sábado, 16 de março de 2013

Banqueiros à força

     Em 2009, no primeiro choque da crise sistémica global, os estados endividaram-se para socorrer os bancos, isto é, os cidadãos salvaram os accionistas dos bancos pagando em dívida pública, austeridade e desemprego.
     Em 2013, estamos em pleno segundo choque da crise sistémica global. Sei que não é bonito fazer-se uma auto-citação mas escrevi aqui em Janeiro: "Convinha que os governos pusessem os accionistas dos bancos a pagar a factura e não, como tem acontecido, os trabalhadores e os reformados."
     Ora, parece que os governos não aprenderam nada com 2009 e as coisas estão a ser feitas ainda mais à bruta. 
Imagem daqui
     Neste segundo choque a protecção aos banqueiros perdeu subtileza: o governo do Chipre, articulado com o BCE, acaba de decretar para aquele país que 9,9% dos depósitos acima de 100 mil euros e 6,65% dos depósitos abaixo de 100 mil euros passam a ser capitais dos bancos.
     Isto é: as pessoas passaram a ser accionistas à força dos bancos onde depositaram as suas poupanças.
     Interessante era os cidadãos espoliados organizarem-se como um formigueiro como a DECO fez cá para um leilão da electricidade -, e tomarem conta dos conselhos de administração e substituirem os Ricardos Salgados e os Ulrichs cipriotas.

Nota às 14h45: este post parte do princípio, talvez "optimista", que este "arresto" é transformado em capital dos bancos.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Caro Alexandre Borges

      O termo que li no Financial Times sobre este "corralito" cipriota foi "levy" que, confesso, o meu inglês e o meu economês, ambos fraquíssimos, recusavam a traduzir como "imposto", "taxa".

      De facto, aquele "arresto", decorrente da exposição do Chipre ao perdão de dívida grega, transforma os seus bancos numa enorme "cooperativa de depositantes".

      Hoje já há quem o diga, veja o caso do João Miranda aqui: http://blasfemias.net/2013/03/17/chipre-confisco-do-contribuinte-alemao/

      Ontem disse-o eu aqui, mas, depois, como o que estava a ser dito nos media não era nada disso, falava-se em "imposto","taxa", fiquei com alguma insegurança, confesso.

      Grande abraço

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