domingo, 30 de junho de 2013

We'll go no more a-roving

Fotografia de Ricardo Rangel


So, we'll go no more a-roving
          So late into the night,
Though the heart be still as loving,
          And the moon be still as bright.

For the sword outwears its sheath,
          And the soul wears out the breast,
And the heart must pause to breathe,
          And love itself have rest.

Though the night was made for loving,
          And the day returns too soon,
Yet we'll go no more a-roving
          By the light of the moon.
Lord Byron

sábado, 29 de junho de 2013

Ilustrísssimo Pedro Alves, faz bem em preocupar-se com a estabilidade da mobilidade dos profs

Como sabe, sou um seu leitor atento.

O terceiro parágrafo da sua última excelente análise que publicou em pelo menos dois órgãos de comunicação social locais (li-a no Diário de Viseu e no Viseu Mais) é particularmente estimulante:

«Todos sabemos que ser professor é já por si uma profissão itinerante, provavelmente a mais itinerante das funções sociais do estado. Que o digam os professores dos quadros de zona pedagógica que nunca conheceram outra condição que não a da mobilidade. Ou mesmo os contratados que certamente reclamam a estabilidade que a mobilidade possa conferir. »


Vamos por partes:

1. «Todos sabemos que ser professor é já por si uma profissão itinerante, provavelmente a mais itinerante das funções sociais do estado.»

O ilustríssimo deputado Pedro Alves segue, e segue muito bem, a doutrina Ricardo Araújo Pereira que considera que bons profs são profs nómadas, ciganos, perdão, de etnia cigana (o politicamente correcto poupa em tudo menos nas palavras, como sabe). 

2. «Que o digam os professores dos quadros de zona pedagógica que nunca conheceram outra condição que não a da mobilidade.»

Ora aí está a doutrina Ricardo Araújo Pereira no seu esplendor: como os profs são nómadas, são ciganos, perdão, são de etnia cigana, como eles nunca conheceram outra condição que não a de nómadas, de ciganos, perdão, da etnia cigana, então eles que arranjem umas Ford Transits, ele há feiras, perdão, ele há escolas separadas por centenas de quilómetros, há que meter o corpo à estrada e tratar de ganhar a vida.

3. «Ou mesmo os contratados que certamente reclamam a estabilidade que a mobilidade possa conferir.»

Devo-lhe dizer que adoro este seu raciocínio, caríssimo e ilustríssimo Pedro Alves, "a estabilidade que a mobilidade possa conferir", e devo-lhe confessar que na primeira leitura, decerto por minha insuficiência, não percebi na sua exacta plenitude onde queria chegar com  este: "a estabilidade que a mobilidade possa conferir". 

À terceira leitura, finalmente, percebi-o, meu caro. 

O algoritmo mental que o ilustríssimo Pedro Alves executa com este seu "a estabilidade que a mobilidade possa conferir" é sofisticado: é um raciocínio pneumático.

O que o ilustríssimo Pedro Alves quer dizer é que a "estabilidade" na "mobilidade" só se obtém com uns bons pneus. 

Esteja descansado, meu caro: os profs arranjam uns bons pneus — daqueles que tanto agarram em piso seco como em piso molhado — quando receberem o subsídio de férias. Lá mais para o Natal.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Em período de revolução por exemplo

Fotografias de March-Raya


Acabava de mandar vir um prato de peixe ao balcão
quando três belas pessoas
completamente fodidas entraram
não sei como nem porquê
pensei que deviam ser
fodidas excepto
que eram muito lindas
dois homens e uma mulher
com belos cabelos louros
bem arranjados e
com vestes de desporto
como se viessem de descer
duma velha Stutz
descapotável
aberta com raquetas de ténis
e a mulher avançou a enormes passos
até ao fundo do restaurante
encontrou uma mesa vazia
e voltou
para buscar os outros dois
acenando
com elegância
sorrindo imperceptivelmente
e todos os três
avançaram lentamente para a mesa
como se não tivessem medo
de nada nem de ninguém
naquele lugar e
tomaram posse do sítio
com lindas expressões e
a lindíssima mulher
instalou-se com graça
no sofá ao lado
do mais novo dos dois homens
ambos tinham
cabelos castanhos ondulados não muito longos
cortados como os campeões
de ténis de Hollywood ou em todo o caso
como visitantes duma outra cidade
mais elegante que a nossa e
de toda a evidência gente de bem
e mais educados que qualquer outro
nesse lugar
eles pareciam pertencer aos Kennedys
e não tinham neles uma gota de sangue
Índio ou Italiano
ela tinha sem dúvida
vários caminhos em sua frente
com seus dois homens
um deles podia ser
seu irmão
não o podia imaginar levando
uma carabina
e ela não parava de esfregar os cabelos
com tanta graça
tirando-os da frente dos olhos e
sorrindo a ambos
e a nada em particular
que pudesse imaginar e
seus lábios mexiam-se com graça
num suave sorriso
eu tentava imaginar o que
ela podia estar a dizer com
seus lábios perfeitos sobre
seus dentes perfeitamente brancos
seus olhos que caíam de vez em quando
sobre o balcao onde
gente ordinária estava sentada
comendo tranquilamente
seu ordinário almoço
enquanto as três belas criaturas que
se podiam encontrar não importa onde
pareciam prontas a mandar vir
qualquer coisa de especial e
de o comer com gelados e cigarros e
meu peixe acabou de chegar
com aspecto mal descongelado e
completamente plastificado mas
decidi comê-lo mesmo assim
Ela era uma criatura magnífica e eu
senti-me como Charlie Chaplin comendo seu sapato
quando seus olhos pousaram sobre mim
o Modern Jazz Quartet
tocava nos altifalantes e
noutras circunstâncias
em período de revolução por exemplo
talvez ela me beijasse.
Lawrence Ferlinghetti


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Paulo Luz Trio — Concerto de encerramento de "Quintas ao Jazz" no Lugar do Capitão







Metodologia

Fotografia de Ken Hermann

Convoco os duendes da inquietação
e da alegria, urdindo um laborioso
rito circular, delicada teia iridiscente
de que, relutante, a luz se vá
pouco a pouco enamorando.

Palavras não as profiro
sem que antes as tenha encantado
de vagarosa ternura; mal esboçados,
gestos ou afagos, apenas me afloram
a hesitante extremidade dos dedos

que, aquáticos e transidos, estacam
no limiar surpreso do seu rosto.
Movimentos longos da tarde
e sussurros graves da noite
que tendessem para a imobilidade

e o silêncio, não seriam mais cautos
e aéreos. Quietas estátuas de cristal,
intensamente nos fitamos, enquanto
trémula, lenta e comburente,
a luz mais pura nos atravessa.
Rui Knopfli



José Junqueiro ontem: «Comigo, o gabinete do Presidente da Câmara vai para a Rua Direita»

Ontem, na belíssima sala da Associação Comercial do Distrito de Viseu, na conferência-debate "Combater o desemprego, fomentar o investimento"


José Junqueiro sublinhou mais uma vez a ideia-forte da sua candidatura: 
Viseu precisa de empregos e, para isso, precisa de indústria, precisa de fábricas.

A novidade de ontem está no título deste post: 
se ele ganhar, a presidência da câmara vai para a Rua Direita.

O “caso” *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


1. As campanhas eleitorais autárquicas são uma festa da democracia, com dezenas de milhar de candidatos. É neste “exército” que assenta o essencial da nossa participação cidadã.

É verdade que se cometem, nestas alturas, muitas asneiras, se estraga muito dinheiro e surge um ou outro “caso” que faz correr rios de tinta.

Contudo, o saldo é positivo. Muito do que de bom tem o país deve-se ao trabalho dos seus autarcas, trabalho muitas vezes não remunerado. É o caso de 93% dos presidentes da junta, cujo trabalho dedicado e gracioso o doutor Relvas e a direita decidiram desprezar, extinguindo freguesias à bruta numa lei miserável.

A grande corrupção que levou este país à bancarrota não está nas câmaras nem nas juntas, a corrupção está em Lisboa, está no sistema mediático, está nos governos, está no parlamento, está na grande advocacia dos negócios, está nas empresas públicas, está nas pêpêpês e demais rentismos que parasitam o estado.


2. Eis os factos do primeiro “caso” destas autárquicas:
(i) Hélder Amaral pediu o Solar do Dão para a apresentação da sua candidatura;
(ii) Arlindo Cunha, o presidente da comissão vitivinícola do Dão, disse-lhe que sim;
(iii) a câmara meteu o bedelho, proibiu a utilização daquele belo edifício, deixando pendurados Arlindo Cunha e Hélder Amaral;
(iv) este, por pirraça, foi fazer o número para debaixo da janela do dr. Ruas;
(v) Almeida Henriques, numa tentativa de controle de danos, veio depois dizer que, também ele, foi impedido de usar o Solar do Dão.

Não se percebe: Arlindo Cunha disse sim a Hélder Amaral e disse não a Almeida Henriques? A câmara também meteu o bedelho? Anda tudo doido?

Uma coisa é certa. Havia a boa tradição da sala de visitas da cidade, o Rossio, ser território livre de partidarices. Depois desta reacção de Hélder Amaral à mesquinhez da câmara, essa tradição vai ser mais difícil de se manter.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

António Almeida Henriques, então agora anda a correr atrás do prejuízo?


António Almeida Henriques, agora, depois da asneira feita, anda em controle dos danos?

Anda a ver se diminui os prejuízos causados ao país pelo doutor Relvas que — em vez de atacar o boyismo municipal — preferiu extinguir freguesias à bruta sem poupança nenhuma para o erário público, sem racionalidade, sem perdão?

 António Almeida Henriques, mais valia no devido tempo ter impedido esta asneirola do seu colega de governo, o doutor Relvas.

António Almeida Henriques, a lei de extinção de freguesias não vai com remendos. 


Todos sabemos acender um fósforo

Fotografia de Paulo Lopes


Todos sabemos acender um fósforo
a quem nos pede lume.

Talvez fosse uma conversa
possível até ao fim. Mas o mais vulgar
é ficarmos onde estamos
com o fósforo aceso à beira do rosto

— e antes de haver tempo
a chama queima os dedos.
Carlos Poças Falcão

A entrevista*

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 26 de Junho de 2009

1. Por causa da entrevista na SIC, José Sócrates foi acusado de ser um “lobo com pele de cordeiro” e de estar a “fazer teatro” depois do desastre das europeias em que, pela primeira vez numas eleições nacionais, o PS ficou abaixo de um milhão de votos.

Acabo de ver a entrevista na internet. 



Não vi nela nada de muito diferente: o primeiro-ministro esteve na forma do costume e Ana Lourenço foi o habitual glaciar perguntador.

No seu decote, a jornalista tinha uma jóia triangular que captava toda a luz do estúdio que, de tão pouco iluminado, parecia um pub irlandês. Tudo ali era bruma do norte, nada ali era latino.

Sócrates bem tentou vitaminar a conversa. Não conseguiu.

“Rogério Casanova”, uma das estrelas da nossa blogosfera (pastoralportuguesa.blogspot.com), explicou o acontecido:

“Pelo pouco que ouvi, a noite de hoje marcou o momento em que passámos a ter um primeiro-ministro em compasso normal, o que provavelmente explica as dificuldades sentidas por Ana Lourenço em disfarçar aquele ar de quem se enganou a contar os sedativos.”

2. Gostei muito de ler “Juventude”, de Joseph Conrad, numa notável tradução de Bárbara Pinto Coelho (ed. Quasi).

Neste livro contam-se as aventuras de Marlow, jovem segundo-piloto de um cargueiro já muito gasto, a meter água, e que tem que levar uma carga de carvão a Banguecoque. Antes do barco desacostar, as ratazanas abandonaram o navio. Elas não quiseram fazer aquela viagem.

Depois do temporal das europeias, nota-se já uma mudança no fluxo mediático. Há já ratazanas a abandonarem o PS. Elas lá sabem... Mas Sócrates ainda pode calafetar o barco, substituir os muitos marinheiros incompetentes que tem, e chegar a bom porto.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Noites de verão

Imagem de Alexandfelix


Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
William Shakespeare


domingo, 23 de junho de 2013

Receita para a felicidade

Fotografia de Ruth Orkin



Recipe For Happiness Khaborovsk Or Anyplace

One grand boulevard with trees
with one grand cafe in sun
with strong black coffee in very small cups.

One not necessarily very beautiful
man or woman who loves you.

One fine day.
Lawrence Ferlinghetti

Candidato Obama versus presidente Obama

Shame on you, mr. Obama!

sábado, 22 de junho de 2013

Si mis manos pudieran deshojar

Fotografia de Rodney Smith

Hoje há uma super-lua

Yo pronuncio tu nombre
en las noches oscuras,
cuando vienen los astros
a beber en la luna
y duermen los ramajes
de las frondas ocultas.
Y yo me siento hueco
de pasión y de música.
Loco reloj que canta
muertas horas antiguas.

Yo pronuncio tu nombre,
en esta noche oscura,
y tu nombre me suena
más lejano que nunca.
Más lejano que todas las estrellas
y más doliente que la mansa lluvia.

¿Te querré como entonces
alguna vez? ¿Qué culpa
tiene mi corazón?
Si la niebla se esfuma,
¿qué otra pasión me espera?
¿Será tranquila y pura?
¡¡Si mis dedos pudieran
deshojar a la luna!!
Federico García Lorca




Há mais uma torre na colina da Sé de Viseu (IV)

No Outono de 2010 este blogue publicou três posts sobre uma construção controversa no centro histórico de Viseu junto à Sé (ver aqui, aqui e aqui).

As obras entretanto acabaram e o resultado final pode ser visualizado com esta fotografia:

O arquitecto Alexandre Maia, responsável pelo projecto, disse então, em Outubro de 2010, durante as obras: «a pormenorização idealizada para a cobertura ajudará a minimizar o impacto visual».

De facto assim aconteceu: a solução cromática escolhida ajudou a minimizar o impacto visual mas — para o devido respeito da silhueta da colina da Sé — esta "excrescência" dispensava-se bem.

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Adenda em 24.6.2013, às 19:27: 
Para uma análise do "antes" e "depois" do nº 18 da Rua Grão Vasco, ver um álbum fotográfico do arquitecto Alexandre Maia aqui.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Conferência "Viseu: território e administração nos inícios do século XVI" por Jorge Adolfo Meneses Marques

Sobre o país donde vimos

Fotografia de August-Oscar Mattson

Vamos, falemos
do país donde vimos.
Eu venho do Verão,
uma pátria frágil
que qualquer folha,
ao cair, pode bem extinguir.
E o céu é tão cheio de estrelas
que às vezes pendem até ao chão,
e tu, aproximando-te, podes ouvir a erva
a fazer cócegas às estrelas que riem,
e são tantas as flores
que os olhos doem
deslumbrados pelo sol,
e redondos sóis pendem
de cada árvore;
Donde eu venho
falta apenas a morte
e é tanta a felicidade
que até dá para dormir.
Ana Blandiana

O bloco nas autárquicas

Enquanto em Viseu temos política serena focada nos problemas do concelho ...



... em S. Pedro do Sul, salta-pocinhice* e metapolítica do "contra"

* Conferir neste post do blogue O Caricas de onde se tira também o vídeo.

Os dias de verão

Os dias de verão vastos como um reino
Cintilantes de areia e maré lisa
Os quartos apuram seu fresco de penumbra
Irmão do lírio e da concha é nosso corpo

Tempo é de repouso e festa
O instante é completo como um fruto
Irmão do universo é nosso corpo

O destino torna-se próximo e legível
Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros
Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

Como se em tudo aflorasse eternidade

Justa é a forma do nosso corpo
Sophia de Mello Breyner Andresen


quinta-feira, 20 de junho de 2013

SSS-Q + Maria Mónika




A guerra civil*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


A primeira página do Jornal do Centro de há duas semanas dava destaque a uma afirmação fortíssima de Hélder Amaral, o candidato do CDS à câmara de Viseu: “A minha prioridade é libertar os cidadãos de Viseu da Câmara Municipal”.


Uma manchete assim é helicópteros no ar, é cheiro a napalm pela manhã, é música de Wagner, é uma declaração de guerra total. 

Não se estranhe que o candidato centrista tenha ido buscar o indómito coronel Fernando Figueiredo para o acompanhar nesta guerra civil à direita, nesta guerra entre os partidos do governo, começada em Viseu mas que se vai espalhar ao país.

Aquela entrevista de Hélder Amaral vai fazer história. O dia das autárquicas vai ser o início de uma nova era. Primeiro o CDS vai “libertar os cidadãos de Viseu” das perfídias da câmara PSD, depois será o país. 

Como tão bem explicou Hélder Amaral no seu bombardeamento, o voto nas autárquicas vai libertar os viseenses de “uma câmara astronómica que tudo ocupa, toma conta da vida das pessoas e seca toda a iniciativa”, vai livrá-los de uma assembleia municipal dirigida por Almeida Henriques “sem discussão livre de ideias” e sem “liberdade”, vai exterminar um “núcleo de interesses” laranja “onde está toda a gente bem à conta do contribuinte” e, acima de tudo, vai acabar com um “concelho do favor e do medo”.

Repete-se: esta guerra civil à direita não se fica só pelo solo sagrado que vai de Calde a Fail, de Torredeita a Povolide. 



A partir de 29 de Setembro a coligação que nos governa estará por um fio. Inspirado no heróico exemplo beirão, Paulo Portas em cima desse fio, seguro nos passos, ou por Seguro ou por Passos logo se há-de ver, naquela noite vai lançar a bomba atómica perante o país atónito.

Naquela noite, ou a hecatombe da direita é grande e Gaspar perde o emprego, ou a hecatombe da direita é avassaladora, e é Passos quem perde o emprego.

"Essências" de Acácio Pinto


quarta-feira, 19 de junho de 2013

O bumerangue atirado do Rossio...

... deu voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar ...

 ... chegou ao Solar do Dão no Fontelo, ricocheteou na cabeça de Arlindo Cunha, e... 
... está agora a dar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar voltas no ar ...

... e vai regressar no sábado à tarde ao ponto de partida

O Prémio João Torto é dedicado a quem "se atirou da torre" no Sector Cultural e Criativo viseense




Os destemidos premiados e premiadores têm-se sujeitado às graves leis da gravidade sem grandes fracturas nem sobressaltos e vão lá estar... 

... apareça ...

Rossio *

* Texto publicado no Jornal do Centro há exactamente quatro anos, em 19 de Junho de 2009

1. Os Estados Unidos (o maior devedor mundial) e a China (o seu maior credor) estão obrigados a cooperarem e tentarem segurar a cotação do dólar.

Isso foi acordado em Londres, em Abril, entre Obama e Hu Jintao. 

Desde então, o corrupio entre Pequim e Washington não pára. 

No início do mês, o secretário do tesouro Timothy Geithner descreveu esta estratégia bilateral num notável discurso na universidade de Pequim que teve grande destaque noticioso em todo o mundo. Em Portugal os media ignoraram-no.

No período de debate, um dos estudantes fez a pergunta óbvia: 

«Os investimentos chineses na dívida americana estão seguros?» 

«Muito seguros» - respondeu Timothy Geithner. 

A audiência riu-se-lhe na cara.

2. As obras no Rossio foram, globalmente, positivas.
Merece aplauso a forma como a praça ficou amiga dos invisuais.



Os novos candeeiros são adequados. Espera-se a internet sem fios. Música ambiente não, por favor. É uma parolice. Quem quiser que traga som de casa e use auscultadores.

A iluminação do edifício da câmara trata diferentemente as paredes brancas e o granito. Contudo, os focos de luz em contra-picado não estão a resultar. Demasiadas sombras parasitas.

Agora é preciso:

i) Fazer um pequeno café com uma boa esplanada no sítio onde está o carrossel e demolir o actual café deixando o Rossio respirar, abrindo-o a sul para a Avenida 25 de Abril.

ii) Pedonalizar o troço à frente do Banco de Portugal e do painel de azulejos, criando um contínuo livre de carros entre o Rossio, a Rua da Paz e a Rua Formosa. 

Ganha-se sossego e espaço.

3. Atenção! As tílias do Rossio estão quase, quase no máximo do seu perfume…

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Rui Ladeira, quando tudo é prioridade, nada é prioridade, quando se pensa em tudo, não se pensa em nada...




O candidato do maior partido do governo à câmara de Vouzela tem um atropelamento de prioridades complicado dentro da cabeça.



E registe-se: para Rui Ladeira, nestes anos de chumbo que se vivem, tudo é prioridade, só os problemas sociais é que não são prioridade.

domingo, 16 de junho de 2013

Poema del hijo

Fotografia de Arif Asçi

I
¡Un hijo, un hijo, un hijo! Yo quise un hijo tuyo
y mío, allá en los días del éxtasis ardiente,
en los que hasta mis huesos temblaron de tu arrullo
y un ancho resplandor creció sobre mi frente.

Decía: ¡un hijo!, como el árbol conmovido
de primavera alarga sus yemas hacia el cielo.
¡Un hijo con los ojos de Cristo engrandecidos,
la frente de estupor y los labios de anhelo!

Sus brazos en guirnalda a mi cuello trenzados;
el río de mi vida bajando a él, fecundo,
y mis entrañas como perfume derramado
ungiendo con su marcha las colinas del mundo.

Al cruzar una madre grávida, la miramos
con los labios convulsos y los ojos de ruego,
cuando en las multitudes con nuestro amor pasamos.
¡Y un niño de ojos dulces nos dejó como ciegos!

En las noches, insomne de dicha y de visiones,
la lujuria de fuego no descendió a mi lecho.
Para el que nacería vestido de canciones
yo extendía mi brazo, yo ahuecaba mi pecho...

El sol no parecíame, para bañarlo, intenso;
mirándome, yo odiaba, por toscas, mis rodillas;
mi corazón, confuso, temblaba al don inmenso;
¡y un llanto de humildad regaba mis mejillas!

Y no temí a la muerte, disgregadora impura;
los ojos de él libraron los tuyos de la nada,
y a la mañana espléndida o a la luz insegura
yo hubiera caminado bajo de esa mirada...



II
Ahora tengo treinta años, y mis sienes jaspea
la ceniza precoz de la muerte. En mis días,
como la lluvia eterna de los polos, gotea
la amargura con lágrimas lentas, salobre y fría.

Mientras arde la llama del pino, sosegada,
mirando a mis entrañas pienso qué hubiera sido
un hijo mío, infante con mi boca cansada,
mi amargo corazón y mi voz de vencido.

Y con tu corazón, el fruto de veneno,
y tus labios que hubieran otra vez renegado.
Cuarenta lunas él no durmiera en mi seno,
que sólo por ser tuyo me hubiese abandonado.

Y en qué huertas en flor, junto a qué aguas corrientes
lavara, en primavera, su sangre de mi pena,
si fui triste en las landas y en las tierras clementes,
y en toda tarde mística hablaría en sus venas.

Y el horror de que un día, con la boca quemante
de rencor, me dijera lo que dije a mi padre:
«¿Por qué ha sido fecunda tu carne sollozante
y se henchieron de néctar los pechos de mi madre?»

Siento el amargo goce de que duermas abajo
en tu lecho de tierra, y un hijo no meciera
mi mano, por dormir yo también sin trabajos
y sin remordimientos, bajo una zarza fiera.

Porque yo no cerrara los párpados, y loca
escuchase a través de la muerte, y me hincara,
deshechas las rodillas, retorcida la boca,
si lo viera pasar con mi fiebre en su cara.

Y la tregua de Dios a mí no descendiera:
en la carne inocente me hirieran los malvados,
y por la eternidad mis venas exprimieran
sobre mis hijos de ojos y de frente extasiados.

¡Bendito pecho mío en que a mis gentes hundo
y bendito mi vientre en que mi raza muere!
¡La cara de mi madre ya no irá por el mundo
ni su voz sobre el viento, trocada en miserere!

La selva hecha cenizas retoñará cien veces
y caerá cien veces, bajo el hacha, madura.
Caeré para no alzarme en el mes de las mieses;
conmigo entran los míos a la noche que dura.

Y como si pagara la deuda de una raza,
taladran los dolores mi pecho cual colmena.
Vivo una vida entera en cada hora que pasa;
como el río hacia el mar, van amargas mis venas.

Mis pobres muertos miran el sol y los ponientes
con un ansia tremenda, porque ya en mí se ciegan.
Se me cansan los labios de las preces fervientes
que antes que yo enmudezca por mi canción entregan.

No sembré por mi troje, no enseñé para hacerme
un brazo con amor para la hora postrera,
cuando mi cuello roto no pueda sostenerme
y mi mano tantee la sábana ligera.

Apacenté los hijos ajenos, colmé el troje
con los trigos divinos, y sólo a Ti espero,
¡Padre nuestro que estás en los cielos!, recoge
mi cabeza mendiga, si en esta noche muero.
Gabriela Mistral

"Rua Direita, Esta Rua Não Acaba Aqui" — as quinze lojas



Joana Astolfi explica o critério de selecção das 15 lojas da Rua Direita integradas no projecto.

sábado, 15 de junho de 2013

Alcance eficaz

Fotografia de Robert Semeniuk



Alcance eficaz: distância à qual uma bala ainda é mortal.
(Manual do graduado de infantaria)

Não falo para os consolados, os satisfeitos de si, os que nem riem
porque o riso ainda é sinal de alguma coisa que falta.
Ah vida! alguns te cantam para sentir-te nos lábios,
mas outros pedem-te a si próprios, não contentes contigo,
e as suas palavras terão apenas o obscuro nexo dos abismos sem nome
e a estranha música das mãos cortando o vazio intratável.
A minha voz é misteriosa de mais para que me compreendam.
Seria preciso ter uma alegria de pássaro para com as migalhas da vida
e a mágoa de não ser um pássaro a contentar-se com elas...
Seria preciso saber que não há palavras que cheguem onde não há conversa,
onde o silêncio é um vai-vem de moscas sobre um prato servido.
Jorge de Sena



"Anunciação, de Giovanni del Biondo" — Viseupédia #30


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Explicitação visual do acontecido hoje no debate quinzenal na assembleia da república


Urgentemente

Fotografia de Michael Graf

É urgente o amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Santo António dos Cabaços — a bênção dos rebanhos

Festa anual — a poucos quilómetros de Mangualde.

Tradição secular, integrada nos circuitos da transumância, em que em Junho os pastores vinham com os rebanhos da Serra da Estrela e se dirigiam para os pastos mais verdes do Montemuro.

Aqui, a fartura de água impunha uma "paragem técnica" agora transformada em celebração religiosa a Santo António dos Cabaços, no dia do santo, 13 de Junho.








Chocalho lindíssimo à venda por mil euros











Cortina de Ferro *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro


”Desde Stettin no Báltico a Triestre no Adriático, uma Cortina de Ferro caiu sobre o continente”, foi assim que Winston Churcill, em 5 de Março de 1946, anunciou ao mundo o pesadelo que vinha a seguir ao pesadelo nazi.

A Cortina de Ferro enclausurou centenas de milhões de europeus por mais de 40 anos, até à queda do muro de Berlim em 1989. 

Importa não esquecer que os comunistas alicerçaram sempre o seu poder no controle das polícias secretas. Os primeiros quadros, formados pelos soviéticos ainda decorria a guerra, começavam sempre por tomar conta dos aparelhos repressivos. 

É por isso que os arquivos das polícias secretas comunistas são uma das principais fontes de informação de “Iron Curtain, The Crushing of Eastern Europe 1944-1956”, de Anne Applebaum, editado em 2012. Espere-se que alguma das nossas editoras se abalance na versão portuguesa.

A historiadora conta que, no avanço do exército vermelho até Berlim, um dos objectos mais roubados eram relógios. Havia soldados soviéticos que traziam no pulso meia dúzia de relógios.

Num cinema de Budapeste, poucos meses depois de acabada a guerra, quando mostraram imagens da cimeira de Ialta (na altura ainda não havia televisão, as notícias eram vistas nos cinemas), apareceu um plano em que o presidente americano Roosevelt levantou o braço e a sua manga descaiu enquanto falava com Estaline. Várias pessoas no cinema gritaram: «cuidado com o relógio!» 

Quando li este episódio, pensei terminar aqui uma crónica, com bonomia, comparando o caso aos orçamentos de Vítor Gaspar. De facto, quando o ministro pega na máquina de calcular, há que gritar: «cuidado com as pensões!»

Mas desisti: essa analogia seria obscena porque nada é comparável às limpezas étnicas, às deportações, ao pesadelo criado por Estaline com a complacência do ocidente, como é descrito neste livro monumental.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Caríssimo Telmo Antunes...

... presidente da câmara de Vouzela, resolver o problema do défice é complicado, nem o Vítor Gaspar consegue, mas retirar esta placa* decrépita  não deve ser nada de transcendente:
* O meu caro amigo pode não saber onde a placa está, nem a isso é obrigado, mas alguém nos seus serviços tem que saber.