sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Pepperoni*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



1. As ideias para a segurança social (SS) da coligação PSD/CDS e do PS são ruins. Escrevi aqui há duas semanas que o que eles querem fazer às receitas da SS é uma irresponsabilidade. Vejamos o que se passa, com serenidade, já que a campanha é só ruído e nevoeiro.

Comecemos por um facto básico: ao contrário do que é dito e repetido até à náusea, a segurança social tem uma situação financeira equilibrada. Para além de um fundo de reserva de 11 mil milhões de euros, ela tem 14 mil milhões de receitas por ano e gasta 13 mil milhões em pensões; o saldo de mil milhões chega para as outras prestações.

Mas, estando a nossa segurança social equilibrada, qual é o problema? É verdade que o envelhecimento lhe põe alguma tensão no futuro, se não aumentar o emprego. Mas muito pior é o PSD/CDS e o PS quererem diminuir-lhe as receitas.

A coligação de direita propõe para os novos trabalhadores descontos obrigatórios até aos 2500 € e facultativos a partir daí. Como este plafonamento terá pouco impacto, já que ordenados de entrada com aqueles valores não serão muitos, não vou listar aqui os argumentos sólidos que há contra esta perniciosa ideia.

O PS quer fazer muito pior e quer fazê-lo já. Além de tencionar derreter na reabilitação urbana 10% do fundo de reserva da SS, o PS quer, em cima disso, reduzir até 4% a TSU de todos os trabalhadores.

É um rombo enorme nas receitas da SS. Esta aventura cria um buraco onde ele não existe. António Costa — que já percebeu que os seus “macro-economistas” meteram a pata na poça — fala agora em aumentar as portagens para tapar o buraco. Mais valia desistir do disparate.


2. O PS devia ser profilático, não perder tempo e dar já liberdade de voto aos seus militantes nas presidenciais, não apoiando ninguém.

É que corre o risco de, em Outubro, ter que escolher entre Henrique Neto, Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém e aquele político em campanha que gosta de pizzas com pepperoni.

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