chorar lágrimas de crocodilo pela impossibilidade de convergências à esquerda para justificarem os seus indisfarçáveis apoios à direita.
Se Costa conseguir passar o primeiro ano (fim de Cavaco e início de…..?) teremos um governo de maioria parlamentar com a férrea vontade de se aguentar durante uma legislatura!

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