sábado, 30 de abril de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#15)

Gestão cultural das cidades



Queima e Rebentamento do Judas

É assim em Tondela todos anos.

 No sábado de aleluia, 
são feitas as contas aos 30 dinheiros de Judas 
e tudo arde e rebenta, no fim, num fogo purificador.


Um espectáculo com mais de 200 actores, 
músicos e assistentes de cena.
Uma superprodução ACERT.


     Este ano, como não podia deixar de ser, 
foram acertadas contas 
com os judas dos bancos e do FMI:
Fotografia de João Maria Igrejas




Fica aqui, também, um vídeo da Queima de 2006, enquanto não há vídeos da de 2010:










Pequenas coisas

Fotografia de Klaus Pichler
Falar do trigo e não dizer
o joio. Percorrer
em voo raso os campos
sem pousar
os pés no chão. Abrir
um fruto e sentir
no ar o cheiro
a alfazema. Pequenas coisas,
dirás, que nada
significam perante
esta outra, maior: dizer
o indizível. Ou esta:
entrar sem bússola
na floresta e não perder
o rumo. Ou essa outra, maior
que todas e cujo
nome por precaução
omites. Que é preciso,
às vezes,
não acordar o silêncio.
                                                     Albano Martins

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Montesquieu tem muita força

     Em 25 de Março, como  foi escrito aqui logo nesse dia, foi aprovado no parlamente o "primeiro rascunho" da "certidão de óbito" da actual avaliação de professores.
     Note-se que o que está a ser aplicado nas escolas é o "simplex" que sobrou do labirinto burocrático engendrado por  Maria de Lurdes Rodrigues, uma coisa nem carne nem peixe que
não premeia nem detecta mérito docente nenhum e que faz gastar recursos às escolas, fazendo os professores cumprirem uma missa burocrática sem sentido, inecológica, que vai gastar papel e energia para nada.
     Hoje o Tribunal Constitucional, sem surpresa nenhuma, declarou inconstitucional a "revogação" da avaliação aprovada no parlamento.
     Esse acto parlamentar, de facto, desrespeitou a separação entre o poder legislativo e o poder executivo postulada por Montesquieu há mais de dois séculos e meio.
     Como, apesar de todos os remendos, a avaliação marilurdista não tem ponta por onde se lhe pegue, espera-se que, depois das eleições, se termine com o "faz-de-conta" actual e se introduza nas escolas um sistema de avaliação que, de facto, detecte, premeie e promova o mérito docente.

Árvores (#2)

Parte de um texto publicado no Jornal do Centro, em 29 de Setembro de 2006
 
     Sempre que venho do Sul, na N2, passadas as bombas de gasolina da GALP de Vila Chã de Sá, procuro-o com os olhos no fundo da recta. 
     Quer venha de longe, quer venha de perto, só sinto que estou quase a chegar a casa quando vejo aquele cedro alto que parece um cão de orelhas espetadas e boca aberta.
       Nota: Aquele cedro curioso esteve em perigo quando a estrada andou em obras. Felizmente foi preservado dentro duma rotunda.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Árvores (#1)

Parte de um texto publicado no Jornal do Centro, em 29 de Setembro de 2006

     Em poucos anos, Marzovelos transformou-se num dos maiores núcleos urbanos de Viseu, onde habitam milhares de pessoas.
     Muitas delas não sabem que, mesmo no meio da rua principal de Marzovelos, havia um grande pinheiro que era o orgulho da terra. 
A "pinheira" estava neste cruzamento



     Quando começou o “boom” da construção, a “pinheira”  — era assim que era conhecida — caiu sobre um prédio em obras.
     O Restaurante “A Pinheira”, junto ao Parque Infantil, é a única referência que ainda resta no bairro a essa árvore magnífica.
     Depois de milhões e milhões de euros de investimento público e privado, ainda não apareceu em Marzovelos nada tão bonito como era aquela “pinheira”.

"And Now For Something Completely Different" (#14)

Free as a bird in a cage



Violência urbana (#4)

Fotografia Olho de Gato

Há sol na rua

Boris Vian
Há sol na rua
Gosto do sol mas não gosto da rua
Então fico em casa
À espera que o mundo venha
Com as suas torres douradas
E as suas cascatas brancas
Com suas vozes de lágrimas
E as canções das pessoas que são alegres
Ou são pagas para cantar
E à noite chega um momento
Em que a rua se transforma noutra coisa
E desaparece sob a plumagem
Da noite cheia de talvez
E dos sonhos dos que estão mortos
Então saio para a rua
Ela estende-se até à madrugada
Um fumo espraia-se muito perto
E eu ando no meio da água seca .
Da água áspera da noite fresca
O sol voltará em breve
                                                                                     Boris Vian

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pitta, o recensador recensurado

 



     A escrita de Eduardo Pitta é muito conhecida no blogue Da Literatura (o mais socratista dos blogues). 
     Ele assina também bastas recensões no Ípsilon, onde se percebe a  sua especialidade — em Portugal, ele é "o" crítico encartado da literatura gay.


    Eduardo Pitta acaba de publicar "Desobediência", uma antologia da obra poética que foi publicando entre 1971 e 1996,  uma antologia em que o antologiado é, ao mesmo tempo, o antologiador.

     David Teles Pereira, no Ípsilon de sexta-feira santa, arrasa "Desobediência"
     Alguns excertos:
     — aliterações mal executadas: “ontem choveu chuva cinza”, “e a volúpia volatiza-se” ou “Verde de excessos/ excedidos e excessivos, em Poros.”;
     — imagens gastas ou banais: “silêncio de paredes/ brancas e esquecidas”;      
     — paradoxos muito pouco exigentes: “Audível/ o silêncio pressagia/ naufrágios” ou “Tamanho ímpeto de silêncio/ fazia imenso barulho”;
     — enunciações inconsequentes ou postiças: “Deixara em Edinburgh três irmãs,/ solteironas todas, e todas, como ela, enfermeiras/ no front norte-africano, sob Montgomery./ Retornava a York, aigrette na capeline/ e um fundado desprezo pelo nosso Observer.”.
     "Desobediência" inclui também uma “marginália crítica seleccionada” em que Eduardo Pitta dá prioridade às críticas positivas que foram saindo sobre a sua obra. 
     Ora, anexar um molho de críticas "quase sempre num sentido elogioso" numa antologia própria "não lembra ao careca", como costuma dizer o professor Marcelo. 
     David Teles Pereira chama-lhe «exercício auto-congratulatório pouco compreensível em alguém que exerce, ao mesmo tempo, actividade enquanto crítico literário.»
     Caso para dizer: o fazedor de recensões saiu recensurado.

Excepções

Mangualde — a metros dos melhores pastéis de feijão do mundo

A certidão de nascimento de Obama

Como os morcões da direita americana andam com teorias conspirativas, a Casa Branca lançou hoje este documento para o mundo:


Ou me engano muito ou as teorias conspirativas não vão acabar com isto.

Da grande página aberta do teu corpo

Fotografia de Esther Bubley
Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara


Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol


Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor
                                                                                António Ramos Rosa

terça-feira, 26 de abril de 2011

Guilherme Gomes (#4)

Guilherme Gomes na final do Portugal Tem Talento disse "Reconhecimento à loucura" 
de Almada Negreiros 
(dos 4 aos 6 minutos)



Este blogue é fã de Guilherme Gomes: aqui, aqui, aqui e aqui

Maias em Abril

Hoje na subida para o Espadanal

Há muitas viúvas em lisboa

Fotografia de Elad Lassry

há muitas viúvas em lisboa
que não voltam prá terra
apanham a pensão do estado
e brincam na língua
com os push-pops dos empregados senéques.


há viúvos a preparar mais meio século
de ventres sem pálpebras em loucuras sem barriga.


todos têm na cabeça uma planta sem ossos
a lançar na seiva
a bengala da força interior.


comem na cozinha têm uma cadeira.
têm a matemática das taxas de juro num
banco de jardim.
                                                                                          Nuno Moura

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O poder sobre o tempo

     «Os mecanismos de exclusão são hoje menos de ocupação do território do que apropriações do tempo alheio, na forma da aceleração, da impaciência ou da falta de pontualidade. É esse o novo eixo dos conflitos sociais: impor o tempo.» 
Daniel Innerarity, 
in  "O Futuro e os Seus Inimigos"
Imagem daqui

     O que é estratégico agora é o poder sobre o tempo dos outros e, como consequência, é daí que jorra  a principal fonte de conflitos. 
     As sociedades tradicionais viviam o tempo da natureza e da religião enquanto as sociedades pós-modernas têm novos "geradores do tempo"* — a economia, os "mercados", a comunicação, o trabalho.
     A polémica sobre a tolerância de ponto pascal concedida por José Sócrates, que teve análise à lupa até no Financial Times, é típica do conflito entre o tempo tradicional e o tempo pós-moderno.
     Sócrates mostrou que tem poder ainda sobre o tempo dos funcionários.
     Pouco mais poderá o próximo governo que terá como programa o que a troika FMI/BCE/CE mandar.
     Troika que se move noutro tempo, e que teve — como explica Innerarity — um poder muito maior: o poder de obrigar a manter as luzes acesas no ministério das finanças durante as "férias" da Páscoa e o poder de obrigar o INE a mudar o valor do défice e da dívida pública de 2009 e 2010 numa sexta-feira santa.

* Conceito de Jürgen Rinderspracher.

Artur Fontes, militante do PS

Imagem daqui
     O socialista de Carregal do Sal Artur Fontes foi dos primeiros a inscrever-se para falar ao Congresso do PS em Matosinhos mas não lhe deram a palavra, num circunstancialismo que ele explica no blogue Farol da Nossa Terra, ao mesmo tempo que publica o discurso não proferido

     Deixam-se aqui alguns excertos:
Artur Fontes
     «A saúde de um partido democrático, como o partido socialista, não depende apenas das suas estruturas, mas sobretudo, da qualidade dos seus membros.»

     «(...) necessário seria a existência de um clima de saber ouvir, e bem, para saber discernir. 
     Foi o que faltou a este governo cujo principal responsável foi José Sócrates.  
     Deixou de ouvir os avisos constantes dos economistas, deixou de ouvir os avisos elegantes de Mário Soares e do próprio actual Presidente da República, deixou de ouvir a própria Conferência Episcopal portuguesa (...)»

     «Não atacou o enriquecimento ilícito. 
     A despesa pública do sector público administrativo em 2003 era de 60 mil milhões de euros, actualmente são mais de 82 mil milhões.»

     «Fez promessas que não cumpriu e, mais grave ainda, não pediu desculpas ao povo português, argumentando serem sempre os outros os culpados, numa fanfarronice sem escrúpulos.»

     «(...) o partido tornou-se, assim, num veículo de propaganda governamental, à semelhança dos partidos soviéticos (...) o partido servia uma clientela política e se transformava num centro de emprego para os boys  e à cumplicidade dos dirigentes com medo de perderem os seus lugares!»

     «O partido socialista precisa de se transformar como escreveu Sophia Mello Breyner : 
     «Como casa limpa
     Como chão varrido
     Como porta aberta
     (…)
     Como página em branco
     Onde o poema emerge
     Como arquitectura
     Do homem que ergue
     sua habitação

* Tive conhecimento deste caso no blogue Beijokense.

A liberdade respira-se

Imagem daqui

Uma história exemplar
     Entrei.
     - Tire o chapéu – disse o Senhor Director.
     Tirei o chapéu.
     - Sente-se – determinou o Senhor Director.
     Sentei-me.
     - O que deseja? – investigou o Senhor Director.
     Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
     Saí.
                                                   Mário-Henrique Leiria


domingo, 24 de abril de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#13)

Política e negócios

     




     

     A mistura entre a política e os negócios é iníqua, põe o interesse público em segundo plano, e levou Portugal às portas da bancarrota.



     Numa notável entrevista de Mário Soares ao I., que não agradou nada aos socratistas, o fundador do PS fala desta dança entre negócios e política e política  e negócios:  
     
     «Quando, depois do 25 de Abril, regressei a Portugal, tanto o Zenha como eu, que éramos profissionalmente advogados, resolvemos devolver à Ordem dos Advogados os nossos cartões, porque pensámos que, sendo ministros e deputados, não devíamos continuar a ser advogados e a defender interesses privados.
 
     (...)
quem quer ganhar dinheiro a sério não deve ir para a política. Na política perde-se normalmente dinheiro, não se ganha. Foi o que sempre me aconteceu a mim. 

     (...) Não cito nomes nem me permito julgar ninguém. Limito-me a dizer que a política é uma coisa e os negócios são outra, e que não é salutar que haja confusão.»

"Bibliografia" aqui e aqui.

Segredo

Fotografia de Ferdinando Scianna


Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de Fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome — essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

                                                                               Fernando Pinto do Amaral


sábado, 23 de abril de 2011

Não há nada mais instável que o passado (#2)

     As televisões estão a anunciar que o INE espreitou por baixo de mais alguns tapetes e alterou os valores do défice e da dívida pública de 2009 e 2010.
     Isso obriga este blogue a refazer um post de 31 de Março:
Imagem daqui










As contas públicas portuguesas, seja de que ano for, nunca estão fechadas.





     Eis os "novos" défices conhecidos em 31/3 e hoje:
     2007 — passa de 2,7% para 3,1%
     2008 — passa de 3,0% para 3,5%
     2009 — passa de 9,5% para 10,0% [e alterado para 10,1% hoje, 23/4]
     2010 — passa de 6,8% para 8,6% [e alterado para 9,1% hoje, 23/4]


     Eis os "novos" números da dívida pública conhecidos em 31 de Março e hoje:
     2007 — passa de 62,7% para 68,3%
     2008 — passa de 65,3% para 71,6%
     2009 — passa de 76,1% para 82,9% [e alterado para 83% hoje, 23/4]
     2010 — passa de 82,4% para 92,4% [e alterado para 93% hoje, 23/4]
     2011 — passa de 87,9% para 97,3%

     Novas auditorias, no futuro, espreitarão debaixo de outros tapetes.

Adenda em 25 de Abril/74:
Detalhes sobre o revisionismo das contas de 2009 e 2010 num importante artigo do jornal I. de hoje: «Em nove revisões às contas de 2009 e 2010, o défice subiu 16,4 mil milhões. Em Março, governo previa dívida de 82,4% do PIB. Vai em 93%
»

Querida Marktest

     Querida Marktest, estava mesmo a precisar de uma sondagem assim como a que acabaste de publicar esta semana:
     PS: 36,1% — uma subida de 11,6%;
      PSD: 35,3% — um trambolhão de 11,4%.
    
Querida Marktest, fiquei muito contente com esta tua sondagem: é que o PS está à frente.
     Aproveito agora que Sócrates está outra vez por cima para explicar as três razões porque pertenço à minoria de 6,7% de socialistas que não votaram nele para líder do PS:
     1 — Não votei em José Sócrates porque ele não ama a liberdade: o seu fetichismo tecnológico, feito por ajuste directo, entre a conveniência do estado ou a vida dos cidadãos, optou sempre pela conveniência do estado (as portagens big-brother das SCUT são um triste exemplo);
     2 — Não votei em José Sócrates porque ele mistura sempre a política e os negócios: as PPPPP - Parcerias Prejuízos Públicos Proveitos Privados, cozinhadas nos escritórios judiciosos da grande advocacia, tiraram futuro aos nossos filhos e  aos nossos netos;
     3 — Não votei em José Sócrates porque ele levou o país às vésperas da bancarrota: nos últimos três anos,  a dívida pública portuguesa passou de  68,3% do PIB para 92,4%*.
     Querida Marktest, tem uma Páscoa muito docinha e, mais uma vez, muito obrigado por esta sondagem que me deixou — militante socialista com as quotas em dia — muito feliz.
     Do amigo muito grato
     Joaquim Alexandre Rodrigues

Adenda: 93% (segundo o último cômputo do INE, imposto pela troika).

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Your Android is watching You!

     Afinal, não são só os iPhone a recolherem dados sobre a localização dos utilizadores.
     A Google com os seus Android faz o mesmo.
     O The Wall Street Journal explica como desactivar estas funções Big-Brother aqui.

Sobrevivo

Cristo Amarelo, Gauguin

Sobrevivo
assim
casa vazia
em vasto mundo.


E tu mais dócil
em teu fiel
e paciente inferno
de enormes estrelas.


Sono de morte
sou voo raso
adagio breve
salmo e nostalgia.


Aqui nascemos
e voltamos
mortos
na memória
doce espiral,
de um tão
escasso fulgor.
                                   Ana Marques Gastão

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Your iPhone is watching you!


     O Guardian informa que o iPhone regista todas as movimentações do aparelho, com data e hora.
     É só cair em mãos erradas e todas as movimentações do dono do aparato passam a ser conhecidas.
     Um mapa publicado pelo jornal britânico explica o que está em causa:

Adenda em 22 de Abril, 19:20:
Afinal, segundo o The Wall Street Journal, a Google com os seus Android faz o mesmo que a Apple. Conferir aqui.

M12M - Movimento 12 de Março



No Facebook.

"And Now For Something Completely Different" (#12)

Porque desprezam tanto o coelho?
É tão injusto...
Boa Páscoa!

No PS, Teixeira dos Santos foi corrido ...


Entretanto, os jornais contam mais 
prodígios das listas do PS:
















Paris candidata-se
por Lisboa.













 
vergonha
na cara pouca.

A Cidade dos Mortos

     Em 1986, no arranque da Rádio Noar, eu e o Armando Ferreira entrevistámos o arquitecto José Perdigão, uma longa e interessante conversa à volta do viver a cidade e o urbanismo.
     O assunto principal era mesmo esse: a assumpção do orgulho da cidade, coisa necessária naqueles tempos em que Viseu vivia um universo mental tipo "rossio nas aldeias", teias de aranha mentais que causavam urticária na Rádio Noar, rádio que se dizia e se queria "a rádio no coração da cidade!"
     A conversa fluiu boa e agradável. 
     O arquitecto José Perdigão na altura ainda não fazia os excelentes néctares que faz agora mas já  era o que é hoje: um bom profissional e um excelente conversador.
     A certa altura na entrevista, perguntei-lhe porque tinha feito e dava tanto destaque no seu curriculum a três jazigos.
     «Porque os cemitérios são as cidades dos mortos», respondeu-me ele.  Nunca mais me esqueci daquela resposta.
     Lembrei-me desta frase de José Perdigão esta semana ao ver, no Cine Clube de Viseu, o documentário de Sérgio Tréfaut, "A Cidade dos Mortos".
     No Cairo os cemitérios são as cidades dos mortos. E dos vivos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Espelho e signo

Mulher em pé frente ao espelho (1841) *
     «No seu livro "Sugli specchi e altri saggi", [Umberto] Eco explica-nos porque é que os espelhos não produzem signos ( isto é, escapam à representação):
     a) porque a imagem especular está presente e em presença de um referente que não pode estar ausente;
     b) porque a imagem é causada pelo objecto e não se pode produzir na ausência do objecto;
     c) porque não se pode mentir com e através da imagem especular;
     d) porque a imagem especular não tem em si mesma qualquer conteúdo (não conta uma história);
     e) porque a imagem especular não é interpretável;
     f) porque a imagem especular não estabelece uma relação entre tipos mas apenas entre ocorrências: um corpo face a outro, únicos.»
Eduardo Prado Coelho,
in jornal Público, 12 - 10 - 1996


* Quadro de Christoffer Wilhelm Eckersberg

Book domination

     Numa biblioteca escolar em Viseu (Portugal), onde deveria reinar o silêncio, existe um mundo paralelo ao "nosso".


Filme feito pelo 12º Q
Escola Secundária Alves Martins, Viseu

Nota: o muito e bom trabalho das bibliotecas escolares do país pode ser visto e votado aqui.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Formigueiro Web 2.0

     O FBI acaba de pedir ajuda global, via internet, para a decifração deste manuscrito, conhecido por Código de McCormick.
      Explica o Expresso que "em 30 de junho de 1999, Rick McCormick, 41 anos, vagabundo e ex-presidiário, foi encontrado morto num campo de milho" com uma folha manuscrita cheia de códigos que resistem há 12 anos à decifração.
        A internet é um formigueiro de milhões e milhões de pessoas que formam uma diligente e extraordinária máquina de verificação de factos (também de criação de factos, mas isso são contas de outro rosário).
     Um exemplo clássico desta capacidade da web 2.0 é a bronca em que a CBS caiu ao ter apresentado, em 2004, documentação sobre a vida militar de George W. Bush que era apócrifa
     Foi o formigueiro da blogosfera e dos foruns da internet que em poucas horas percebeu o anacronismo dos documentos Killian
     O caso acabou por custar o emprego do velho Dan Rather da CBS.
     Caro leitor, tente desvendar o enigma McCormick. 
     É que pode ser um mapa de um tesouro.

Uma pergunta para começo de conversa

Imagem daqui
Almeida Henriques, 
caso seja eleito, vai ser deputado em exclusividade ou vai exercer outras funções remuneradas em acumulação?

José Junqueiro, 
caso seja eleito, vai ser deputado em exclusividade ou vai exercer outras funções remuneradas em acumulação?

Hélder Amaral, 
caso seja eleito, vai ser deputado em exclusividade ou vai exercer outras funções remuneradas em acumulação?

Rui Costa, 
caso seja eleito, vai ser deputado em exclusividade ou vai exercer outras funções remuneradas em acumulação?

Manuel Rodrigues, 
caso seja eleito, vai ser deputado em exclusividade ou vai exercer outras funções remuneradas em acumulação

Adenda às 19:10:

— Meus caros, precisam de explicar também aos vossos colegas de lista que devem responder com transparência sobre isto aos cidadãos.
— "Bibliografia" complementar aqui.

Da velocidade do travão

Imagem daqui
     "Tomando como exemplo o facto de que os veículos munidos com travão correrem com maior velocidade precisamente porque o têm, já nos advertia para a possibilidade de o intuito de eliminar todas as barreiras de aceleração (o desenfreamento do «mercado total») nos conduzir precisamente ao oposto: à desaceleração económica em termos de recessão e depressão."
in O Futuro e os seus Inimigos
de Daniel Innerarity 

Música luz

Hora secreta
e inúmera
flamejante som
música longínqua
que já ecoa
e enternece.
Nova cada dia
fugacíssima
faúlha súbita
num incessante
fogo
perpassando a ferida
nos alvéolos do instante.


Ah! Que maré
tão de prata.
Ser um momento
cântico dos dias
alaúde
nocturnal
asa de silêncio
revelação

duma verdade bela.
Só e extinguir-se.
                                                            João Martim



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Viseu, distrito livre de páraquedistas políticos

Aleluia!
Pela primeira vez nesta terceira república 
todos os cabeças de lista dos partidos
com assento parlamentar são capazes de ir, 
por exemplo, de Vouzela a Tabuaço
sem precisarem de GPS.


Almeida Henriques — PSD


José Junqueiro — PS

Hélder Amaral — CDS



Rui Costa — BE

Manuel Rodrigues — PCP











Adenda às 15H10:
     Afinal este blogue deitou foguetes antes da festa. 
     Segundo o sempre bem informado blogue "Viseu, Senhora da Beira", o PSD apresenta, em segundo lugar na lista, um páraquedista ainda por cima de segunda linha.

O real tem muita imaginação *







     «A imaginação da realidade é sempre maior que a da teoria, umas vezes para pior, mas frequentemente para o melhor.
     Há esperança.»

Sir Ralph Dahrendorf



* Título da primeira crónica Olho de Gato, publicada no Jornal do Centro, em 29 de Março de 2002

Crise sistémica global

Imagem daqui
     O Laboratório Europeu de Antecipação Política (LEAP/E2020) acaba de publicar o seu boletim de Abril.
     Nele prevê uma muito séria disrupção dos sistemas mundiais económicos, financeiros e monetários e que esta grave deterioração ["Very Serious Breakdown"] "vai ocorrer no Outono de 2011."
     Diz ainda: "as consequências monetárias, financeiras, económicas e geopolíticas desta "muito séria deterioração" vão ser de proporções históricas e vão mostrar o que a crise do Outono de 2008 verdadeiramente foi: um simples detonador."

Rosas miúdas: cores

Anita Ekberg (imagem daqui)
Rosas miúdas: cores
contra o azul.
Era tão-somente
o lençol.
Mas que teu corpo nu,
estendido por sob,
supunha ser,
imagino assim,
a primavera.


É o que explicaria, talvez,
o modo ameno de os seios
e tudo o mais
respirarem como águas de um lago.
Águas meio animais:
mansos cães dormindo.
Ou: caminhando.
Devagar,
por entre aleias.
                                                         Eucanaã Ferraz


domingo, 17 de abril de 2011

Alka Seltzer e água das pedras para os socialistas de Leiria, por favor!

      Quando o agora cabeça de lista do PS por Leiria Basílio Horta, num debate das presidenciais de 1991, se virou para Mário Soares e disparou:
     «— O senhor viaja demais à custa do erário público!»
     Mário Soares olhou para a basilar figura como quem olha para o voo e um zumbido de mosquito e replicou:
     «— Ai é?! Pois fique sabendo que nunca mais o levo!»


Nota: História e fotografia respigadas aqui, no blogue Marx no PS.

Paulo Campos

Imagem daqui



... o secretário de estado dos "chispes" das matrículas, 
o político sempre 
amigo de seu amigo
é o páraquedista do PS 
no distrito da Guarda, 
terra atravessada pela A23 e pela A25.


Porreiro, pá!

Excelentíssima câmara municipal de Viseu

em quantidade e em qualidade, 
mas tenha cuidado, não abuse da dose ...