segunda-feira, 15 de abril de 2013

Cisne




Atravesso o jardim, de manhã,
até beber o último trago de névoa.

As estátuas empurram-me com
os seus braços brancos.

Um cisne confunde-se
com um jarro;

mas não sei se o lago
se confunde com ele.

No banco, um fantasma
estende-me uma chávena de café.

No fundo, discutimos ambos
um problema de existência.

É que nem ele nem eu
temos a certeza um do outro

quando a cidade, no Outono,
se veste de nuvem.
Nuno Júdice

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