quinta-feira, 31 de março de 2011

Puro prazer (#2)

Imagem daqui
     Já se sabia há muito tempo que o secretário de estado Paulo Campos tem um "toque de Midas" especial: quem convive com ele fica bem na vida.
     No dia 9 de Novembro de 2010, soube-se que os ex-sócios  de Paulo Campos na empresa Puro Prazer estavam bem, graças a Deus! Na administração dos correios.
     Hoje, dia 31 de Março de 2011, soube-se que um dos ex-sócios de Paulo Campos da Puro Prazer andou a cursar um curso bem cursado durante oito anos e tirou muitas cadeiras. Mas saiu da administração dos correios.

Não há nada mais instável que o passado

Imagem daqui










As contas públicas portuguesas, seja de que ano for, nunca estão fechadas.




     

     Eis os "novos" défices conhecidos hoje:
     2007 — passa de 2,7% para 3,1%
     2008 — passa de 3,0% para 3,5%
     2009 — passa de 9,5% para 10,0%
     2010 — passa de 6,8% para 8,6% 

     Eis os "novos" números da dívida pública:
     2007 — passa de 62,7% para 68,3%
     2008 — passa de 65,3% para 71,6%
     2009 — passa de 76,1% para 82,9%
     2010 — passa de 82,4% para 92,4%
     2011 — passa de 87,9% para 97,3%

     Novas auditorias, no futuro, espreitarão debaixo de outros tapetes.

Nota: dados a cinzento claro acrescentados em 1 de Abril,  a partir da edição em papel do jornal Público.

Ao cuidado dos lampiões que visitam este estabelecimento

Judiciosices

     Ontem no parlamento, durante o debate que revogou "o decreto-lei do Governo que aumentou os limites para a autorização de despesa", os argumentos de todos os partidos da oposição foram parecidos.
     A certa altura, o deputado  Francisco Madeira Lopes referiu que uns larguíssimos milhões de euros do ministério do ambiente foram adjudicados directamente a «uma conhecida grande sociedade de advogados de que não é necessário dizer o nome porque toda a gente já está a perceber qual é...»
     Ninguém no parlamento perguntou ao deputado de Os Verdes qual era tão judicioso escritório de advogados.

Ciúmes


 Ele: «Tu tens o teu Facebook cheio de gajos...»

Ela: «E tu tens o teu Facebook cheio de gajas...»

quarta-feira, 30 de março de 2011

Um pleonasmo redundante

Capa do Jornal da Beira, edição de 31 de Março


      Nos jornais, e não só, a luta contra as gralhas, as distracções, os enganos, os equívocos, é uma luta terrível, cheia de tropeções. 
     Um dos meus últimos falhanços em matéria de gralhas — e que me doeu muito... — foi ter deixado passar a palavra "capitãos". 
     Mais bicharocos gralhudos destes hão-de vir no futuro.

     A Colecção de Arte Sacra da Diocese de Viseu, inaugurada no sábado no Seminário, merece visita atenta, como já foi dito aqui ontem neste post.

Cuba *

* Parte de um texto publicado no Jornal do Centro, em 9 de Junho de 2006

     Recebi um e-mail da Embaixada de Cuba em Portugal a discordar do Olho de Gato de 28 de Abril, intitulado “Havana Blues”. 
     Penso que foram as palavras finais daquela crónica que mais incomodaram a Embaixada de Cuba. Recordo-as: “É um dilema dali, de Cuba, daquela gente, daquele país congelado, à espera que a biologia cumpra o seu papel e Fidel Castro saia de cena. De vez.”
     Agradeço a atenção com que Mercedes Martínez Valdês, Conselheira da Embaixada de Cuba, leu aquele Olho de Gato.
     Ela aponta o bloqueio americano como o causador dos males que sofre Cuba. O bloqueio americano é, de facto, um erro que causa grande sofrimento ao povo cubano. 
Imagem daqui
     Penso que, se os americanos tivesse mudado de política quando terminou a Guerra Fria, Cuba já seria uma democracia.
     Assim, a má sorte dos cubanos é dupla: dum lado, sofrem o bloqueio americano; do outro, vêem eternizar-se o regime castrista, muito para além do seu prazo de validade. É que Fidel é exímio a aproveitar todo o “capital de queixa” que os cubanos têm dos “gringos”.

Havana Blues *

* Texto publicado no Jornal do Centro, em 28 de Abril de 2006

     1. Vi “Havana Blues” numa sessão do Cine Clube de Viseu. Este filme foi realizado por Benito Zambrano, um espanhol nascido na Andaluzia e que fez os seus estudos de cinema em Cuba.
     Em Espanha, “Havana Blues” foi visto por mais de 300 mil pessoas, na altura do seu lançamento, na Primavera de 2005.
     Em Portugal, este filme está a ter uma carreira comercial modesta e é pena. É um bom filme a ver em cinema ou em DVD; a banda sonora de “Havana Blues” merece também ser metida num CD ou num MP3 para alegrar as nossas viagens de carro. 

     2. O filme mostra-nos o underground musical de Havana. Os protagonistas, Ruy e Tito, têm um sonho: sair de Cuba e triunfar na cena musical internacional.
     O realizador diz que Cuba é só o cenário e que o filme fala daquilo que circula dentro das veias de todos os humanos: o amor, o ciúme, a amizade, o medo, o desejo de triunfar, a dúvida. Benito Zambrano diz: “o meu filme é sobre sentimentos universais”. Isso é verdade e o filme é belo por isso.
     Mas Cuba não é só o cenário do filme. A ditadura cubana obriga aquelas personagens àquela vida. Comove ver aquela gente ser assim, apesar de Fidel. Mas a vida daquela gente é assim por causa de Fidel.

     3. O mais insuportável nas ditaduras é que elas colocam os seus cidadãos perante dilemas morais todos os dias. Era assim, antes do 25 de Abril de 1974, em Portugal, terra de medos e de bufos da Pide.


     É assim ainda em Cuba. Como é evidente, não vou revelar no Olho de Gato qual é o dilema que é colocado no filme a Ruy e Tito. É um dilema dali, de Cuba, daquela gente, daquele país congelado, à espera que a biologia cumpra o seu papel e Fidel Castro saia de cena. De vez.

Para usar nas próximas eleições antecipadas?


Adenda às 13H30: boletim de voto achável aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Como é que se diz Magalhães em polaco?

     
     O governo polaco pretende dar 350 mil computadores ao alunos do 1º ano da escola primária.
     As operadoras de telemóveis financiarão a operação através das taxas de licenciamento de 3G.
     Não se sabe se o governo polaco tem lá uma JP Sá Couto ou vai importar a nossa.

Colecção de Arte Sacra - Seminário Maior de Viseu

Fotografia de Tiago Virgílio Pereira
Inaugurada no sábado, 
com uma muito boa narrativa museológica.


Visita obrigatória que deve contemplar, também, as escadas suspensas do Seminário, um arrojo arquitectónico do século XVIII que conheceu 
obras melindrosíssimas um século depois,
como explica o AJ@ aqui.

Guilherme Gomes (#3)

     É uma história muito conhecida.
Imagem daqui
     Em 1949, Nora Mitrani, surrealista francesa, passou por Lisboa e foi um relâmpago naquela Lisboa provinciana e foi uma paixão forte, um arco-íris na vida de Alexandre O'Neill.
     O poeta foi ao governo civil para tirar o passaporte mas alguém da sua família não queria que ele fosse atrás da francesa, meteu uma cunha na PIDE, e o passaporte foi negado a O'Neill.
     O poema Adeus Português conta isso — conta esse amor negado pela estreiteza de um Portugal burocrático e fechado.
     Guilherme Gomes disse Adeus Português no Portugal Tem Talento.
     Este blogue é fã de Guilherme Gomes: ver aqui e aqui.

Da carpição

Imagem daqui

     
«As manifestações ostentosas da dor já não são toleradas numa sociedade de higiene agnóstica, ou melhor, são vistas como uma relíquia dos anteriores costumes "mediterrânicos".

     
São os funerais da máfia que ainda preservam a desolação extravagante  dos românticos.»

in De Mortuis,
George Steiner

"And Now For Something Completely Different" (#7)

Ele está limpo,
ele está há 5 meses e 17 dias sem Facebook,
ele está contente ...

segunda-feira, 28 de março de 2011

IMI - o fim do oásis

     Os PECs, que têm desabado a um ritmo trimestral sobre os portugueses em geral e a classe média em particular, são a aplicação da receita do FEEF*/FMI sem o dinheiro do FEEF*/FMI.
     Como é sabido, houve uma operação de resgate à Grécia em Maio de 2010, de 110 mil milhões de euros e outra à Irlanda em Novembro de 2010, de 85 mil milhões de euros. 
     Estes 195 mil milhões de euros compraram tempo aos dois países que, durante três anos, ficaram ao abrigo dos mercados, com custos de financiamento à roda dos 5,5%.
     Os programas de austeridade dos dois países não são muito diferentes  se os compararmos entre si ou com os quatro PECs portugueses.
     Os três países aumentaram impostos e diminuíram salários dos funcionários públicos e as prestações sociais.
Imagem daqui
     Na vertente "aumento de impostos" só há uma diferença qualitativa entre os países já resgatados e Portugal: José Sócrates ainda não subiu os impostos sobre o imobiliário, facto a que não será alheio o centralismo do país. O IMI (e o IMT)** é receita municipal, não é receita central.
     Só que este oásis vai acabar. 
     Não são boas as perspectivas para quem tem hipotecas:  para além da subida das prestações por causa do aumento dos juros, há que contar  também com aumentos de impostos sobre o imobiliário. 
     No PEC5 ou no PEC6. 
     Que é como quem diz, em 2012.

* FEEF — Fundo Europeu de Estabilização Financeira
** Acrescentado "(e o IMT)", às 14:36.

Mito

Virá o dia em que o jovem deus será um homem,
sem sofrimento, com o morto sorriso do homem
que compreendeu. Também o sol se move longínquo
avermelhando as praias. Virá o dia em que o deus
já não saberá onde eram as praias de outrora.
Imagem daqui
Acorda-se uma manhã em que o Verão morreu,
e nos olhos tumultuam ainda esplendores
como ontem e no ouvido os fragores do sol
feito sangue. A cor do mundo mudou.
A montanha já não toca o céu; as nuvens
já não se amontoam como frutos; na água
já não transparece um seixo. O corpo dum homem
curva-se pensativo onde um deus respirava.


O grande sol acabou, e o cheiro da terra
e a rua livre, colorida de gente
que ignorava a morte. Não se morre de Verão.
Se alguém desaparecia, havia o jovem deus
que vivia por todos e ignorava a morte.
Nele a tristeza era uma sombra de nuvens.
O seu passo pasmava a terra.


Agora pesa
o cansaço sobre todos os membros do homem,
sem sofrimento: o calmo cansaço da madrugada
que abre um dia de chuva. As praias sombreadas
não conhecem o jovem a quem outrora bastava
que as olhasse. Nem o mar do ar revive
na respiração. Cerram-se os lábios do homem
resignados, para sorrir frente à terra.
                                                                                                Cesare Pavese

domingo, 27 de março de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#6)

Era comunista porque...

     «Era comunista porque o cinema o exigia, o teatro o exigia, a pintura o exigia, a literatura também.»

     «Era comunista porque era rico mas amava o povo.»

     «Era comunista porque era tão ateu que sentia a necessidade de outro Deus.»

     «Era comunista porque "a burguesia, o proletariado, a luta de classes, carago!"»

The Road Not Taken

Imagem daqui
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;


Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,


And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.


I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I —
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
                                                                                                  Robert Frost

sábado, 26 de março de 2011

Notícias da Albânia (#2)

     No primeiro dia de votos nas eleições internas do PS, José Sócrates está com mais de 90% dos votos.
     Hoje, segundo e último dia eleitoral, os resultados serão da mesma ordem de grandeza.
     António José Seguro tem falta de comparência neste combate que era de agora e não de um mais tarde que poderá ser demasiado tarde. Porque ele não pode estar conformado com "o que está" socialista.
     Uma coisa é certa: este congresso é a véspera de um outro que vai ser bem mais amargo que este. Espera-se que seja menos albanês.
     O partido fundado por Mário Soares precisa de ser reconduzido aos seus valores matriciais: a liberdade, a defesa dos mais fracos e a independência perante o poder económico.

Acobracias

Três estudos para uma crucificação #1 - Francis Bacon 
Sentados em Trafalgar Square
no intervalo de amigos
com o tempo entre as mãos
treinávamos o nosso inglês
num inquérito de revista
com Francis Bacon na capa
que perguntava:
qual dos membros
- superiores ou inferiores -
preferíamos perder
(esta ablação em língua estrangeira
tornava-se indolor, quase anestesiada)
respondeste: os braços
as pernas conservá-las-ias
como a liberdade de poder andar
respondi: as pernas
não queria ver-me
impedida de abraçar.
Assim juntando as nossas
perdas
eu abraço-me a ti
e peço-te anda, mostra-me o mundo
e quando nos cansarmos
abraçar-me-ás, então, com as pernas
e eu
andarei com os braços.

                                                                         Ana Paula Inácio


sexta-feira, 25 de março de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#5)

A "avaliação" dos professores

A "avaliação" de professores que Maria de Lurdes Rodrigues importou do Chile era um labirinto impraticável  que foi tendo sucessivas versões mais ou menos "simplex". Restou, no fim, um faz-de-conta que manteve professores de alhos a avaliarem professores de bogalhos.
     
Esta "avaliação" de professores não acrescentou nada às escolas e não premeia nem tão pouco detecta o mérito docente. É um cadáver adiado que conhece hoje no parlamento um primeiro rascunho da sua certidão de óbito.
     
Isabel Alçada — honra lhe seja feita! — neste ano e meio de governo conseguiu devolver senso ao ministério e recuperá-lo do desastre ecológico marilurdista. O desgosto que exprime hoje na imprensa é só política de serviços mínimos. Ela própria deve sentir-se aliviada.
     
A ministra sabe que a burocracia avaliativa só serviu para piorar o funcionamento das escolas porque deixou um vazio onde antes havia uma cultura assente na cooperação e entre-ajuda dos professores para a resolução dos problemas.
     
Depois deste desgraçado processo vai-se chegar à conclusão do costume: não há nada mais corrosivo que uma "engenharia social" vanguardista fechada nas suas teorias insensatas.

A mal casada

Imagem daqui
«Dizes-me que Juan Luis não te compreende,
que só pensa nos computadores
e de noite não faz caso de ti.
Dizes-me que os teus filhos não te ajudam,
só dão problemas, aborrecem-se
com tudo e que estás farta de aturá-los.
Dizes-me que os teus pais estão velhos,
que se fizeram mesquinhos e egoístas
e que já não és como dantes a sua menina.
Dizes-me que fizeste trinta e cinco
e não é fácil começar de novo,
que os únicos homens que conheces
são os colegas de Juan na IBM
e que não gostas de executivos.
E eu, o que é que eu faço nesta história?
Que queres que eu faça? Que mate alguém?
Que faça um golpe de estado anarquista?
Amei-te como um louco. Não o nego.
Mas isso foi há muito, quando o mundo
era uma reluzente madrugada
que não quiseste partilhar comigo.
A saudade é um passatempo tosco.
Volta a ser a que foste. Vai ao ginásio,
pinta-te mais, disfarça as rugas
e veste roupa sexy, não sejas tonta,
pode ser que Juan Luis volte a mimar-te,
e os teus filhos vão acampar
e os teus pais morram.»
                                                                                            Luis Alberto de Cuenca

quinta-feira, 24 de março de 2011

Da autoridade

      «As eleições conferem legitimidade a um poder; não criam uma autoridade. O sentido é outro. As eleições conferem legitimidade a uma autoridade que já existe.
     Contudo, as eleições podem constituir num mesmo acto a transmissão da legitimidade e o acto de reconhecimento que finaliza o processo de autoridade.
     Em termos mais simples, pode dizer-se que um político que vença umas eleições não se vê revestido de autoridade pela quantidade maioritária dos sufrágios que obteve. 
     Ele obteve uma maioria dos sufrágios porque já detinha uma autoridade superior à dos seus concorrentes.»
in Autoridade
de Miguel Morgado

O apelo de Lisboa

     Enquanto, em 2005, o PS-Viseu estava muito mal colocado junto de José Sócrates, agora o PSD-Viseu está muito bem colocado junto de Pedro Passos Coelho.
     O PSD-Viseu foi um dos esteios da vitória  interna do líder   do PSD.
     Ora, isso vai ter consequências e uma delas é óbvia: Fernando Ruas vai deixar a câmara de Viseu na mão de Américo Nunes ainda este ano. 
Foto: Nuno Ferreira

     Ruas não vai resistir ao apelo de Lisboa.
     Pena o PS concelhio não poder dizer grande coisa  quando isso acontecer porque tem um telhado de vidro enorme chamado Miguel Ginestal que não honrou o voto dos viseenses que nele votaram e, ainda por cima, deixou a substituí-lo na câmara de Viseu uma liderança pífia .

Quem bebe


Fotografia Olho de Gato

Quem bebe água exposta à lua sazonal depressa:
olha as coisas completas
O barro enlaça a água que suspira lunarmente
que impregna o barro com a sua palpitação
aluada.
São uma coisa única
e plena: uma bilha. Quem bebe e olha
fica
misterioso, maduro.
Tudo se ilumina da altura de uma pessoa imóvel.
Quem se dessedenta delira,
vê a obra:
O que se bebe das bilhas que a lua
enaltece — água e nome
na boca. 
Herberto Helder


quarta-feira, 23 de março de 2011

José Junqueiro

Um testemunho público depois da rejeição do PEC4 no parlamento:

2000 — 2002
Um bom 
Secretário de Estado da Administração Marítima e Portuária 

2009 — 2011
Um muito bom 
Secretário de Estado da Administração Local


terça-feira, 22 de março de 2011

PEC 4.2

     Conhecida ontem, a versão 4.2 do PEC reza assim na página 57:
    «A ligação de alta velocidade a Madrid, o investimento no novo aeroporto de Lisboa, o reforço das redes de logística e portos, são exemplos de investimentos que promovem a internacionalização e a produtividade da economia portuguesa.»

A luta é alegria

O CDS também já tem o seu Jel.


Achado no Viseu, Senhora da Beira.

Samsung Galaxy Tab 8.9 e Galaxy Tab 10.1

Concorrência ao iPad 2 a caminho



Anunciado em conferência de imprensa, hoje:
8.9 --- 16GB: $469; 32GB: $569. 
10.1 -- 16GB: $499; 32GB: $599.
Lançamento em Junho.

Das vulnerabilidades

Imagem daqui
     «Na actual conjuntura, existem vulnerabilidades decorrentes de várias fontes.
     O passivo externo português (público mais privado) atinge 300% do PIB, a que corresponde um dívida externa líquida de 85% do PIB, tornando o país mais sensível às percepções de risco internacional.


     As actividades bancárias estão muito expostas no mercado, com uma alavancagem média de 130% no ratio empréstimos/depósitos.
     Desde meados de 2010, o acesso dos bancos portugueses ao mercado grossista interbancário de médio e longo prazo está severamente restringido.»
in PEC4 enviado à "Europa",
versão 4.1, de 11 de Março de 2011

Deus certamente, o diabo provavelmente

Nathan Coley
1
Odeio
quem me ama
e os que me procuram
de madrugada
não me acham


2
Se estou bem
é culpa de Deus
se estou mal
a culpa é minha


3
O que
tenho a dizer
grito-o
do alto dos telhados


4
Quem
muita sacha
muita acha
(a viúva
não sabe
da peúga)


5
Não é
com as pernas
que se fazem
as merdas
(é com a alma)
                                    Adília Lopes

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sado - maso

Imagem daqui






Vai haver um pórtico na A25 muito perto dos radares da "bossa do camelo".


  
     Paulo Campos, o sádico, vai dizer aos automobilistas:
     «Paga, não bufes, e, se passares dos 80, ainda pagas mais!»
     Ao que o povo, masoquista, vai responder:
     «Sim, senhor secretário de estado dos "chispes" das matrículas

Sporting

Coisas amargas recebida por e-mail.

Politiquês

     Um sistema de comunicação avaria quando as palavras que usa atropelam de uma forma irreparável o seu sentido.
     A novilíngua da política portuguesa chama "PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento" a isto:

     Uma eventual nova política vai ter que criar um novo sistema de signos, isto é, uma nova linguagem.

O novo homem

 Blind Power (Rudolf Schlichter, 1937)
O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como flor
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
"Nove meses, eu?
Nem nove minutos."
Quem já conheceu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem-posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.
                                                Carlos Drummond de Andrade

domingo, 20 de março de 2011

Cantiga para não morrer

Imagem daqui
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.


Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.


Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.


E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
                                                                               Ferreira Gullar

O comboio de Viseu

     Contrariamente à informação que recebeu do governo, caro deputado Hélder Amaral, o comboio de Viseu está perfeitamente operacional, como pode verificar aqui.

sábado, 19 de março de 2011

Um pesadelo

     Como é sabido, estão previstas portagens nas SCUT a partir de 15 de Abril. Já falta menos de um mês.
     A A25 não tem alternativa. A excelente que existia — o IP5 — foi destruída em grande parte ao fazer-se a auto-estrada por cima. 
     Já a alternativa à A24 também não está grande coisa. Esta semana fiz a velha e mítica N2 entre Viseu e Lamego. Deu para fazer uma avaliação sofrida  daquela estrada. Sofrida porque, apesar de ir devagar,  não consegui evitar todos os buracos e armadilhas do piso.
     Pode-se afirmar que a qualidade da N2 entre Viseu e Lamego oscila entre o regular (±50%), o mau (±30%) e o muito mau (±20%). Esta estrada não está em condições para acomodar o aumento de tráfego que vai ocorrer a partir de 15 de Abril.
    Todas as estradas adjacentes às SCUT vão ter um grande aumento de tráfego, tráfego também muito aumentado de pesados.
     A edição de hoje do Expresso traz uma entrevista com José Luis Simões, administrador de uma das maiores empresas de transportes do país:
    P.: Que pensa das portagens para as SCUT?
    R.: Politicamente não as quero avaliar mas é desastrosa para algumas regiões, e insustentável para os operadores.
    P.: Quer isso dizer que, quando houver portagens nas SCUT, os pesados vão voltar à rede antiga?
    R.: Sempre que houver alternativa e for possível. Não temos preço para utilizar estradas com portagem. Mas temos de ver e contabilizar os descontos agora prometidos.
     Que não haja dúvidas: a partir de 15 de Abril, circular em muitas das nossas estradas nacionais e municipais vai ser um pesadelo.

A Presença das Formigas

A Presença das Formigas deu ontem um concerto memorável no Lugar do Capitão, em Viseu.

É especialmente memorável nas 
canções que contam histórias.

Estes sete músicos de eleição lançam um CD 
na próxima semana.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A mensagem do mensageiro não é uma mensagem sobre o mensageiro

Ontem António Costa disse cobras e lagartos sobre a capacidade de comunicação de Teixeira dos Santos.

Ora, Teixeira dos Santos comunica bem.

O que não é possível é dourar uma pílula chamada PEC4.

"And Now For Something Completely Different" (#3)

Comboios *

* Publicado hoje no Jornal do Centro.

     1. No dia 17 de Março de 1907, há exactamente 104 anos e um dia, realizou-se em Mangualde um grandioso comício acorrido pelo povo de todos os aderredores.
     Presentes as forças vivas da região: deputados eleitos por Viseu e Guarda, presidentes das câmaras de Mangualde, Viseu, Gouveia, Penalva do Castelo e Manteigas. Os governadores civis de Viseu e Guarda não estiveram presentes mas fizeram chegar o seu apoio por telegrama, para júbilo e hurrahs! dos presentes.
     A região juntou-se toda para exigir a construção de uma linha férrea de Gouveia a Viseu. O deputado Rodrigues Nogueira, num discurso informado e eloquente, alinhou números, razões, demonstrando o atraso da região centro sempre desprezada pelos governos.
     Esta e muitas outras histórias podem ler-se no excelente “Viseu – Roteiros Republicanos”, de António Rafael Amaro e Jorge Adolfo Meneses, editado no ano passado por ocasião do centenário da república.

     Passaram os anos, passaram empenhos e manifestações. Os lamentos nos jornais continuaram: “Nenhuma cidade de Portugal, da categoria de Viseu, deixa de ser servida por um caminho-de-ferro de via larga.”
     Desde 1989 ainda é pior: nem via larga, nem via estreita.
     No início do século XX, foram feitos projectos para várias linhas e que foram aprovados pelos governos:
     (1) Gouveia – Mangualde – Viseu;
     (2) Régua – Lamego - Tarouca – Moimenta – Sernancelhe – Vila Franca das Naves;
     (3) Viseu – Sátão – Aguiar da Beira – Ponte do Abade – Vila da Ponte – Foz Tua.
     Como se vê, a coisa não é só de agora. Viseu sempre teve muitos comboios. 
     De papel.

     2. Na manifestação da Geração à Rasca em Viseu, uma jovem subiu ao palco e gritou: “Não queremos socialismo, queremos igualdade!”
     Ela queria, com aquele “socialismo”, dizer PS. E foi muito aplaudida.
     O PS pós-socrático não vai ter vida fácil.

Adenda às 14H10:  
Em Fevereiro de 1866, uma "commissão" presidida pelo "sr. deputado Thomaz Ribeiro" pedia "que o caminho de ferro da Beira se avisínhe quanto possível da cidade de Vizeu".
O ministro ouviu os pedidos "com benevolência". 
In Viseu, Senhora da Beira, através do Antikuices.

quinta-feira, 17 de março de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#2)

Baralhar-e-dar-de-novo



Informa o 
que nove museus  deixam de reportar ao ministério e passam a reportar às direcções regiões da cultura .

Porquê estes museus? 
Porque não outros?
Para quê?

     
Esta medida do ministério da cultura é o costume. Cada ministro retalha o país como quer sem qualquer lógica integradora. É o costumeiro baralhar-e-dar-de-novo à vontade-do-freguês. Mudam-se os nomes às instituições, reformulam-se os ordenamentos jurídicos, reconfiguram-se as obediências hierárquicas  e isso faz notícia.
     
Em resumo: finge-se que se está a governar  enquanto se derretem recursos e as máquinas burocráticas perdem automatismos e rotinas. 
     
A  dotação orçamental da cultura tem caído sempre nos últimos anos e está cada vez mais longe do 1% do orçamento de estado tanta vez prometido pelos políticos. 
     
Como é sabido, o estado não tem dinheiro. A cultura ainda menos.
    
Nesta situação "franciscana", pode-se perguntar para quê tanto aparato na direcção do convento? 
    
Para quê um ministério da cultura? Não chegará uma secretaria de estado?

Blogues *

* Parte de um texto publicado no Jornal do Centro em 26 de Maio de 2006

     1. Passo, pelo menos, meia hora por dia a “ver” blogues**. Encontro neles, muitas vezes, informação que não encontro em mais lado nenhum.
     A blogosfera é cada vez mais influente. Um texto no Abrupto, o blogue de Pacheco Pereira, a perguntar pelo Inquérito ao Envelope 9, do processo Casa Pia, pôs logo Souto Moura a falar sobre o assunto.
     O Governo de José Sócrates teve que apresentar estudos sobre a OTA e o TGV, não por pressão dos media tradicionais, mas por exigência de dezenas de blogues que se uniram num movimento colectivo.
     A CBS apresentou documentos falsificados sobre a vida militar de George W. Bush. Eram documentos feitos num computador quando, na altura em que Bush foi tropa, só havia máquinas de escrever. A CBS não conseguiu fazer uma “verificação de factos” eficaz. Foram bloguistas que descobriram a marosca.
     A blogosfera, enquanto comunidade interactiva de milhões de utilizadores, é uma máquina potente de “verificação de factos”. 
     É também uma poderosa máquina de “criação de factos”.

     2. Um dos blogues que leio diariamente é o Viseu, Senhora da Beira, cujo autor se identifica com o pseudónimo de Bazookas.***


     Quando tenho pouco tempo, não vou a mais nenhum lado: é a “ler a leitura dele” que me informo sobre Viseu. 
     Ainda por cima, o Viseu, Senhora da Beira tem umas muito úteis ligações para outros blogues de Viseu.****

Notas:
 ** Agora, cinco anos depois, demoro-me mais de uma hora na blogosfera. 
É que os media tradicionais passaram a ser cada vez mais meros amplificadores das "verdades" engendradas pelas agências de comunicação.
 
*** O Viseu, Senhora da Beira já não é anónimo. 
Um abraço, caro Fernando Figueiredo.

**** O VSB é a principal fonte de tráfego para este modesto blogue.

R. I. P.

Fotografia de Filipe Raimundo (daqui)

Ese amor murió
sucumbió
está muerto
aniquilado
                fenecido
finiquitado
occiso 
                perecido
obliterado
muerto
sepultado
entonces,
                ¿porqué late todavía?
                                                               Cristina Peri Rossi