segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Com paixão e hipocondria

O ídolo, de Jean Cocteau
Fotografia de Lucien Clergue




Confortamo-nos com histórias laterais,
evitamos o toque, há risco de contágio;
por mais que preservemos a franqueza
passou o estágio já da frontal alegria:
estamos bem - entretanto admitimos não
saber, e enquanto resta isto indefinido,
mesmo com luvas, pinças de parafina,
não sondamos mais, sob pena de crescer
um quisto nesse incisivo sítio onde
achámos sem tacto que menos doía.
Margarida Vale de Gato






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