segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Os dias declinando

Fotografia de Erwin Olaf



Tudo o que um dia te foi belo e amplo e prometedor
reúne-o e faz dele forragem e um telhado
para os teus dias inglórios de colmo

porque não haverá um dia um único
que não te aponte as graves falhas do que és
com a lanterna do esplêndido assomo do que foras.

Eu sei-o. Vou olhando-os fixamente nos olhos,
mosca aprisionada na cozedura da teia,
como repentino encontro com um velho conhecido
que julgara não se haver perdido de vista.
Daniel Jonas

1 comentário:

  1. Belo poema e a ilusão da redoma de que os bons tempos foram os tempos do passado.
    Mas a realidade é cruel e já os romanos diziam "Acta Est Fabula" - a peça está representada. Quando o bilhete identidade não perdoa é grato recordar Sophia de Mello Breyner - "No ponto onde o silêncio e a solidão / Se cruzam com a noite e com o frio, / Esperei como quem espera em vão, / Tão nítido e preciso era o vazio.", que traduz bem esse vazio nostálgica...da eterna juventude.
    Mas, amigo Gato, logo encontramos "no virar da esquina" quem nos acorde destes pensamentos imperfeitos e toscos.
    Rui Tavares na sua crónica (jornal Publico) ajuda a carregar a esperança. Num texto intitulado "O fim não está próximo", termina com um desejo: "o começo está próximo e tu és indispensável".
    Ok, 2015... vamos lá a mais um esforço!

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