segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A galáxia parlamentar do PS

Caríssimos directores e jornalistas dos nossos media: é necessário um estudo bem documentado sobre os 230 deputados da Assembleia da República, um estudo que evidencie quais os deputados em exclusivo, quais os deputados em part-time, que ligações destes a que empresas, a que grupos económicos, a que escritórios da advocacia de negócios.

Enquanto não chega esse estudo mais substancial e dedicado a todos os partidos, debrucemo-nos sobre esta espuma em forma de infografia, saída na última edição do Expresso, sobre o grupo parlamentar socialista:

Há, segundo aquele semanário, cinco estrelas socialistas — Seguro, Costa, Assis, Sócrates e Vieira. À sua volta gravitam, com mais ou menos gravitas, dezenas de deputados-planetas, alguns destes debaixo da influência de mais do que uma estrela e há ainda oito deputados em órbita independente.

Esta infografia ilustra muito bem a ideia de Karl Popper — "os partidos não têm ideias, as pessoas é que têm"As pessoas é que interessam. O eleitorado socialista votou, sem saber, nestes vários sistemas planetários. Assim será enquanto se tiver que votar em listas e não se puder votar em pessoas.

A existência desta galáxia com várias estrelas influentes tem uma única razão: António José Seguro não conseguiu transformar-se no sol do PS.

Olhe-se agora para os três deputados socialistas de Viseu:

(i) Acácio Pinto aparece no rol dos "sem grupo" o que, perante  a "merditocracia" usual na altura do "faz-listas" no PS-Viseu que escolhe sempre acartadores de pastas dos chefes, e sem um "suserano" que o defenda, nas próximas legislativas Acácio Pinto corre o risco de ficar de fora;

(ii)
Elza Pais está abrigada por dois "suseranos" e pela cota; isto significa um mundo muito protegido mas com a sua luz própria escondida;

(iii)
José Junqueiro é segurista mas faz bem em trabalhar muito até às autárquicas num projecto 
prudente para Viseu, realista, prático, sensato, sem "novos paradigmas" da treta, com os pés assentes nesta terra abençoada. Esse trabalho terá um prémio: os eleitores viseenses põem-no a 300 quilómetros de lonjura deste kindergarten desenhado pelo Expresso.

Resta dizer que em 2015 (ou antes, caso Paulo Portas se divorcie de Passos Coelho) o cabeça de lista natural em Viseu nas próximas legislativas é António Borges, autarca de Resende em fim de mandato.  

Um grande ou médio vip como pára-quedista a vir encabeçar uma lista do PS em Viseu seria uma regressão intolerável para o distrito a merecer a demissão imediata do presidente e demais órgãos da Federação. É um cenário improvável mas que tem que ser posto porque nestas coisas convém ser-se exaustivo.

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