domingo, 27 de abril de 2014

Nada me faz contente

Fotografia de Andreas Heumann



Os jogos dos pastores,
as lutas entre a rama,
nada me faz contente;
e sou já do que fui tão diferente
que, quando por meu nome alguém me chama,
pasmo, quando conheço
que inda comigo mesmo me pareço.
Luís Vaz de Camões


2 comentários:

  1. Vejo que nem um Breve Engano Posso TerQuando de minhas mágoas a comprida
    Maginação os olhos me adormece,
    Em sonhos aquela alma me aparece,
    Que para mi foi sonho nesta vida.

    Lá numa soidade, onde estendida
    A vista por o campo desfalece,
    Corro após ela; e ela então parece
    Que mais de mi se alonga, compelida.

    Brado: − Não me fujais, sombra benina. −
    Ela (os olhos em mi c'um brando pejo,
    Como quem diz que já não pode ser)

    Torna a fugir-me; torno a bradar: − Dina...
    E antes que diga mene, acordo, e vejo
    Que nem um breve engano posso ter.

    Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

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