quarta-feira, 18 de março de 2015

Quando vier da minha terra que é no mundo

Fotografias de Lee Jeffries 

(clicar para ver maior)



Quando vier da minha terra que é no mundo
prá minha terra que é do coração,
usarei as minhas ferramentas
para arrasar vulcões estéreis
e conhecer os frutos que nos são negados.

Furos, nascentes, pás e picaretas,
agrónomos, hidráulicos, correcção, levadas,
estas serão as minhas ferramentas
para combater as secas prolongadas
e colher os frutos que nos são negados.

O resto, é história antiga: não interessa
senão para ilustrar a condição
que moveu os braços musculados
e aos filhos futuros nossos consentiu
colher os frutos que nos são negados.
Ruy Cinatti


1 comentário:

  1. Aqui vai um contributo para um tema tão lindo e fraterno.


    A aldeia deve ser global

    Que desejo antigo, este, mas, diga-se, tão desactualizado:
    “que os filhos morram na mesma terra dos pais”.
    Porque os filhos agora, nestes tempos modernos, saem de casa e do país bem cedo,
    E em pouco tempo metem os dois pés em terra
    que não conheceu esses mesmos pés quando pequenos.
    Que as últimas palavras dos filhos sejam ditas
    na língua que os pais falavam; só isso já seria bom;
    que não se peça e que não se espere de mais.
    Mas sim: por vezes o pai vem de um lado do mundo
    e a mãe do lado oposto – de onde são os filhos
    se assim for? E que língua não devem eles esquecer?

    Gonçalo M. Tavares (2014:28). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.

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