terça-feira, 9 de junho de 2015

O outdoor de Lamego não foi mandado pôr por Santos Silva, foi uma "senhora de Lisboa"

Fotografia Jornal do Centro, que conta os detalhes do caso aqui


Para, como bem diz António Costa, "despoluir" a política, convém lembrar duas coisas básicas:

1 - José Sócrates tinha um padrão de vida muito alto e, para o conseguir manter, recebia do seu amigo Carlos Santos Silva, com regularidade, avultadas quantias em dinheiro vivo porque, como diz o seu advogado de defesa, o homem confia mais no seu motorista que no sistema bancário;

2 - José Sócrates não é um prisioneiro político, em democracia não há disso.

4 comentários:

  1. Não tenho nenhum incómodo em comentar o tema. Já aqui escrevi o que penso da pessoa e da política que levou a cabo. Sócrates tem défice democrático. Como toda a direita, aliás.

    Mas ele há coisas…. Sócrates encontra-se em prisão preventiva desde Novembro de 2014, já lá vão, portanto sete meses, sem que se vislumbre qualquer acusação. O inquérito, ao que parece, iniciado já há três anos, continua a marinar. Vão saindo pontas soltas (nos locais habituais) que acabam por que apenas poluir o ar espalhando um véu de culpabilidade no ex-primeiro ministro (ainda vão sugerir que o caso dos submarinos e os milhões que foram distribuídos pelo Ricardo Salgado foram parar às mãos de Sócrates…).

    Recolocar o caso Sócrates nas parangonas do espaço mediático é a manobra que a Direita está a levar a cabo para tentar colar, na opinião pública, a suposta culpabilidade do ex-primeiro ministro, com a governação socialista, de forma a reduzir as possibilidades do PS nas próximas legislativas. A Direita nada tem para oferecer ao País, nada a não ser uma agenda de medo, uma agenda de austeridade, uma agenda de pobreza.

    Mas é interessante constatar que impressionante enriquecimento de Marco António Costa, denunciado por alguém de dentro do PSD, não conhece desenlace digno de registo nem ocupa os microfones dos jornalistas. Os vistos Gold; a estranha situação de liberdade de Ricardo Salgado (sem pulseira?!); o caso BPN - de Oliveira e Costa e de Dias Loureiro, cujo processo, depois de ter sido constituído arguido há anos, continua em banho-maria, indo, provavelmente prescrever e submergir, tal como se de um submarino se tratasse. Tudo isto e muito mais, com a conivência de Cavaco que, pasme-se, ameaça já manter o Governo em funções, caso não surja uma maioria absoluta a apoiar um futuro governo.

    Sócrates pode ser culpado, mas deverá ser considerado inocente até ser julgado e condenado, tendo direito a defender-se de acordo com as regras do Estado de Direito. Politicamente nada me liga ao ideário de José Sócrates, mas como cidadão é legítimo estar sete meses em prisão preventiva?

    Como nota de humor: Teixeira dos Santos vai ser homenageado no 10 de junho por Cavaco. É a condecoração oficial da direita a quem lhe salvou o banco.
    Ao menos os “Mother of Invention” (do grande Frank Zappa) foram honestos e gravaram um LP de nome ”We're Only in It for the Money”!

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    1. Olá, JB
      Tudo tranquilo se ficarmos pelo básico:
      - o homem não é um preso político

      Pode ser que esta "eternidade" da prisão preventiva de um VIP altere estas regras disfuncionais do nosso estado de direito e que toca, ou pode tocar, a todos.

      O VIP em questão, quando teve poder, nunca fez nada para as alterar.

      Abraço

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  2. Completamente de acordo, Joaquim Alexandre.
    Já o escrevi aqui, há muito: não há presos políticos! E lamento (também já o escrevi aqui) toda esta agitação tipo “viagens de apoio”, “vigílias”, “bombos”, “visitas para colocar no facebook”, etc, em torno da pessoa em causa.

    Mas, quer ele se chame Sócrates ou Zé dos Anzóis a questão que coloco é ao nível dos direitos dos cidadãos: é correcto ter uma pessoa sete meses presa sem aduzir acusação? Quem achar isto normal, para o Sócrates ou para si próprio, que levante o braço. Nos EUA, o caso Madoff foi investigado, acusado, julgado e condenado em quanto tempo? Que me recorde seis meses!!!

    Daniel Oliveira, insuspeito de ser apoiante de Sócrates, coloca um texto no Expresso on line, que termina com a seguinte frase:” Não se prende para investigar, investiga-se para julgar”. É nesse ponto que eu coloco a discussão. “Há sempre uma justiça de classe!” - Diogo Velho.

    O outro pé da discussão, será o político. E sobre isso já aqui escrevi ontem. À direita interessa esticar este caso e se possível que as coisas “aqueçam” em Setembro. Disso não tenho dúvidas. (e estou-me nas tintas para o futuro político do Sócrates, esclareço pela enésima vez).
    Abraço.

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    1. Nem mais, JB

      Podia ir ver, agora, se este regime de "preventiva" foi criação de socratismo ou não. Mas isso, nesta fase, valeria apenas como um exercício arqueológico.

      O grande Teixeira da Mota apontou mesmo no centro do problema - pode ser que, agora, que há VIPs a sofrerem esta iniquidade, que a mesma seja resolvida, para VIPs e não VIPs.

      Abraço, JB

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