sábado, 18 de outubro de 2014

«Quando gravas o momento gravas a morte do momento» [3'00]


A seguir a eXistenZ, David Cronenberg 
fez esta reflexão sobre a morte — CAMERA (2000)*




"Todos os jovens fotógrafos que se agitam no mundo, dedicando-se à captação da actualidade, não sabem que são agentes da Morte. É o modo como o nosso tempo assume a Morte: sob o alibi denegador do terrivelmente vivo, de que o fotógrafo é, de certa forma, o profissional. Porque, historicamente, a Fotografia deve ter alguma relação com a «crise da Morte», que começa na segunda metade do século XIX (...)

Porque, numa sociedade, a Morte tem de estar em qualquer lado, se ela já não está (ou está menos) no religioso, deve estar em qualquer outra parte. Talvez nessa imagem que produz a Morte, pretendendo conservar a vida. Contemporânea do recuo dos ritos, a Fotografia corresponderia talvez à intrusão, na nossa sociedade moderna, de uma Morte assimbólica, fora da religião, fora do ritual, uma espécie de mergulho brusco na Morte literal."
in A Câmara Clara,
de Roland Barthes


* Esta curta foi achada no Aventar

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