quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cinco poemas para a noite invariável (I)

Fotografia de Chadwick Tyler


I

Posso estar aqui

eu posso estar aqui perfeitamente pobre

um círio me acendi espora aguda

o vento ritmo negro assassinou-o

posso estar aqui

- o musgo é lento como a sombra -

e sei de cor a voz cega das canções

(viola de silêncio acorda-me)

que eu posso estar aqui perfeitamente pedra

insone

e um longo segredo impessoal

bordando a minha solidão
Luiza Neto Jorge


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