domingo, 2 de novembro de 2014

Cinco poemas para a noite invariável (IV)

Fotografia de Milan Borovička



IV

Gasto-me à espera da noite
impraticável

fiel
sugo os lábios da noite

invariável caio
nos poços da noite

Gasto-me à espera da noite alheia
amassada de gargalhadas doces e areia

Amor anoitecido vem
tecer-me um vestido
nocturno

Atraiçoo os anúncios luminosos
até a lua nova sabe a ausente
— e eu anavalhei-te com naifas de ansiedade —

Estou à espera da noite contigo
venham as pontes ruindo sob os barcos
venham em rodas de sol
os montes os túneis e deus

estou à espera da noite contigo
livre de amor e de ódio
livre
sem o cordão umbilical da morte
livre da morte

estou
à espera
da noite
Luiza Neto Jorge


Sem comentários:

Enviar um comentário