sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Das portas trancadas

Fotografia de Arthur Tress



Doem-me as portas trancadas.
As que abanamos e não se conseguem abrir.
Das que se perderam as chaves.

As chaves das portas trancadas que não se conseguem abrir.

Penso nas portas trancadas da tua casa.
As chaves que se escondem e não mais aparecem
a porta do teu quarto que range sempre que a abres
ou quando se tosse uma réstia de vento.

A madeira sólida do teu quarto
os raios anelares das árvores
agora sem vida
trancam o teu quarto
conservando a resina que cola os meus cabelos à tua porta.

As unhas negras.
O sangue coagulado.
A dor.
O horror.

De como a tua porta se tranca trilhando os meus dedos de solidão.
Joana Serrado

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