quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

The man with the beautiful eyes

Crescer, nas palavras de Charles Bukowski 

Com Fúria e Raiva



Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras


Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada


De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse


Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Biseu ou Viseu? — Tertúlia sobre o Acordo Ortográfico *

O excêntrico** moderador, Hélder Amaral, Acácio Pinto, João Figueiredo e Fernando Paulo Baptista (no uso da palavra)





«A base IV do AO é a mais 'perigosa', a mais 'venenosa'.»
Fernando Paulo Baptista


«Não consigo perceber quais as vantagens para Portugal da assinatura deste acordo.»  
João Figueiredo

«Eu sou pró-acordo, a língua é uma entidade evolutiva e em nenhum momento da sua evolução ela cristaliza.»
Acácio Pinto

«Eu digo sim ao acordo, mas tenho dúvidas quanto a este, devíamos ter sido líderes na negociação do AO.»
Hélder Amaral

* Congregada por Fernando Figueiredo do "Viseu, Senhora da Beira" (de quem também é a fotografia usada neste post) e ocorrida no sempre hospitaleiro "Lugar do Capitão", ontem à noite.
** Por não estar ao centro.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O travesti tem algo de caubói

«O travesti é um fenómeno que nos fascina 
porque assume a verdade da sua mentira.»
Arnaldo Jabor

Cada árvore é um ser para ser em nós


Detalhes deste projecto de Diego Stocco aqui

Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses

António Ramos Rosa


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Qual é o maior suspense para a entrega dos Óscares de logo?

«Que vestido moldará Halle Berry?» *


* Pergunta de Jorge Leitão Ramos, na última edição da Atual.

Poul Thomsen

 
Desde a quaresma do ano passado, 
quando os portugueses estavam 
numas merecidas férias da Páscoa no All-garve e
o país habituou-se a esta cara.

      Os nossos jornalistas passaram a correr para ele com muito mais frequência do que Merche Romero corre para o seu cirurgião plástico.
      Já vivíamos numa rotina amável e hospitaleira, o senhor Poul Thomsen já era da casa, já toda a gente sabia escrever o seu nome sem ter que ir perguntar ao sr. Google.
     Esta semana o FMI decidiu substituir o chefe de missão da Troika. Porque terá sido?
     As razões ainda não são conhecidas, mas crê-se que o FMI desconfia que, da mesma maneira que o país já se habituara ao senhor Thomsen, o senhor Thomsen também se habituara às falinhas mansas adiativas do país.
      O FMI não quis correr riscos e cortou o mal pela raiz.

Biseu ou Viseu? — tertúlia sobre o Acordo Ortográfico


Acácio Pinto, como se percebe daqui
está preparado para tudo até para que estejam presentes
o Mozer, o Paulinho Santos e o Pepe.
Não vão estar.
Mas, mesmo assim, vai ser bom.
Apareça no Lugar do Capitão.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O cedro de Fail-Viseu ou como a cooperação no Facebook resolve todos os enigmas ...

Propus aos meus amigos do Facebook 
que dissessem o  que lhes fazia lembrar este cedro:
Uma lontra com hiperqueratose ... e prolapso rectal
     Eis o debate magnífico que resultou deste desafio: 
     1. Um cão.
     2. O pateta.
     3. Uma galinha.
     4. Uma asa...
     5. Um índio sentado.
     6. Um Dinossauro a preparar-se para um mergulho. 
     7. Uma cadeira.
     8. Uma lontra com hiperqueratose ... e prolapso rectal! 
     9. Também pensei nisso, ia mais para uma morsa!
     10. Pode ser... as patologias aplicam-se na mesma!
     11. Ou o galo de Barcelos depois da Troika !
     12. Sem crista e de asa caída! 
     13. E sem pio... rendendo-se ao crepúsculo. Bah! Toca a espevitar o galo!!!
     14. Talvez com umas sopinhas de vinho com açúcar! Arrebita logo!
     15. O Alex estará a fazer a (psica)nálise da questão?
     16. Uma árvore doente na Esculca?!
     17. Mais parece um galo...
     18. Uma morsa.
     19. Um vai-vem espacial em voo contra-picado.
     20. Uma dama sentada numa cadeira alta, pelas seis da manhã, num bar de má fama, com o braço direito atirado para trás e pernas abertas... sem malícia, apenas de cansaço. Tem o cabelo apanhado, visto que já está fora do horário de expediente...
     21. Em Fail. Um galo a cantar. A fazer companhia ao cedro raposinha, entre Vila Chã e Repeses *. 
     22. Uma foca coberta com resíduos tóxicos...

Ter amigos assim no Facebook é uma felicidade. 

* Este cedro de Vila Chã de Sá foi falado neste blogue aqui.

The Cat Inside

The cat does not offer services. 
The cat offers itself.
Of course he wants care and shelter. 
You don't buy love for nothing. 
Like all pure creatures, cats are practical.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"And Now For Something Completely Different" (#73)


«... do trânsito das gerações, desse mistério material, táctil, espiritual, feito de inseguranças e instinto, 
que não é exclusivo dos animais humanos, 
e que assegura a continuidade das espécies» 
in Do sofrimento, 
Jornal do Centro, hoje

Do sofrimento *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro



     1. “Os Descendentes” ...

      ... é um filme em exibição protagonizado por George Clooney que faz uma personagem, Matt King, que vê desabar o seu mundo quando a mulher tem um acidente de barco e fica em coma irreversível.
     É um filme para gente crescida sobre o amor, o ciúme, a doença, o dinheiro, a educação dos filhos. Matt tem duas filhas a precisarem muito dele e o filme trata, acima de tudo, disso: do trânsito das gerações, desse mistério material, táctil, espiritual, feito de inseguranças e instinto, que não é exclusivo dos animais humanos, e que assegura a continuidade das espécies.
     No meio da tempestade perfeita em que se tornou a vida de Matt, há um problema que o estado do Hawai — onde se passa a acção do filme — lhe resolveu. Matt não teve que tomar a decisão de desligar a mulher das máquinas já que ela tinha feito um “testamento vital”, aceite pelo estado, em que ela recusava para si própria qualquer obstinação terapêutica sem esperança.
     Em Portugal já se fazem em notário “testamentos vitais”, documentos que têm valor ético mas não jurídico. O assunto arrasta-se, infelizmente, há tempo demais nas entranhas da assembleia da república.

     2. François Hollande, o provável sucessor de Sarkozy na presidência francesa, acaba de propor que “todos os adultos num estado avançado ou terminal de uma doença incurável, doença que esteja a causar um insuportável sofrimento físico e psicológico e que não possa ser tratada, possam requerer, sob estritas e específicas condições, assistência médica para terminar a sua vida com dignidade.”
     Como Hollande tem sido escorregadio como as enguias em todas as matérias, o lançamento do tema eutanásia na campanha foi uma surpresa. De qualquer forma, a eutanásia tem que ser debatida em todas as sociedades decentes. Para quando também em Portugal?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Até aos ossos (2001)

Uma curta-metragem descarnada 
A canção "La llorona" é interpretada por Eugenia León 

Os óculos de sol da Google

Richard Downs

um projecto que a Google pretende secreto: 
óculos escuros que vão ter o Android, GPS, 
sensores de movimento e 
— o que é muito problemático 
em termos da privacidade dos cidadãos... — reconhecimento facial.

Enquanto se espera por esse gagdet
que vai pôr as pessoas com 
comportamentos bizarros nas ruas, avenidas,
boulevards e alamedas, 
visite-se o "Eles vivem" de John Carpenter:

A fundura do buraco de Santa Comba Dão *

João Lourenço, presidente da câmara de Santa Comba Dão




Dívida total 
€19 820 769.77
(212% das 
receitas totais)





Dívida com 
atraso no 
pagamento 
superior 
a 90 dias 
€6 148 784.47
(66% das 
receitas totais)




     * Seguem-se, neste ranking das câmaras mais endividadas do distrito de Viseu, Tarouca com um endividamento total de 17 327 601,64 (117%) e Tabuaço com 16 366 267,01 (106%).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ressaca felina

Informe sobre caricias

Fotografia de Dmitry Bulgakov
 
1
La caricia es un lenguaje
si tus caricias me hablan
no quisiera que se callen

2

La caricia no es la copia
de otra caricia lejana
es una nueva versión
casi siempre mejorada

3

Es la fiesta de la piel
la caricia mientras dura
y cuando se aleja deja
sin amparo a la lujuria

4

Las caricias de los sueños
que son prodigio y encanto
adolecen de un defecto
no tiene tacto

5

Como aventura y enigma
la caricia empieza antes
de convertirse en caricia

6

Es claro que lo mejor
no es la caricia en sí misma
sino su continuación

Mario Benedetti


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval de Lazarim 2012

















Outro carnaval



Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Os T8 e T15 do PS

     O problema de falta de casas que se referiu neste post das 13:59, em que se registavam "resmas" de militantes socialistas a habitarem na mesma morada, afinal está disseminado.
JN de hoje
     António José Seguro faz bem em reprimir as máfias que querem tomar conta de algumas secções do PS.
     É preciso proibir pagamentos de quotas em grupo e todos os pagamentos de quotas deverão ser documentados ou por cheque ou por transferência bancária.
     Uma maneira óbvia de diminuir o impacto da acção destes sindicatos de votos mafiosos seria o líder do PS aceitar a proposta de Francisco Assis e permitir primárias abertas aos militantes e aos simpatizantes (assim o problema ficava diluído pela sociedade civil e não apareceriam tanto ou não teriam tanto impacto estas espertalhonices).
     O influxo inusual de militantes à concelhia de Viseu do PS que aconteceu logo a seguir à derrota nas legislativas de 2011 foi tudo menos espontâneo e espero, sinceramente espero, que não apareça para aí algum T15 também nalgum bairro da cidade de Viseu.
      Máfias não, por favor.

"And Now For Something Completely Different" (#72)

Problemas logo pela manhã ...

Crise da habitação

Nota: Na edição online do JN não se consegue perceber em que concelho do país existe uma tão severa falta de casas.

Sonhei comigo

Fotografia de Michael Schmidt



Sonhei comigo
esta noite
Vi-me ao comprido
Deitada
Tinha estrelas
nos cabelos
em meus olhos
madrugadas
Sonhei comigo
esta noite
como queria
ser sonhada
Senti o calor da mão
percorrendo uma guitarra
De longe vinha um gemido
uma voz desabalada
Havia um campo
de trigo
um sol forte
me abrasava.
E acordei
meio sonhando
procurando
me encontrar
Quando me vi
ao espelho
era teu
o meu olhar.
                                          Eugénia Tabosa 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A trovoada *


Enquanto o governo faz de pára-raios atarantado no meio da trovoada, como se viu hoje em Gouveia, o PS divide-se em cinco: 
      


1 — os que acham que não há trovoada (os socratistas);
      


2 — os que não concordam com toda a trovoada mas que a respeitam (os seguristas mais os que estão sempre com o que está*);
      


3 — os que acham que causaram a trovoada (o umbigo do dr. Soares);
      

4 — os que esperam em Paris que a trovoada passe ("himself");



... e, "last 
but not 
the least":



5 — os 
que vão 
reparar os estragos 
da trovoada
(os costistas
mais os 
que estão 
e estarão 
sempre com o que está*).




    * O debate no Facebook mandou chamar "rolhas" a estes bisnaus. Ao contrário do costume, este post foi inicialmente rascunhado no FB.

Refertelecom



Inaugurado no último Verão
no início da ecopista,
não muito longe 
do exacto sítio 
onde existiu a estação de 
comboios de Viseu, o negócio da Refertelecom 
é este.

Justiça portuguesa

Na primeira página do Correio da Manhã de hoje



O maior problema português 
é a decadência e a falta de princípios 
das suas elites.

Somente se Queixa de Amorosas Esquivanças

Fotografia de Joanna Galuszka

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem estando ausente

Não sente mais que a pena das lembranças;
Porqu'inda que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,

Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem um coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado

De erros em que não pode haver perdão
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.

Luís de Camões


sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Álvaro não sabe ...

... mas a ideia de pôr os trabalhadores a fazerem mais meia hora à borla por dia era uma indignidade ...



... e que não há nenhum sindicato que aceite recuos em conquistas antigas dos trabalhadores.

Apenas corpos à flor da terra

Fotografia de Cathline Dickens


Deixem que a noite passe sobre os nossos corpos,
gorda de ventos e manchada de estrelas
a perguntar de novo pelos filhos,
a acenar com asas de aviões distantes,
a abrir luzes fantásticas nas ruas,
a dançar nua e negra como os deuses selvagens.

Seremos indiferentes como espelhos,
solenes como árvores antigas, horizontais, sólidos e surdos
aos seus gritos de guerra e às falsas músicas
que nos possa trazer.
Apenas corpos à flor da terra
sabemos de cor as curvas e os tons, um sinal,
uma rosa entre os dedos, uma cicatriz funda,
um pássaro na testa da nossa geografia
humana e comovente.
Apenas corpos à flor da terra
ao sol nos abriremos de mãos dadas.

António Rebordão Navarro

"And Now For Something Completely Different" (#71)

Ok! A última da noite ...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Tirar o penso *

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro.


     1. Desde que Portugal ficou nas mãos dos credores, os nossos políticos e os nossos banqueiros praticam o teatro que recomendou Jean Cocteau: “uma vez que estes mistérios nos ultrapassam, finjamos ser os seus organizadores”.
     O problema é que, de três em três meses, a troika, os verdadeiros “organizadores” chegam ao aeroporto de Lisboa. Estão cá agora.
     Esta dependência é uma ferida no corpo deste país de nove séculos. Ora, quando há uma ferida, põe-se um penso. Depois, tirar o penso dói.
     É aqui que tem havido alguma diferença entre Passos e Seguro. Se se tirar o penso muito depressa dói demasiado, diz Seguro. Temos que aguentar sem pieguices, prescreve Passos.
     A ferida, essa, continua sem sarar e cada vez mais infectada. 
     Não há um instituto público extinto, não há uma fundação fechada, não há uma parceria-prejuízos-públicos-proveitos-privados renegociada. 


     2. Enquanto a nível nacional se instalou o “teatro” de Cocteau, já a nível local a participação cívica pode fazer a diferença. Por isso, há que saudar as disputas eleitorais nas concelhias do PS e do PSD.

Filipe Nunes, candidato 
à concelhia do PS, 
na sua apresentação 
pública prometeu que o “candidato à Presidência 
da Câmara Municipal de Viseu deverá ser 

 Ora, este calendário é absurdo e é um valente tiro no pé.

     Qual é o socialista com envergadura política capaz de derrotar Carlos Marta que aceita ficar pendurado um ano e meio, como uma alma penada, entre as primárias na primavera de 2012 e as autárquicas no outono de 2013?
     Filipe Nunes é uma pessoa séria. Caso contrário, até pareceria — ao querer inaugurar na concelhia as eleições primárias num prazo tão apertado — que quer entregar a disputa da câmara de Viseu a algum proto-candidato seu apoiante.

Medo

Fotografia de Belen Lopez
 
Medo da confusão.
Medo de que este dia termine com tristeza.
Medo de acordar e de ver que foste embora.
Medo de não amar e medo de amar demasiado.
Medo de que o que eu ame seja letal para aqueles que amo.
Medo da morte.
Medo de viver demasiado tempo.
Medo da morte.
Isso já disse.

 
Raymond Carver


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

As Parcerias Prejuízos Públicos Proveitos Privados

Esta semana a rainha da Inglaterra, perdão o Procurador-Geral da República, em entrevista à SIC, desvalorizou as suspeições acerca do negócio das PPPPP - Parcerias Prejuízos Públicos Proveitos Privados que continuam, com a graça do divino espírito santo, a tirar futuro aos nosso filhos e aos nossos netos.

Pedro Passos Coelho, nestes "direitos adquiridos",
não mexe.
Prefere mexer nos salários e nas pensões.

"A ética da pirataria na Internet"

     É claro que as ACTA, as SOPA e movimentações parecidas de condicionamento da internet tendem a resultar em projectos de lei tipo "faz que anda mas não anda".
     À cautela, contudo, importa ter presente duas coisas básicas:
     1 — os políticos odeiam a internet;
    2 — entre perder a liberdade na rede ou mudar de políticos, só a segunda hipótese pode ser hipótese.

     Há contudo, como diz Peter Singer em "A ética da pirataria na Internet
", que arranjar uma forma de remunerar os criadores de forma a que eles possam viver do seu trabalho e há que reprimir o enriquecimento proveniente da piratagem.

Não paga 23% de IVA


Iniciação

Fotografia de Alnis Stakle



Oráculos em sonhos,
Inconscientes rituais,
Como posso possuir alma cigana,
se me prendo a tantas convenções?
Procuro um mago, um alquimista,
um pai, um guru, um artista,
Que me instrua na ciência inexata,
mas absoluta das transformações.
Que através de sua abstrata teoria,
Possa eu, luz em redoma,
transformar, não mais vil metal em ouro,
mas em amor, as paixões.
Ana Maria Ramiro


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"And Now For Something Completely Different" (#70)

Para o pós-valentim ...

Pré- Escrita

Fotografia de Hiroshi Sugimoto


Esta Saudade
de te chamar pelo nome
Este receio
de te chamar pelo nome

Esta saudade
de manter a palavra
Este receio
de apenas manter a palavra

Esta saudade de uma vida
que não dê em poema
Este receio de um poema
que antecipe a vida. 

                                                                               Ulla Hahn