sexta-feira, 2 de maio de 2014

Carpe Diem

Fotografia de Annie Leibovitz


Que faço deste dia, que me adora?
Pegá-lo pela cauda, antes da hora
Vermelha de furtar-se ao meu festim?
Ou colocá-lo em música, em palavra,
Ou gravá-lo na pedra, que o sol lavra?
Força é guardá-lo em mim, que um dia assim
Tremenda noite deixa se ela ao leito
Da noite precedente o leva, feito
Escravo dessa fêmea a quem fugira
Por mim, por minha voz e minha lira.

          (Mas já de sombras vejo que se cobre
          Tão surdo ao sonho de ficar — tão nobre.
          Já nele a luz da lua — a morte — mora,
          De traição foi feito: vai-se embora.)
Mário Faustino



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