quarta-feira, 9 de julho de 2014

Padeira de Aljubarrota

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 9 de Julho de 2010

1. No caso PT/Telefónica todos os políticos fizeram de “padeira de Aljubarrota”, de Portas a Louçã, passando por Cavaco. Até o “liberal” Passos Coelho tartamudeou um “nim” a medo.

Mas afaste-se a espuma política e olhe-se para o assunto.

Fotografia daqui
Zeinal Bava não se cansou de dizer: o mercado brasileiro representa 72% dos clientes da PT, 45% das suas receitas e 40% dos lucros. Ora, como explica o blogue The Portuguese Economy, esses números querem dizer duas coisas:
i) são os clientes domésticos da PT (28%) que geram 55% das receitas e 60% dos lucros da empresa;
ii) são, portanto, os clientes portugueses que estão a financiar a expansão da PT no Brasil.

Para os clientes da PT não era mau que os espanhóis levassem a Vivo. Podiam levar até o sr. Rui Pedro Soares de brinde.

É o filme do costume: o estado exerce o seu direito de pernada na PT. Isso dá prazer aos boys. Mas só a eles.

2. Segundo os jornais, o PS e o PSD andam a congeminar uma política de “discriminação positiva” para as SCUT. Uma “discriminação positiva” que, evidentemente, depois há-de ser anulada no PEC de 2013 ou de 2014. Para já, entretém as tropas.

Depois de terem andado a dormir e terem deixado passar os “chispes das matrículas” e os pórticos de portagens electrónicas, os políticos locais engoliram também este anzol. Até já fazem conferências de imprensa a dizer que “a minha ‘discriminação positiva’ é melhor que a tua”.

Ora tudo isto é um engodo e - muito pior – é um insulto. Nós não somos índios nem devemos deixar que nos tratem como tal. O que pagar um minhoto, ou um alentejano, ou um espanhol deve ser o que nós pagamos.

Para começo de conversa, devia ser dito com firmeza ao governo: só aceitamos portagens na A25 quando nos devolverem o IP5, a excelente alternativa que a A25 nos tirou.

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