quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Estranha simetria

Fotografia de Almond Chu


insólita solicito gritos
soletro-te em sons de sim maduros
(qual queres)

mais sólida reconheço-me
em pura alegria

grito em ti
o que num artifício crias:
o ponto em que sorrindo me desatas

submerges em desmedido gozo
- tu deveras não recatas

a letra tamanha
não acata
nossa estranha simetria
                                                                                         Maria Maia


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Escrevo-te com o fogo e a água

Fotografia de Paul Karaolides
Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.


O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.


Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
António Ramos Rosa






segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cedo ou tarde

Fotografia de José Manuel Navia


Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce, que é
sempre cedo
que se morre. E devias
saber também
que a nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde as aves
fazem ninho e as flores
procriam.
                                                              Albano Martins


domingo, 28 de agosto de 2011

Tubarões

Inimigo Público, edição de 26 de Agosto de 2011
 Mas, atenção!, tudo já tinha sido noticiado em Junho neste conceituado meio de comunicação.

Os ricos, os pobres, os remediados e a schadenfreude

Jornal de Notícias online, hoje
 
Warren Buffett pôs toda a gente a falar nos ricos e pobres.


Até o professor Cavaco quer deserdar os herdeiros.


Não há fazedor de opinião que fuja ao caso.


É claro que esta montanha vai parir um rato chamado schadenfreude



      Esta espuma mediática é boa para os governos: faz crer à classe média que não é só ela que vai ser massacrada com os programas de austeridade.

Tal como

Fotografia de Roth and Ramberg


Tal como às vezes entramos num quarto, sem saber
                                                                        [porquê,
e depois temos de voltar atrás seguindo o rasto da nossa 
                                                                    [intenção,
tal como conseguimos tirar uma coisa do armário sem
                                                                    [tactear
e só depois de a agarrarmos ficamos a saber o que é,
tal como pegamos num embrulho para o levarmos a algum
                                                                         [lado
e, ao sairmos, pensamos sempre com um susto
que somos leves demais, tal como, enquanto esperamos
nos apaixonamos loucamente por uma cara nova,
mas somos afinal nós quem mais espera,
tal como sabemos: este lugar lembra-nos algo mas não
                                                              [sabemos o quê,
e nos ocorre um cheiro qualquer, em forma de recordação,
tal como sabemos de quem devemos desconfiar
e em quem podemos confiar, com quem nos podemos
                                                                             [deitar,
é assim, acho, como os animais pensam, conhecem o
                                                                        [caminho.
Judith Herzberg

sábado, 27 de agosto de 2011

Carlos Costa Pina, um peão numa batalha implacável

Imagem daqui





 
Em Maio de 2011, 
Carlos Costa Pina, 
secretário de estado do governo José Sócrates, desalinhou da doutrina oficial do governo 
de então 
e defendeu a 
privatização da RTP.
  
     Isso foi devidamente referenciado na altura no Jornal do Centro e aqui neste blogue.
     Ter-se sabido hoje que Carlos Costa Pina acaba de ingressar nos quadros da Ongoing não faz alterar nada do que aqui foi dito no artigo O "estado social" é tudo e um par de botas embora deixe um travo amargo na boca: como não ligar o que Carlos Costa Pina disse em Maio com o emprego que ele obtém agora em Agosto?
     Acrescenta-se: 
     1. O PS, quando no poder, tem tido sempre uma abordagem instrumental aos media e nunca teve uma política com pensamento estratégico: Arons de Carvalho, o socialista com mais biografia nas políticas para a comunicação social, foi sempre um peso-pluma no governo e um político imobilista.
     Infelizmente não se conhece nenhum deputado socialista no parlamento que tenha pensamento nesta área. É pena porque, especialmente nestas matérias, precisa-se de uma oposição pelo menos tão competente como a posição.
     2. Como diz o ex-ministro Manuel Pinho hoje no Expresso, "é uma indignidade Portugal assistir impavidamente à transferência de superespiões* na posse de informação confidencial sobre a vida de muitos nós" para um grupo mediático, a Ongoing, a empresa de Nuno Vasconcellos que, como é sabido, está na grelha de partida para a privatização de um canal da RTP.
     3. Estamos a assistir a numa luta sem quartel entre o império mediático ascendente de Nuno Vasconcellos e o império mediático de Pinto Balsemão, que já conheceu melhores dias. 
     O desfecho desta batalha vai desenhar o panorama mediático e político português no futuro. 
     Porque — perceba-se — se Balsemão, embora podendo, nunca quis ser o Berlusconi português, não é seguro que, no futuro, não apareçam candidatos a esse duvidoso título.
     4. Voltar-se-á a este assunto.

* Jorge Silva Carvalho, João Paulo Alfaro e Paulo Matos Félix (Fonte: Expresso, hoje, p. 3)

James Ellroy

«I want to find the guy who invented sex and and ask him in what is working on now ...»

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Descoberto um planeta que é um diamante

Mas não é caso para a De Beers se assustar, 
o mercado não vai ficar inundado dos
pois este planeta está a 2000 anos-luz ...

Ecocentro de Viseu

 
 







O Ecocentro de Viseu funciona bem e com simpatia no atendimento.



Mas se é mau ele não ter a entrada sinalizada ...






. ... é muito pior e imperdoável que não haja indicação nenhuma para o Ecocentro na N229 *


* N229, aquela rua feita entre  Viseu e o Sátão pela  empresa pública Estradas de Portugal.
Obra que devia tingir de vergonha a cara dos políticos que permitiram tal crime contra o norte do distrito de Viseu.

Ele e Ela (X) *

* Publicado hoje no Jornal do Centro

     — Anda deitar-te…
     — Uma sesta, é? Tás muito alentejano!
     — Eles é que a sabem toda, é o melhor que se pode fazer com este calor.
     — Não vai ser fácil dormir nesta casa com o Hugo a ouvir os James ...

     — Aquele é sempre a mesma coisa…
     — Hoje, vá lá, o som nem está muito alto. Ele quer aprender de cor o “Say Something”.
     — Para quê?! Ele, a cantar, é pior que uma cana rachada…
     — Não faz mal. Na feira, no meio do maralhal, ninguém dá conta que ele desafina…
     — Estou farto de lhe dizer que devia ouvir música só para ele. Eu não preciso de ouvir os James, nem vou à feira por causa deles…
     — … mas a música do Hugo hoje nem incomoda…
     — … hei-de lá ir quando forem os Orelha Negra e os Nouvelle Vague, isso sim.
     — … o som nem está muito alto...
     — De qualquer forma, vou fechar a porta do quarto. A Feira de S. Mateus este ano, vá lá, vá lá, não é parolada todos os dias... … querida…
     — Chega-te para lá, que é que te está a dar?
     — Que te parece?
     — Deixa-te disso! Está muito calor...
     — Para o menino, todo o carinho...
     — Olha! O Hugo desligou a música.
     — … para o menino, todo o carinho. Para mim, nada...
     — Está quieto! Tás sempre a desfazer no rapaz... pára! …ele é bom aluno, não é vadio... está mas é quietinho... que mais queres?
     — Quero um beijo...
     — Hum! Afinal, queres dormir a sesta ou quê?!
     — Quero o “quê”! É muito melhor que a sesta...
     — Maluco… olha que ele... olha que... ele... pode ouvir-nos...
     — Oh Hugo!! Huuugggoooo!! Liga a música, pá! 


* Os nove anteriores Ele e Ela foram publicados no Jornal do Centro nos verões de 2008 e 2009, e são encontráveis neste blogue com a etiqueta respectiva.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Brasil — sistema anti-ladroagem


Uma ortopedista brasileira, no dia 18 de Agosto, 
"fez" um muro de seringas.
Detalhes aqui

No ninho das víboras

As fotografias que nos estão a chegar da "intimidade" delirante de Muammar Kadhafi ...




... fazem recordar esta de Lee Miller a tomar banho na banheira de Adolf Hitler, em 1945...









A Coruña — aqui bem "perto"
Sede Fundação Caixa Galicia, até 11 de Setembro

O-meu-imposto-sobre-os-ricos-é-melhor-que-o-teu

     Fala-se agora em todo o mundo do "excesso de mimo" que os estados fazem aos ricos.
     Por todo o lado, os governos preparam-se para um novo concurso para passar nos horários nobres das televisões: "o-meu-imposto-sobre-os-ricos-é-melhor-que-o-teu!"
      Para já, o fatal Sarkozy vai à frente.
     Em Portugal, há uma matilha de fazedores de opinião à solta a ver se ferra as canelas de Américo Amorim.
     Um imposto novo para os ricos?  É só laracha e demagogia.
     Já se sabe há muito tempo que a máquina fiscal quando se põe a fazer engenharia social tende a avariar e quem se lixa é sempre o mexilhão — isto é, a classe média.
     Para uma melhor receita do estado é muito mais eficaz simplificarem-se os impostos do que se estar a criar ainda mais um imposto novo.
      Mas claro que governo que se preze prefere sempre ligar o complicómetro do que criar um sistema fiscal mais justo. 

     Este imposto sobre os ricos vai servir para lançar nevoeiro sobre a operação "Orçamento de Estado/2012", orçamento que vai ser um massacre sobre os portugueses.
     Pelo que se percebe, António José Seguro ainda não engoliu o isco.
 

N.B.: Este post foi reescrito às 19:00, para incorporar a posição do PS conhecida posteriormente.

Dá-me tua mão

Fotografia de Morten Krogvold


Dá-me tua mão
E eu te levarei aos campos musicados pela canção das
                                                                        [colheitas
Cheguemos antes que os pássaros nos disputem os frutos,
Antes que os insetos se alimentem das folhas entreabertas.
Dá-me tua mão
E eu te levarei a gozar a alegria do solo agradecido,
Te darei por leito a terra amiga
E repousarei tua cabeça envelhecida
Na relva silenciosa dos campos.
Nada te perguntarei,
Apenas ouvirás o cantar das águas adolescentes
E as palavras do meu olhar sobre tua face muito amada.
Adalgisa Nery



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TB *

* Este texto foi publicado no Jornal do Centro em 25 de Maio de 2007, por alturas da saída de TB (essa lamentável criatura...)

     1. O primeiro livro que li na vida foi um volume de contos religiosos que achei em casa dos meus avós. Um desses contos impressionou-me tanto que ainda hoje me lembro dele. Era mais ou menos assim:
     O frade TB viveu uma longa vida de santidade. Quando chegou a hora de prestar contas a Deus, juntou-se uma coorte de anjos para assistirem ao julgamento, cujo veredicto só podia ser um: o Paraíso.
     Numa nuvem dourada e brilhante, instalou-se a balança da justiça de Deus, com os seus dois pratos: o prato do bem e o prato do mal. Perante todos, em retrospectiva, reviu-se o filme da vida do frade. Em todas as terras Frei TB dera esmola aos pobres e confortara os doentes, ajudara os desesperados e dera calor aos seus corações. O prato do bem vergava ao peso daquela vida de virtude.
     Eis senão quando, para estupefacção de todos, o prato do mal começou a descer. «Que mal fez ele?» - perguntavam todos em estado de choque. O prato do mal, inexorável, afundou-se. Viu-se, então, o filme do que aconteceu: Frei TB a aproximar-se dum leitãozinho rosado, a matá-lo e a fazer uma fogueira…







Aquele homem, 
uma e só uma vez, 
depois de tantos jejuns e privações, por uma vez 
sem exemplo, 
ele, 
aquele santo, condenara-se às chamas do Inferno, 
ao soçobrar 
ao pecado da gula. 







     2. A crueldade desta história assombrou muito os meus sete anos. Frei TB tinha feito uma espécie de “paragem técnica” na Mealhada, terra de martírio dos pequenos recos saborosos. E quem nunca “parou na Mealhada” que atire a primeira pedra...

     3. É a hora de pôr a funcionar a balança do bem e do mal para Tony Blair. No prato do bem, uma vida de virtude política. No prato do mal, a Guerra do Iraque.
     Vá para o Inferno, Mr. Blair!

Gato

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!

De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?


Alexandre O’Neill

Sem data

Fotografia de Anton Corbijn


Esta voz com que gritei às vezes
não me consola de só ter gritado às vezes.

Está dentro de mim como um remorso, ouço-a
chiar sempre que lembro a paz de segurança estulta
sob mais uma pedra tumular sem data verdadeira.

Quando acabava uma soma de silêncios,
gritava o resultado, não gritava um grito.

Esta voz, enquanto um ar de torre à beira-mar
circula entre as folhas paradas,
conduz a agonia física de recordar a ingenuidade.

Apetece-me explicar, agora, as asas dos anjos.

Jorge de Sena

Blade Runner 2

Imagem daqui

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#44)

Diz, anda lá, diz ...

Heloísa Apolónia









«A partir do momento em que o PCP quiser dominar os Verdes, esta coligação deixa de existir.» 

Ao I.

Arte poética

Fotografia de Dirk Rees
Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche, que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, en un rumor y un símbolo,

Ver en la muerte el sueño, en el ocaso
un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tarde una cara
nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.

Cuentan que Ulises, arto de prodigios,
lloró de amor al divisar su Itaca
verde y humilde. El arte es esa Itaca
de verde eternidad, no de prodigios.

También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.
Jorge Luis Borges

"Esta coisa massadora a que chamamos recibos"



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Fábulas, desenhos de Almada Negreiros


No Museu Grão Vasco de Viseu, só até domingo.
Entrada livre.

A barbuda *

* Este texto foi publicado no Jornal do Centro em 11 de Maio de 2007


1. Na Feira do Livro que o Teatro Viriato organizou, encontrei um pequeno livro,“A Barbuda”, de Manuela Lobo da Costa Simões, editado pela Avis Rara, em 2000.
     
O livro conta a vida de Eugénia Cândida da Fonseca Silva Mendes, Baronesa da Silva, viseense, moradora na Rua da Regueira (actual Rua das Bocas), senhora riquíssima e firme nas suas convicções liberais. Foi perseguida implacavelmente pelos miguelistas.
     
O livro cita o Padre Alvito Buela, no semanário miguelista “Defesa de Portugal”: “Se as mulheres são Malhadas [liberais] é porque perderam a vergonha; é porque não têm virtude; é porque são ímpias.”  
     
Para os absolutistas, o lugar das “ímpias” era no inferno se mortas, e na prisão se vivas. Eugénia Cândida esteve presa no Limoeiro e no Tribunal da Relação do Porto, de 1828 a 1832. Só saiu em liberdade quando as tropas de D. Pedro IV entraram no Porto.

2. A partir do tecto da escadaria principal do edifício da Câmara Municipal de Viseu, olham para nós, magníficos, vinte e quatro viseenses ilustres.
     
Muitas vezes nem reparamos naqueles retratos excelentes, distraídos que andamos com regulamentos e protocolos, taxas e loteamentos, licenças e petições, empreitadas e alvarás,... Era bom pararmos, uma vez por outra, naquela escada, a olhar para aquele tecto. É um dos sítios mais notáveis de Viseu.
     
Entre os vinte e quatro retratados há duas mulheres: a Baronesa da Silva e sua neta, a Viscondessa de S. Caetano.

O retrato da baronesa é a cópia duma tela de Almeida Furtado que, num desusado “hiper-realismo”, pintou em Eugénia Cândida um nada discreto bigode. “Barbuda” chamavam-na os miguelistas, maus como as cobras e com a língua venenosa.
     
Daí o título do livro que se lê com gosto e com proveito.

Asedio

Fotografia de Olivier Valsecchi

No me culpes.
Por rondar tu casa como una pantera
y husmear en la tierra tus pisadas.
Por traspasar tus muros,
por abrir agujeros para verte soñar.
Por preparar mis filtros vestida de hechicera,
por recordar tus ojos de hielo mientras guardo
entre mis ropas un punzón de acero.
Por abrir trampas
y clavar cuchillos en todos tus caminos.
Por salir en la noche a la montaña
para gritar tu nombre
y por manchar con él los blancos paredones
de las iglesias y los hospitales.
Hay en mí una paloma
que entristece la noche con su arrullo.
Mi noche de blasfemias y de lágrimas.
Piedad Bonnett

domingo, 21 de agosto de 2011

"And Now For Something Completely Different" (#43)

A explicação definitiva do que é um 
"Blind Date"



The Antics Roadshow


Quarenta e oito minutos 

de desobediência 
no espaço público.


  

Primeiro documentário de televisão feito  por Bansky:


August

Fotografia de Dana Hursey



When my eyes are weeds,
And my lips are petals, spinning
Down the wind that has beginning
Where the crumpled beeches start
In a fringe of salty reeds;
When my arms are elder-bushes,
And the rangy lilac pushes
Upward, upward through my heart;

Summer, do your worst!
Light your tinsel moon, and call on
Your performing stars to fall on
Headlong through your paper sky;
Nevermore shall I be cursed
By a flushed and amorous slattern,
With her dusty laces' pattern
Trailing, as she straggles by.
Dorothy Parker


sábado, 20 de agosto de 2011

Desta gostei, senhor presidente!

Sporting vs. árbitros

Amanhã em Aveiro é melhor todos os espectadores levarem um apito 
no bolso. 
Como os árbitros da Liga estão numa de "mete nojo", será escolhido um árbitro de entre o público.

Álvaro de Santos Pereira







seja ela
uma carruagem
seja ela
uma carruagem
em bitola europeia,
ainda bem que 
Pedro Passos Coelho 
secretários de estado 
a segurarem o Álvaro.


A A41 custou 400 milhões de euros ...

... e não tem tráfego que justifique o investimento.
Durante 5 minutos de filmagem contínua da TVI

passaram 29 viaturas.








A concessionária, 
a Auto-Estradas do Douro Litoral,
diz, 
por escrito,
que 
"não tem dados relativos ao tráfego na A41".








A culpa desta situação é, evidentemente, 
da senhora Merkel.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os do costume

* Publicado hoje no Jornal do Centro

     1. Após as derrotas nas eleições autárquicas de 2001, o engenheiro António Guterres demitiu-se de primeiro-ministro e líder do PS. O partido entrou logo em processo de escolha de um novo líder. Concorreram Ferro Rodrigues e Paulo Penedos. A votação foi desequilibrada. Desequilibradíssima. No concelho de Viseu, Ferro Rodrigues teve umas dezenas de votos dos militantes e Paulo Penedos teve zero votos.
      Após a derrota nas eleições legislativas de 2011, o engenheiro José Sócrates demitiu-se de primeiro-ministro e de líder do PS. O partido entrou imediatamente em processo de escolha de um novo líder. Concorreram António José Seguro e Francisco Assis. A votação nacional foi, em números grossos, dois votos em Seguro por cada um em Assis. Na secção de Moimenta da Beira, António José Seguro teve 72 votos e Francisco Assis teve zero votos.
     Ora, quer os zero votos em Paulo Penedos em 2001, quer os zero votos em Francisco Assis dez anos depois, são uma anomalia e uma infelicidade. Os militantes socialistas, ao votarem todos da mesma maneira, fizeram com que o seu voto deixasse de ser secreto. Toda a gente ficou a saber onde votou toda a gente.

     2. Cairo, Tunes, Atenas, Santiago do Chile, Barcelona, Telavive, Wisconsin, Hama, Bengasi, Londres: cresce o turbilhão nas ruas e nas praças do mundo.
      A crise sistémica global está a aumentar a tensão social.
Imagem daqui


     Apesar dos putativos “brandos costumes” dos portugueses, a preocupação de Pedro Passos Coelho com a concertação e o apaziguamento social é realista e prudente.
     Convinha é que — ao contrário da facada que acaba de dar nos subsídios de Natal — não continuasse a massacrar os do costume e a deixar fora dos sacrifícios os do costume.

A crise sistémica global

Evolução do PIB durante esta crise, 
infografia da The Economist


* Infelizmente, Portugal vai afundar mais ainda nos dois próximos anos com a aplicação do programa de resgate da Troika.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quatro Esquinas, Viseu

Hoje à tarde:


Farmácias *

* Parte de um texto publicado no Jornal do Centro, em 27 de Abril de 2007

     No nosso país é mais fácil abrir uma clínica que uma farmácia. Os governos dos últimos 40 anos, todos eles, têm-se “encolhido” perante este condicionamento comercial absurdo.


 
É conhecida a anedota:

«O melhor negócio em Portugal é uma farmácia bem gerida e o segundo melhor é uma farmácia mal gerida.»


     Não admira que o trespasse de uma farmácia atinja valores “pornográficos”.
     Em 1997, o deputado socialista Strech Monteiro tentou enfrentar este cartel mas o seu Grupo Parlamentar não deixou.
     Ferro Rodrigues, em 2002, defendeu a abertura de cem farmácias sociais e, por isso, sofreu uma campanha miserável feita pela Associação Nacional de Farmácias.
     Em Maio de 2006, José Sócrates anunciou a intenção de liberalizar a propriedade das farmácias. A Assembleia da República acaba agora de autorizar o governo a legislar sobre o assunto. Vai deixar de ser preciso ter um canudo em farmácia para se poder ter uma.
     É um passo no caminho certo** mas que pede o passo seguinte: abrir o sector ao mercado e à concorrência. Isso é que era força perante os fortes.
     E defesa do interesse público.

** Reproduz-se o comentário certeiro de um leitor do Público, feito em Julho de 2007, quando foi aprovado o decreto feito pelo ministro de então, Correia de Campos:

«Anónimo , Arouca. 05.07.2007 20:50
Qual liberalização? Só acredito em liberalização quando um Farmacêutico licenciado nas Universidades Publicas e não só, reunindo as condições legais impostas necessárias puder abrir uma farmácia em frente ou ao lado doutra. De resto, tudo isto é evolução na continuidade deste negócio da china à custa de todos os consumidores. Nunca tantos contribuiram para enriquecer tão poucos.»

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cultura portuguesa

Imagem daqui
     «Não confundo cultura com erudição. Há a informação, há a erudição, mas a cultura tem a ver com aquilo que a gente sabe, sem saber que sabe. E é isso que se transmite.
     Acho que a cultura portuguesa é mais reconhecida pela comida do que pela língua. Se for a Macau ou à Índia, nas mercearias encontra sempre azeite ou bacalhau.
     Esta é a memória que a gente deixou que se transmitisse.»
Arquitecto Manuel Vicente, 
ao Ipsilon, de 29/7/2011

Loja do Cidadão de Viseu

     Diz a edição de hoje do jornal I. que a Loja do Cidadão de Viseu paga de renda treze mil euros por mês.
     Treze mil euros por mês, 156 mil euros num ano. Muito dinheiro.
    Os políticos que, em 2009, não deixaram que a Loja do Cidadão viesse para o centro da cidade devem uma explicação aos viseenses que tanto lutaram para que isso acontecesse.
     
in Jornal de Noticias de 26.02.2009

Estes dois recortes foram inicialmente publicados no excelente Barões da Sé de Viseu, colega da blogosfera que o Olho de Gato saúda

As mãos

Imagem daqui

Onde tu pousas as mãos,
naturalmente
eu vou pousar as minhas. Um silêncio
faz-se pela casa, uma luz coada vem da janela
e cobre os móveis de uma poalha
doirada. Os objectos estão quietos
como nunca.


Onde tu pousas as mãos,
onde tu pousas mesmo se brevemente as mãos,
torna-se íntima a percepção que se tem de cada hora,
de cada amanhecer,
de cada exacto momento. O entardecer
é só um vasto campo que se abre,
um rumor de folhas que restolham no jardim.


Escrever é ler,
ler é escrever - eu sei isso
porque em cada sítio onde [do meu corpo] tu pousaste as tuas mãos
ficou escrito - eu vejo-o: nítido -
sobre o mais frágil espelho dos sentidos, uma palavra que se lê
de trás para diante. Quando te deitas eu sinto-lhe o perfume,
que é o da noite que entra pela janela.


E onde tu pousas as tuas mãos faz-se um rio
de prata e de quietude mesmo nas minhas mãos
que pousam onde as tuas foram antes procurar
a quietude, procurar as tuas mãos. São exactas as tuas mãos,
são necessárias, têm dedos
que são os filamentos de gestos que descrevem na penumbra
desenhos tão perfeitos que surpreendem.


Onde tu
pousares as tuas mãos
eu quero estar.
Exactamente como a sombra
cai na sombra. A água
na água. O pão
nas mãos.
Bernardo Pinto de Almeida

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Chile: o “besatón”

Uma original forma de luta dos estudantes.



Detalhes aqui.

O risco na pele

Imagem daqui


O risco na pele
acende a noite
enquanto a lua
(por ironia
ilumina o esgoto
anuncia o canto dos gatos)
De quantos partos se vive
para quantos partos se morre
 
um rito espera-se faca
na garganta da noite 
 
recortada sobre o tempo 
pintada de cicatrizes
olhos secos de lágrimas
Domingo, organiza a cerveja 
de sobreviver os dias. 
Ana Paula Tavares


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Declínio da Europa?

 A esta capa da Time...

      ... responde-se com Heródoto e George Steiner:

    «Só o homem ocidental — desde tempos tão recuados como Heródoto — alimentou uma curiosidade sistemática relativamente a outras etnias e culturas; só ele procurou explorar os recantos mais remotos da Terra visando estabelecer a classificação, a definição comparativa e contrastiva que funda a sua posição prevalente.»
George Steiner, 
in O Jardim Perdido



     «É preciso recordar que há muito a recordar.
     Heródoto colocou a seguinte questão:
     "Todos os anos, enviamos a África os nossos navios com risco de vidas e grandes gastos, para perguntar: 'Quem são vocês? Quais são as vossas leis? Qual é a vossa língua?' Eles nunca enviaram qualquer navio a interrogar-nos."
     Não há correcção política de liberalismo na moda que consiga destruir esta pergunta.»
     (...)
     O acto fulcral de conjecturar, thaumazein, e do desenvolvimento lógico-teórico é platónico e aristotélico na sua essência.
     Daí, em última análise o avanço da ciência e da tecnologia europeia, e depois americana, sobre todas as outras culturas.»
George Steiner,
in A Ideia da Europa

     Declínio da Europa? 
     É o que se há-de ver.

A "avaliação" dos professores (#2)

     O monstro burocrático importado do Chile (!) por Maria de Lurdes Rodrigues continua a ser desmontado.
     No dia 25 de Março, os deputados do PSD, CDS, Bloco, PCP e Verdes deram um golpe no princípio da separação de poderes enunciado por Montesquieu, mas fizeram o primeiro rascunho da certidão de óbito da avaliação de professores.
     Na semana passada, Nuno Crato, o actual ministro da Educação, apresentou um rascunho mais elaborado para se fazer o enterro da avaliação de professores engendrada pela engenharia social insensata do marilurdismo.
     Para já, há um ganho óbvio: a burocracia vai diminuir — a avaliação deixa de ser um non-stop
sádico e passa a ser quando houver lugar à progressão dos professores.
     O resto se irá ver depois das negociações com os sindicatos e da tramitação no parlamento.

Na feira de S. Mateus



Ana•Bento  Catarina•Almeida 
Sara•Figueiredo  Paulo•Correia
Cristóvão•Cunha  Fernando•Giestas
Graeme•Pulleyn  Guilherme•Gomes
Leonor•Barata  Lira•Keil  Pitum•Keil
Rafaela•Santos  Romulus•Neagu  Sónia•Barbosa


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