sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

as pessoas morrem nunca partem de nós

Fotografia de Chadwick Tyler

as pessoas morrem nunca partem de nós, eu separei-te
de mim, cortei-te-me. em cinemas imaginários filmados por
mãos iluminadas usei teu corpo. coloquei o deserto do teu
coração rente à minha boca. lavaram-me o desespero as
lágrimas que choravas no escuro. parti-te.
estou a fazer-te luto. desejei-te tanto. discuti-te tanto
contigo. agora percebo que te atirei demais contra tantos
poemas. agora encontramo-nos. eu tenho de colar-te os restos
para conseguir ver-te para além do que trago molhado nos
olhos, acabou o passeio no meu jardim interior, pleno de
estátuas quebradas, as noites acabo sempre assim, abraçado ao
rosto restos da pedra, agradecendo-lhe as imagens.
Pedro Sena-Lino


Sem comentários:

Enviar um comentário