sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Resgates*

* Texto publicado hoje no Jornal do Centro

     Em Maio de 2011, o nosso resgate foi formalizado num memorando de entendimento que passou a ser o programa dos nossos governos e fez do país um protectorado na mão dos credores.

     A seguir, sem surpresa, o resgate à república portuguesa virou fractal, chegando em dominó aos vários níveis de poder.
     Em Janeiro deste ano, a Madeira foi resgatada. Em troca dos 1,5 mil milhões de euros de empréstimo, Vítor Gaspar impôs subidas de impostos e um ramalhete de medidas de austeridade ao dinossauro madeirense.
     Em Agosto foi a vez dos Açores. Com menos espalhafato como aconselha a maneira de ser açoriana, Carlos César teve que fazer concessões políticas em troca de um empréstimo de emergência de 135 milhões de euros. Acabou, por exemplo, a vergonhosa eximição dos funcionários açorianos ao corte salarial feito ao funcionalismo público por Sócrates no PEC3.
     Depois do poder regional, este dominó chegou agora ao poder local. Começaram a ser assinados os resgates às câmaras. Em politiquês a operação chama-se “Programa de Apoio à Economia Local (PAEL)” e tem dois níveis de austeridade. As mais falidas vão ser obrigadas a praticarem impostos e taxas máximas, quer queiram quer não queiram.

João Lourenço, pres. da câmara de Santa Comba Dão* 
No distrito de Viseu, já assinaram Armamar, 
Lamego, Nelas, Oliveira de Frades, 
S. Pedro do Sul e 
Vila Nova de Paiva.  

Outras se seguirão 
e entre elas a 
mais desgraçada de todas — Santa Comba Dão.

     Falta já menos de um ano para as próximas autárquicas. Nas câmaras resgatadas os eleitos não vão ter margem de manobra, o PAEL vai estar para eles como o memorando de entendimento está para Pedro Passos Coelho.

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