domingo, 28 de dezembro de 2014

Teatro rodoviário, parte 2 — comentário de JB *

* Comentário de JB ao post de ontem "Teatro rodoviário"


No fim de ler o post com o título “Teatro rodoviário”, lembrei-me do saudoso programa da Emissora Nacional – “Teatro das Comédias”. Estávamos nos inícios dos anos sessenta e a melhor forma de terminar um domingo (noite) era escutar/imaginar/viajar pelas peças de que Gil Vicente, Molière, Shakespeare, Goldoni e outros. Grandes actores, magníficas dicções e um sorriso gaiteiro e juvenil a escutar a rádio.

No fim de ler o excelente texto do sr. Gato, também não pude deixar de fazer um sorriso, agora já gasto pelo tempo e muito descrente com os actores.


Fotografia Olho de Gato
E nas preocupações do sr. Gato há uma que já está com uma gataria a lamber os beiços: o IP3 vai ser destruído, no todo ou em parte, para lhe fazerem uma auto-estrada portajada em cima. Trigo limpo, Farinha Amparo, como era costume dizer-se. Não tenho fé em nenhuma outra alternativa. Que o tempo se encarregue de me mostrar que estou errado…

Mudam os actores principais mas as ideias são sempre as básicas!

Todas as questões colocadas pelo sr. Gato são um programa político e para uma capital de distrito que deveria auto questionar-se: e agora que caminho tomo? Passados os anos do betão e do cimento, que coordenada devo seguir? Certamente que por omissão minha não tenho estado atento aos inúmeros encontros, debates, sessões, em que esta questão tenha sido estudada e discutida, mas como cidadão ainda não visualizei os efeitos dessas miríficas propostas.

O texto do sr. Gato traduz a sua bondade e inabaláveis convicções na expectativa de um debate e construção de alternativas. Mas, não o posso acompanhar nas suas esperanças, 'limito-me' a acompanhar na decisão de não me vergar. Francamente, já nem tenho grande vontade de ficar muito tempo para assistir à abjecção para onde se caminha, com a cumplicidade ou desejo da maioria das pessoas dirigentes do centrão local.

Já não encontro explicação política para o comportamento mais ou menos generalizado e globalizado da degradação continuada. Perfilho - sou obrigado a fazê-lo - a tese grega das idades em declínio. Já não me servem explicações sobre a alienação, porque os que o são fazem-no por opção. Isto já nem à luz da sociologia, só da antropologia da "involução desta espécie"!

Termino citando o sr. Gato: “Quando chegar o momento, a haver alguma crispação entre as distritais do centrão será unicamente sobre tachos, perdão!, sobre lugares de nomeação política.”

E ainda, mesmo a acabar: "isto vai! isto avança! [...] as pessoas... são burras!" (Beckett, 'Endgame').

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