sexta-feira, 5 de abril de 2013

Nuno Crato

    
Depois do desastre ecológico causado pelo marilurdismo nas escolas, a acção de Nuno Crato era aguardada com expectativa. 
     
O seu pensamento focado no produto e não no processo, a sua desmontagem do irrealismo eduquês, tudo apontava para que ia ser posta alguma ordem naquele ministério que é um monstro burocrático e devorador de dinheiro (veja-se o caso do keynesianismo cleptocrata da "festa" da Parque Escolar).
     
Num longo texto escrito há um ano sobre os Cisnes Negros, e publicado na Ferramenta Zine, escrevi as seguintes dez palavras — "enquanto o Crato tenta salvar a educação, ao menos ele...". O que Nuno Crato (não) tem feito desde então fez-me arrepender daquelas dez palavras.
     
Globalmente, a actuação do ministro é um desapontamento — não conseguiu diminuir o monstro burocrático da educação, um gigante centralista, clientelar e ineficaz.
     
Não houve passagem de poder para as autarquias e para as escolas — a escala em que os problemas se podem resolver. Infelizmente, Lisboa nunca deixa que as comunidades se auto-governem e centraliza sempre o poder todo e a educação não é gerível a partir de Lisboa.
     
Some-se a desilusão com o processo dos hiper-agrupamentos, híbridos sem identidade nem alma. Um director de uma escola ou sabe o nome dos seus alunos ou não está a dirigir escola nenhuma. Pode estar a dirigir uma repartição, uma divisão, uma estrutura burocrática qualquer, uma escola é que não está a dirigir. Quem não percebe isso, não sabe o que é educação.
     
Nuno Crato merece, apesar de tudo, estima. No caso da licenciatura de Miguel Relvas, a maneira como respeitou a independência da inspecção e decidiu a favor do interesse público e contra um colega ministro é algo que dá um sinal de esperança para a terceira república — afinal não é tudo pântano.
     
Oiça-se esta entrevista:

4 comentários:

  1. "Não sou competente para anular uma licenciatura". É então competente em quê?

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    1. É uma coisa chamada "autonomia universitária". São as instituições que atribuem os graus, não é o governo.

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  2. Certo e governo nesse aspecto não governa as universidades. Mas o Relvas poderá contestar? e recorrer aos tribunais?

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    1. Pode, e pelo que percebi, os "professores doutores" da Lusófona vão embrulhar a coisa entre "regulamentos gerais" e "regulamentos específicos" e demais nevoeiro regulamentar, de forma que a "doutorice" de Miguel Relvas ainda sai aspergida e abençoada em tribunal.
      Nos nossos tribunais tudo é possível.
      Cumprimentos

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