quarta-feira, 25 de junho de 2014

Ao menos isso *

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 25 de Junho de 2010


1. Era o dia 27 de Junho de 1960. Passavam poucos minutos das sete da tarde quando, na estação de Amara em San Sebastian, se ouviu um grande estrondo e uma língua de fogo atingiu Begoña Urroz Ibarrola, uma menina de 22 meses.

No próximo domingo o primeiro atentado da ETA faz 50 anos e chora-se a sua primeira vítima - uma menina de 22 meses.

Em Setembro de 2000, o ex-ministro de Felipe Gonzalez, Ernest Luch, chamou ao assassínio da pequena Begoña: “indigno inicio en el pecado original de ETA”. Menos de dois meses depois, um comando etarra matou-o na garagem da sua casa em Barcelona.
A ETA - sabe-se agora - tem bases em Portugal.

2. Tivemos três aumentos de impostos em oito anos: em 2002, 2005 e 2010. Quem ainda tem trabalho já vai ver este mês o seu salário amputado. Em Julho aumenta o IVA.

Como se sabe, aumentar impostos é deprimir a economia. Estes sucessivos massacres fiscais fizeram de Portugal o caranguejo dos rankings da “Europa”. Até Malta já nos apanhou e vai-nos ultrapassar.

E dinheiro tem havido. Diz um relatório da UE sobre o impacto dos fundos comunitários na última década: "Portugal foi o país que mais verbas recebeu em peso no PIB e mais beneficiou desses fundos. Mas foi o país que menos cresceu e onde as disparidades regionais aumentaram mais."

Portugal acaba de dar sete a zero à Coreia do Norte. As pessoas estão felizes. Receio que esta felicidade seja de pouca dura.
É que um povo feliz é aquele que tem um governo pequeno e moderado nos impostos. E nós não temos tido nem uma coisa nem outra.


Cavalhada de Vildemoinhos, 2008

Fotografia Olho de Gato
3. Nesta altura do ano de dias grandes e luminosos e de noites pequenas e dionisíacas, em Viseu admira-se a força da gente de Vildemoinhos e aspira-se o aroma das tílias do Rossio.

Isso é bom e isso - ao menos isso - ainda não paga imposto.

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