sábado, 9 de março de 2013

Muitos Estados de Espírito


Fotografia de Tod Papageorge



I
A rir cais como uma onda
No meu coração.
No mar da juventude sob a lua cheia
Chegou a maré-alta;
À volta das enlouquecidas águas
A compasso dos teus pés que dançam,
Que fazes na minha praia solitária?
Enchendo todo o meu coração danças e cantas,
Aproximas-te e afastas-te
Vezes sem conta.
Ris e cais como uma onda
Sobre o meu peito.


II
Ao acordar beijas a minha testa
E levantas-te à minha frente;
Na outra praia do sono lentamente apareces
Sob uma nova luz;
E tu vens e enches o meu coração
E ficas com cabelos revoltos e róseos pés;
Os céus despedaçam-se e tu os enches,
E todos os jardins da vida e da juventude
Estão repletos de flores.
Beijas a minha testa ao acordar
Enquanto te levantas à minha frente.


III
Suspirando como uma flor inclinas-te e cais
Sobre o meu peito;
Como ocultas gotas de orvalho caem as tuas lágrimas
Molhando o meu coração.

Silenciosas camadas de perfume invadem o meu ser
Revelando sonhos de felicidade na minha alma silenciosa
A delícia do contacto traz a sonolência
Aos meus olhos,
E os teus beijos percorrem-me os membros.
Inclinando-te e suspirando como uma flor
Cais sobre o meu peito.
Rabindranath Tagore 
(trad. José Agostinho Baptista)

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