terça-feira, 11 de novembro de 2014

Concerto dos Tindersticks

Fotografia de Paul Almásy



Impossível dizer até que ponto
a rapidez de tudo
atinge as paisagens na sua certeza
o significado dos instintos
desde muito cedo
os modos de travessia, os receios
imagens em que não pensamos

pela noite tua voz descreve
isso de nós que não tem defesa
um amor
largado às sombras, irreconhecível
até de perto

dizem que se tratou de
derivas, ingenuidades, ilusões
o teu amor é um nome qualquer
que parte
José Tolentino Mendonça


2 comentários:

  1. Não sei porquê mas este post é nostálgico….

    Os Tinderstick fazem parte daquele pequeno grupo “religioso” que está sempre presente em qualquer selecção de música que faça para trabalhar, viajar ou fazer companhia.

    Este post é nostálgico porque me faz recuar ao tempo em que eu ouvia rádio. Ao tempo em que “pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir” era um lema de descoberta de novos sons e de puro prazer no “Marlboro Country”….

    Há muito que deixei de acreditar na “Terra da Rádio e condenado a errar eternamente pelas ondas sonoras, ansiando por um posto mágico que o devolvesse à sua herança há muito perdida." (Sam Shepard). Raramente me sintonizo e quando o faço é quase sempre na Antena 2.

    O silêncio retemperador, reequilibrador, está banido da rádio. Não faz parte. É olhado com desconfiança. É visto como aberração. A música instrumental não tem lugar na rádio. O espectro está saturado de vozes de vociferam e dizem graçolas, de playlists, de rádios automatizadas sem coração (nem alma!), da rádio interactiva (horas de suposta democracia popular). A rádio portuguesa é quase toda igual. Mesmo a TSF (virada para a produção de informação) baixou muito o nível de preenchimento musical.

    Tudo afasta quem procura novos sons e só ficam as memórias de programas da RÁDIO, como “Morrison Hotel” de Rui Morrisson; “Íntima Fracção” de Francisco Amaral; “Em Órbita” de João David Nunes, Jorge Gil e Pedro Soares Albergaria e onde também colaborou o Cândido Mota; os programas do José Nuno Martins; o programa "Página Um" na Rádio Renascença, com o indicativo dessa (fantástica) música “Page One” do grupo portuense Pop Five Music Incorporated; e a constante pergunta - o que é feito de nomes como José Manuel Nunes; Luís Paixão Martins; Ana Luz; Amílcar Fidélis; Ana Maria Delgado; Mafalda Lopes da Costa; Rui Neves (uma enciclopédia); António Curvelo (um senhor do jazz); Adelino Gonçalves (e a música de discoteca); António Macedo (Gitanes, for ever…)…..??

    E onde anda a fantástica Sílvia Alves autora do saudoso “Sete Mares” na Antena1, na segunda metade dos anos 80. O indicativo do programa era o tema instrumental "Saudade" dos Love And Rockets, que nos deu a conhecer tantos e tantos bons sons, como os Tinderstick? Resta ainda a Inês Meneses na Radar FM, para nossa sorte.

    No fim, o grande e eterno António Sérgio! Tantas horas de boa companhia…

    Take care.
    Stay tuned!

    E SEMPRE ,como lema a frase do Neil Young: “Keep on Rockin In The Free World !”




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    Respostas
    1. Olá, JB!

      — Este post é nostálgico

      — O teu comentário — que vai dar um post — é nostálgico

      — A rádio de notícias, tipo TSF, tornou-se uma histeria mentirosa

      — Rádio de playlists e robots graçólicos pfffff

      — A antena 2, que ainda é a que me acompanha em viagem, já teve melhores dias

      Nostalgia e vou tentar achar a Inês Meneses e a Radar FM

      Grande abraço

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