terça-feira, 28 de setembro de 2010

«É a vida!»

Angel Gurria, secretário-geral da OCDE

     Este crânio da fotografia apareceu ontem em todos os media portugueses a recomendar aumentos dos impostos, incluindo os impostos municipais sobre os imóveis (quer o IMI quer o IMT).
     Este crânio da fotografia até recomenda a subida do IMT, a "velhinha" sisa a que o saudoso engenheiro Guterres chamou em 1995 «imposto mais estúpido do mundo.»
      Este crânio da fotografia vai mais longe que os próprios autarcas que empocham IMI que nunca mais acaba e já nem precisam de usar as taxas máximas e  só precisam de atirar as culpas do esbulho para o estado central.
     Este crânio da fotografia defendeu um aumento do IMI e do IMT logo ontem no exacto dia em que, na Assembleia Municipal de Viseu, o PSD dizia "não mexe" e o PS dizia "mexe para baixo".
     Este crânio da fotografia  ontem ajudou Teixeira dos Santos mas não ajudou nada o PS-Viseu.
     «É a vida!» — como dizia o saudoso engenheiro Guterres.

Paradoxos

Mercado de Portimão

O gato melómano

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desde final de 2008, há uma equipa secreta...

     ... tão secreta que foi designada "a group that doesn't exist", encarregada de conceber um plano  para o caso de haver default (bancarrota) de um país da eurozona.
     O Wall Street Journal conta, de uma forma pormenorizada, o que foi acontecendo nos bastidores durante estes tempos de brasa protagonizados pelos PIIGS.
     É claro que nem os eurocratas desta equipa secreta, nem as proclamações barrosais, nem as cenaças do sr. Sarkozy valeram de muito. 
     Quem tem estado a tratar do assunto é a senhora que passa o cheque:
Imagem daqui

Obras no maior bivaque da Península Ibérica

Quinta do Galo - Viseu
Certeza absoluta: vai ficar melhor do que estava.

O gato melómano

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O estado do estado social

Viseu - detalhes aqui

O gato melómano

Insubtilezas


A rua *


     1. O tempo que costumo guardar para fazer esta crónica teve que ser dividido com a arrumação da lenha. Acabo de passar umas duras horas a acamar cavacos sobre cavacos.
     Este “convívio” com bocados de carvalho serrotado lembrou-me a escavacação em que caiu a esquerda. Bem sei: acabo de fazer uma associação de ideias demasiado óbvia e um jogo de palavras grosseiro, mas toda esta actividade braçal não é propícia a grandes subtilezas.
Acamar cavacos
     2. Nos próximos quatro meses, o PS vai dar um apoio burocrático e frio à campanha alegre. Registe-se em acta que Sócrates respeitou impecavelmente a democracia interna do partido na decisão do apoio a Alegre.
     Já Francisco Louçã, traumatizado pelo que lhe aconteceu em 2006 e antes que o obrigassem outra vez a ser humilhado nos votos, logo que pôde endossou Alegre e nem quis saber o que pensava o bloco. Apoiou primeiro e perguntou aos órgãos do partido depois. Percebeu-se bem que o bloco de esquerda é dirigido por uma elite caviar que já nem precisa de fingir que liga às suas tropas.
     Por sua vez, o PCP não perdoa a Carvalho da Silva ter apoiado António Costa para a câmara de Lisboa e preferiu arranjar um candidato sem notoriedade pública nenhuma. Isto é: o PCP está-se nas tintas para as presidenciais.
     Há uma ironia nisto: os partidos da esquerda de protesto privilegiam o parlamento – a instituição suprema da “democracia burguesa”. Quer o bloco quer o PCP nunca contam para uma solução de governo e, desta vez, também não vão ter nenhum papel na eleição presidencial.
     Enquanto o bloco faz política no parlamento e nos media (e aqui já teve melhores dias), o PCP usa o parlamento e a “rua”.
     Nos dias negros que aí vêm, a “rua” vai falar alto. Muito alto.
     E depois, o que vai acontecer? O bloco e o PCP vão ajudar a direita a derrubar Sócrates?
* publicado no Jornal do Centro

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Arco-Íris *


     Chovia como num filme de Andrei Tarkovski. Água, muita água, cântaros de água, caíam dos céus. Finalmente, a tão esperada chuva caía horas seguidas sobre a cidade, limpando o ar.
     Eles iam a sorrir. Um com o outro. Um para o outro. Um ele e uma ela. Rua abaixo. Eram donos da vida e do tempo. Nem viam as montras nem as pessoas. Passavam por cima da água que não vencia a estreiteza das sarjetas.
    Entre eles era uma raiva brincada. “Maldito sejas!”; “maldita sejas!”; “cala-te!”; “não me calo nem me fico, quem é que julgas que és tu, meu palerma?”. Aquelas palavras soavam, nos ouvidos deles, como um carinho. Instalara-se entre eles aquela ternura estranha. Aquele paradoxo. A chuva ria-se daquela dessintonia entre as palavras deles e o gostar deles.
     As pessoas olhavam e desviavam-se. Tinha que ser pois eles, como já se disse, não viam ninguém. Nem das poças de água se desviavam.

     Entraram numa pastelaria. Pediram o mesmo chá de tília para duas chávenas. A mesma torrada para dois. Partilharam as fatias de dentro da torrada. As fatias sem côdea, a escorrer manteiga. As melhores. Ele, desajeitado, queimou-se no bule. Deitou chá na chávena dela, na dele e no tampo da mesa. Sorriam enquanto o calor das chávenas lhes aquecia as mãos. Saíram, desatentos do mundo, sem esperarem pelo troco. Regressaram à chuva.

     Ele estendeu a mão para ela. Ela para ele. Olharam-se no fundo dos olhos. A chuva fria, agora, já não caía com tanta força. Podia-se dizer (se não fosse um disparate) que a chuva agora tinha clareiras.
     Abraçaram-se com faíscas nos olhos. Os lábios aproximaram-se. No céu acendeu-se um arco-íris.
Imagem daqui
  * publicado no Jornal do Centro, em 31 de Março de 2006

O gato melómano

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A realpolitik do senhor Luis Amado

     A diplomacia portuguesa, debaixo da batuta de Luis Amado, tem feito tudo para fazer charme ao mundo muçulmano.
     Por isso, em 2009, apoiou o ministro da cultura egípcio, Farouk Hosni, para o cargo de director-geral da UNESCO.
     Ora, Farouk Hosni é uma criatura repelente, queimador de livros, e Manuel Maria Carrilho, embaixador de Portugal na UNESCO recusou-se a assumir pessoalmente esse voto vergonhoso de Portugal.
     Mas não impediu a consumação da vontade do governo - fez-se representar na referida votação.
     Manuel Maria Carrilho recebeu ontem a resposta de Luís Amado: soube pelos jornais da sua não recondução.
     Manuel Maria Carrilho tem biografia para além da política. É um homem livre.
     Se o PS estivesse no poder em 2003, com o senhor Luis Amado a ministro, qual seria a posição de Portugal em relação à guerra do Iraque?

* Adenda feita em 23.9.2010:
Para memória futura, fica o link de um trabalho do jornal I., com o histórico deste assunto e declarações de Luis Amado, Manuel Maria Carrilho, José Lello e Ana Gomes.

José Mário Branco:«desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa...»

José Mário Branco: «o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa...»

Declaração de interesse:

Este blogue visita todos os dias o Viseu, Senhora da Beira:
Aqui

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os descontos nas SCUT aos "indígenas" ...

     ... a que os políticos vão chamar "discriminação positiva", são uma complicação e são uma injustiça.
     Este anzol serve só para vender os "chispes" das matrículas do ex-assessor do secretário de estado Paulo Campos.
     Depois, vem mais um PEC, vem mais um "ai-Jesus-que-vem-aí-a-bancarrota!", e lá se vão os descontos.
Imagem daqui

A música da praia fluvial de Viseu

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Os ditos cujos

 
Presidenciais (#1) *


1. O parlamento já não pode ser dissolvido este ano. Vamos ver o que vai acontecer no outono de 2011 quando se debater o orçamento de 2012. Para além do défice crónico do estado, na altura vai-se também ver se há por cá, ou não, um défice crónico de “cojones”. (Sarah Palin, esse exemplo de chá na política americana, tem os direitos de autor desta expressão.)
As próximas eleições em Portugal vão ser as presidenciais. Data provável: 23 de Janeiro. Faltam quatro meses.
Cavaco Silva parece em boa forma, desdizendo os rumores acerca da sua condição de saúde. A condecoração que recebeu de Bento XVI pôs um penso na ferida aberta à direita com a promulgação do casamento gay.
Fernando Nobre, um homem bom, talvez seja o único capaz de roubar alguns votos a Cavaco – o principal objectivo estratégico da esquerda na primeira volta.
Só que, apesar de ter feito um mau mandato, o presidente da república viu a sua recandidatura muito facilitada quando Alegre e Louçã impuseram a tenaz do facto consumado a Sócrates e ao PS.
Manuel Alegre não é nem carne nem peixe. Até já deixou cair uma das suas poucas bandeiras interessantes: a luta contra a corrupção e contra o conúbio entre a política e os negócios.



2. Na minha última intervenção política de fundo no PS, em 1 de Novembro de 2008, apresentei argumentos contra as candidaturas únicas que fazem da vida partidária um ritual albanês.
É mau para o PS-Viseu João Azevedo ficar sozinho na corrida à liderança distrital. Mas Miguel Ginestal, o outro “delfim” de José Junqueiro, ficou sem condições para ir a jogo à distrital, depois de ter eucaliptado o PS-concelhio nas últimas eleições à câmara de Viseu.
Resta aos militantes do PS esperarem que João Azevedo leve para a distrital a mesma boa qualidade do trabalho que está a fazer na câmara de Mangualde.
* publicado no Jornal do Centro 
** imagem daqui

A fazenda da campanha alegre ...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A venda de imóveis do Estado ao ...

Fotografia do DN

     ... Estado é excelente para o país.
     Antigamente, as receitas extraordinárias tinham um defeito: eram receitas irrepetíveis.
     Isso está ultrapassado. 
    Nada impede que as 100 repartições de finanças agora vendidas não possam sê-lo outra vez em 2011, e em 2012, e assim sucessivamente. 
     É só achar mais um qualquer outro heterónimo do Estado.
     Com estas receitas repetíveis, o problema do défice está resolvido. 

Harmonia conjugal

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Atenção meninos, cuidado!

Bonsai




1. Na semana passada, escrevi aqui sobre as as “bombas do século XXI” que iam participar na rampa do Caramulo. Estava a contar com uma aguerrida “cavalaria” moderna monte acima. Tal não aconteceu.
A estagnação que se vive em Portugal desde 2002 sente-se também no nosso automobilismo de competição. Tal como o país, também as corridas estão a andar para trás como o caranguejo.
Foram pouquíssimas as “bombas” do século XXI no Caramulo. Eram quase todas do século passado.


2. Paul Schrader é mais conhecido pelos argumentos que escreveu (“Taxi Driver” e “Touro Enraivecido” são inesquecíveis) do que pelos filmes que realizou (“Rapariga na Zona Quente” e “American Gigolo” foram os de maior sucesso).
O seu primeiro filme - “Blue Collar” (1978) - é uma história que se passa entre operários da indústria automóvel americana num tempo em que fazia ainda sentido a diferença entre os colarinhos brancos dos serviços e os colarinhos azuis dos fatos-macacos dos operários.
Um dos operários passa o filme a chutar para canto enquanto a filha lhe pede um aparelho para endireitar os dentes. Ele não tem dinheiro. No fim, a filha, ela própria, espeta uns arames nas gengivas. Um desespero.
Sempre que oiço dizer que querem cortar as deduções das despesas de saúde no IRS dos portugueses lembro-me desta cena de “Blue Collar” de Paul Schrader.


3. Paul “Swifty” Lazar, um bem-sucedido agente de Hollywood, era um homem baixinho, um meia-leca. Uma vez o realizador Billy Wilder, irritado com ele, disse: «esse tipo devia ir enforcar-se num bonsai!»
No ano passado Maureen Dowd, no New York Times, recomendou a mesma penduração ao “querido líder” da Coreia do Norte, Kim Jong Hill.
Perante o que se está a passar com os direitos das minorias em França, eu digo:
«Sr. Sarkozy, vá enforcar-se num bonsai!»

Publicado no Jornal do Centro

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Declaração de princípios

«Ocasionalmente o excesso é divertido.
Evita que a moderação se torne um hábito nefasto.»
William Somerset Maugham